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A MINHA SANIDADE VEM EM PRIMEIRO LUGAR

POR FÁBIO CHAP

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Eu não tô debatendo com absolutamente ninguém que se manifesta ferozmente anti-PT ou totalmente a favor do Bolsonaro.

A minha sanidade vem em primeiro lugar.

– Ontem, o atendente da padaria que eu compro suco de açaí todo santo dia disse que tem que armar todo mundo mesmo, sentar o dedo em vagabundo. Que nordestino é burro e que negro é mais racista com negro do que os próprios brancos. Ele é baiano. E negro

– Ontem, um parça disse que o próprio pai bloqueou ele no Whats depois de uma discussão política e que tá foda a situação.

– Ontem, um amigo deu suas visões num grupo de Whatsapp e o grupo – de amigos de mais de 15 anos – se deteriorou.

– Ontem, eu sofri 7 ameaças de militaristas via Instagram porque postei alguns vídeos que gravei com o pessoal da Intervenção Militar queimando urna eletrônica na Av. Paulista.

– Ontem foi o dia da minha vida que eu mais li a palavra ‘medo’. Não me recordo de nenhum outro dia em que eu tenha lido tanto essa palavra.

Tudo isso ontem. Não quero nem imaginar o que virá nas próximas semanas e meses.Dentre todos meus amigos, familiares e parças de trabalho, eu sou a pessoa que mais se posiciona nas redes sociais. Faz 5 anos que meu trabalho online se baseia em me posicionar sobre praticamente tudo sobre o momento sócio-político do país. Quem me acompanha sabe em quantas enormes tretas já me envolvi. Já paguei muito por isso. Emocionalmente, inclusive.

Mas nessas eleições eu diminuí os enfrentamentos e fingi ser surdo numa pá de momentos. Minha sanidade vem em primeiro lugar.Isso não significa que eu não falei, que não me manifestei. Isso significa que nas vezes em que a situação iria claramente virar uma treta gigante e insolucionável, eu me poupei.

Nessas eleições sabe o que eu tenho buscado? Estar com os amigos o máximo de tempo que eu posso. Estar mais conectado com a minha família. Fazer exercícios regulares. Ouvir música que eu amo. Ler muito. Beijar a boca da minha linda.

De que iria adiantar eu me posicionar em cada discussão de bar e voltar pra casa destruído, sem esperança na humanidade?

Como eu vou conseguir ajudar as pessoas a refletir sobre esse momento – que é o cerne do meu trabalho – se eu estiver totalmente derrotado e abalado pelas circunstâncias

Agora, só entro em discussão que eu tenha certeza que não vai virar um campo de guerra.

Estar bem comigo mesmo é o meu ato revolucionário pra esse momento.

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HOJE EU JOGUEI SUA ESCOVA FORA

POR FÁBIO CHAP

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Hoje eu joguei a sua escova fora. Não dava mais pra te guardar. Todo dia eu era obrigado a ficar de frente pras lembranças da gente. Todo dia eu limpava meus dentes enquanto sujava meu coração. Lembra a bundada que eu te dava pra conseguir mais espaço na pia? E a gente ria… E ria!

Eu não quero aqui pensar com quem você está ou quem tá prestes a amar. Meu peito não aguentaria te ver na fila do mercado comprando nosso suco de uva pra outro. Ou nosso vinho chileno pra outros.

Hoje eu joguei a sua escova fora porque sempre chega a hora da gente seguir em frente. Faz tanto tempo, mas até ontem eu tava andando meio de lado. Quase que pra trás. Não dá mais pra te pensar dia-e-noite.

Lembra daquele dia em que a gente caiu na piscina? Você me empurrou, mas eu rápido que sou, peguei no seu braço e te levei junto. Você riu, eu gargalhei. Ali eu era um rei. O cara mais feliz do mundo. Um homem realizado até último fio de cabelo. Como era lindo o seu cabelo na hora que a gente rolava na cama.

Mas isso é passado. Hoje não tem piscina, não tem temaki, não tem edredom. Hoje não tem sua cama, minha pia, minha varanda. Era lá que nosso corpo fazia samba e heavy metal, até valsa. Era lá que a minha calça descia ao chão e a tua calcinha ia pro lado. Nosso pecado era forte. Era fundo. Era tudo.

Caralho! Que pensamento idiota. Eu não queria escrever isso. Porque escrever isso é lembrar disso. E eu não posso. Joguei a sua escova fora exatamente pra que, a partir de agora, você seja só história, não mais desejo.

Meu medo é falar da boca pra fora. Porque essa dor tá pegando é do peito pra dentro. Ai! Quem me dera sair nas ruas e ver graça nos sorvetes, nas crianças, no sol que hoje tá tão bonito. Mas eu só sei prestar atenção nos casais de mãos dadas. E pensar – sufocado de angústia – que não estou mais num desses pares românticos que se beijam nas esquinas e na porta dos restaurantes.

Agora nós dois somos isso; ou seja: mais nada. Vou ter que aprender a lidar. Esse sou eu: um ateu que, olhando pro céu, anda pedindo favores com os joelhos no chão. Um ateu que se pega pedindo a Deus pra aprender a lidar com a sua falta, com as suas costas, com o seu adeus.

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NÃO FAÇA PIADA, NEM XINGUE UM ELEITOR DE BOLSONARO

POR FÁBIO CHAP

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Não faça piada, nem xingue um eleitor de Bolsonaro.

“Não sei quem é mais animal. Bolsonaro ou quem vota nele”

“Eleitor de Bolsonaro parece barata. Desculpa, não quis ofender as baratas, viu?”

Esse tipo de frase serve apenas pra alimentar o ego de quem as posta. Sabe o efeito prático disso? Ne-nhum. Aliás, o efeito prático é afastar de você os eleitores dele.

“Meu querido, é exatamente o que eu quero. Essa gente longe de mim. Minha saúde mental vem em primeiro lugar.”

Sabe o que acontece quando um eleitor de Jair se afasta de pessoas razoáveis? Ele se torna mais extremista ainda.

Não xingue um eleitor de Bolsonaro. Se tiver resistência emocional, seduza ele. Quem sabe ele entenda outros pontos de vista. Se não tiver essa força emocional, pelo menos não faça o desserviço de radicalizar ainda mais essas pessoas.

Vou te dar um exemplo bem fácil de entender a situação:

Sabe quando sua amiga/seu amigo começa a namorar alguém que você não gosta? Sabe, né? Agora me diz uma coisa. O que acontece se você começa a xingar o namorado/namorada dessa pessoa pra sua amiga/amigo?

Sua amiga/seu amigo vai se afastar de você e vai ficar cada vez mais sob influência da pessoa que você não gosta.

Com eleitor de Bolsonaro é a mesma coisa.

Me parece que quem fica xingando eleitor do cara não tá preocupado se ele vai ser eleito ou não. Tá mais preocupado em dar uma risadinha/ ficar bem na fita com os amigos do que fazer um esforço em nome de todos nós. Xingar seu familiar, seus amigos e desconhecido que votam no Jair só vai fazer essas pessoas estarem mais próximas das ideias dele e mais longe das suas.

Você tem que decidir se, nessa hora, seu papel é apagar o incêndio ou fazer piada das chamas.

Se prefere apagar, atraia esse eleitor pra boas conversas e bons debates. É difícil, eu sei bem, mas não é impossível. A maioria de quem está declarando voto nele não é porque tem uma fúria enorme dentro de si, mas porque acredita que alguém como ele pode mudar os rumos do país. As pessoas têm fetiche de autoritarismo. Adoram um mandão. E isso é muito diferente de terem corações carregados de ódio.

Mas, porém, contudo, entretanto, se você optar em fazer piada com o eleitor do cara, só não esqueça que, num cenário sem Lula, Jair Bolsonaro está em 1º lugar nas pesquisas.

Ele sendo eleito, vai ser tarde demais pra você se arrepender. Afinal, você decidiu fazer piada com gente que poderia até mudar de visão se você tivesse tido 10 minutos de paciência.

10 minutos de paciência.

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O CONTADOR VIU: O MECANISMO

POR FÁBIO CHAP

Recomendação para essa semana: assista a série brasileira ‘O Mecanismo’ que estreou na Netflix.

É uma série maravilhosa sobre a Lava Jato. O primeiro mérito da série é ter conseguido criar um suspense muito interessante numa história que a gente já sabe tudo o que acontece. Isso não é tão simples. As operações estão todas lá. A prisão do diretor da Petrobrás (Na série chamada de PetroBrasil). A prisão de vários donos de empreiteiras de uma vez só. A vaidade dos investigadores. Tá tudo nessa 1ª temporada.

O segundo mérito de ‘O Mecanismo’ é ter conseguido irritar petistas fanáticos. Isso já é mais simples. Basta fazer uma mínima crítica ao “Deus Lula” que os fiéis não perdoam.

O Selton Mello, para variar, tá brilhante. Na série ele é um delegado da Polícia Federativa (a série preferiu não chamar de Polícia Federal; imagino que para evitar processos). Um delegado absolutamente vidrado na Lava Jato. Em dado momento uma delegada mulher ocupa o lugar dele como responsável da Polícia pela operação. A atriz chama Carol Abras e a personagem dela é bem intensa. Sem a atuação dela, a operação teria parado lá no comecinho e ninguém teria ouvido falar nos escândalos de corrupção que a gente conhece.

Em dado momento da série, o personagem do Selton faz um paralelo entre a corrupção que vai dos mais altos cargos do congresso ao funcionário da prefeitura que tem que trocar um cano quebrado na sua rua. Para mim esse foi o momento ápice. Sem propina são 3 semanas para trocar um cano. Com propina, 1 dia.

No roteiro estão todos personagens políticos e empresariais dos últimos anos do Brasil. Os petistas mais fanáticos, como fizeram chilique e não assistiram a série até o final, não sabem que ‘Sérgio Moro’ vai ficando cada vez mais vaidoso. Que os procuradores vão ficar ultra-vaidosos. Não sabem que a série dá uma tirada em ‘Kim Kataguiri’. Não sabem que ‘Michel Temer’ e ‘Aécio Neves’ são retratados como uns baita sem noção e golpistas. Também não fazem ideia de que existe uma crítica contundente à revista Veja.

Mas, ao mesmo tempo, a série também é bastante crítica ao Lula e à Dilma. Incrível a semelhança da atriz que faz a presidenta Janete Ruskov com a ex-presidenta Dilma Roussef. Principalmente na hora em que ela e ‘Lula’ saem na capa da revista ‘Leia’; uma paródia com a revista Veja.

Para você ter uma noção, a crítica tá tão honesta que vi num post um petista acusando Selton Mello de ter o pau pequeno. É sério! Disse que isso é um ‘boato forte entre as atrizes da Globo’.

Bom, se o diretor José Padilha queria fazer barulho no meio militante, ele conseguiu. Agora resta saber como a série vai ser recebida pelas pessoas normais que trabalham de segunda à sexta e não têm tempo de dedicar a vida a defender o “Deus Lula”. Nem têm interesse em boicotar a Netflix porque ela decidiu tocar nesse assunto (sim, tem um movimento de 13 gatos pingados propondo o cancelamento da assinatura da Netflix).

O Mecanismo foi uma baita bola dentro. Série brasileira de alta qualidade na Netflix é algo muito especial. Selton Mello – meu ator favorito há muitos anos – quebrando tudo. Além de tudo isso, conseguiram uma baita série polêmica.

Finalizo esse post com essa pérola da série:

– Fez merda, né? Vamo comigo que a gente vai desfazer essa merda!

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NINGUÉM QUER ASSUMIR A CULPA

Por Fábio Chap

Ninguém quer assumir a responsabilidade de nada. Ninguém tá nem aí de pegar pessoas casadas, compromissadas. A culpa é só de quem resolveu trair, não de quem resolveu atentar, ceder. Você não tem nada a ver com isso, não é mesmo?

Ninguém quer assumir a responsabilidade de nada. O Brasil está do jeito que está por causa dos outros. Dos Comunistas, dos Bolsominions. Você não tem nada a ver com isso, tenho certeza disso.

Ninguém quer assumir um mínimo pingo de responsabilidade de nada. Sua vida tá difícil porque seu pai foi cuzão, porque sua mãe trabalhava demais e não ligava pra você. Sua vida tá difícil porque ninguém percebeu que você era um grande talento. Você não tem nada a ver com a sua vida de merda, a culpa é todinha da sua família.

Ninguém tá nem aí. Ninguém vai assumir. A culpa é do mundo todo, menos sua. Você quer liberdade, quer falar, quer gritar, quer transar, quer tudo e quer agora. Os outros que se fodam. Os outros que se danem. Os outros que se explodam.

Você tá sempre certa. Sempre certo. O mundo é que tá ao contrário e ninguém reparou. Tenho certeza disso.

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É ASSÉDIO, É FLERTE OU É ESCROTO?

POR FÁBIO CHAP

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Os debates da semana passada nessa distinta Rede Social se concentraram num tema importante: A diferença do flerte para o assédio.

Passei um tempo colhendo exemplos de assédios relatados pelas mulheres e escrevi um tutorial que oriente a nós, homens, a entender melhor essa fronteira entre flerte e assédio.

Nesse tutorial vou pegar exemplos do cotidiano. Dividi as conclusões em 3 categorias:

– É flerte

– É escroto

– É assédio

Vamos lá?

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Exemplo 1:

– Você mandar uma mensagem inbox dizendo:

‘Oi, linda, bela camiseta dos Beatles’

>> É flerte

– Ela ignorar esse seu inbox da camiseta dos Beatles, você ficar puto e mandar outro inbox:

‘Não vai me responder, não? tá se achando, heim?’

>> É escroto.

– Você mandar um mensagem inbox dizendo:

‘Caralho, que delícia esse biquini enfiado nesse rabetão, heim?’

>> É assédio

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Exemplo 2:

– Você vai ao dentista. A recepcionista é linda e você diz:

‘Lindo seu sorriso. Parece que aqui cuidam muito bem dos dentes mesmo. Escolhi o lugar certo.’

>> É flerte

– Você vai ao dentista. A recepcionista é linda e você diz:

‘Que linda você, heim? Não me falta coragem, me falta é sorte’

>> É escroto.

– Você vai ao dentista. A recepcionista é linda e você diz:

‘De calça branca ainda? Assim mata o papai, heim? Me passa seu Whats pra gente marcar de tomar alguma coisa… Tipo um banho’

>> É assédio.

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Exemplo 3:

– Você está no trabalho, a sua estagiária acabou de chegar com roupas de academia e está indo se trocar por roupas mais formais. Antes de ela se trocar você diz:

‘Tem que malhar mesmo. Faz bem pra saúde e a gente fica mais bonito, mais disposto.’

>> É flerte

– Você está no trabalho, a sua estagiária acabou de chegar com roupas de academia e está indo se trocar com roupas mais formais. Antes dela trocar de roupa, você diz:

‘Tem que malhar mesmo. Tá precisando perder uns quilinhos aí de barriga.

>> É escroto.

– Você está no trabalho, a sua estagiária acabou de chegar com roupas de academia e está indo se trocar com roupas mais formais. Antes de ela trocar de roupa, você diz:

‘Caramba. Podia vir assim todo dia, né? A gente nem iria trabalhar. Só ia ficar vendo você desfilar pelo corredor.’

>> É assédio.

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Exemplo 4:

– Você está num bar com os amigos e por você passa um grupo de amigas.

Você pisca pra uma delas, abre um sorriso e levanta seu copo, como se oferecesse um brinde.

>> É flerte

Você está num bar com os amigos e por você passa um grupo de amigas.

Você entorta o pescoço na frente de todo mundo e fica secando a bunda das minas

>> É escroto.

– Você está num bar com os amigos e por você passa um grupo de amigas. Você segura na mão de uma delas e diz:

‘Aí siiim, heim? A gente também tá querendo uma festinha hoje. A gente tá em 3, vocês em 3. Cabe tudo no mesmo quarto.’

>> É assédio.

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Exemplo 5:

– Você trabalha como recepcionista num local em que precisa cadastrar contato de clientes. Uma cliente que te atrai chega, você faz o serviço e pergunta a ela:

‘Posso te mandar um e-mail não relacionado a trabalho depois que eu sair daqui?’

>> É flerte.

– Você trabalha como recepcionista num local em que precisa cadastrar contato de clientes. Uma cliente que te atrai chega, você faz o serviço, ela vai embora. Quando ela chega em casa, tem um e-mail seu pra ela:

‘Oi, linda, eu te atendi hoje. Mandando esse e-mail só pra te dizer que te achei linda.

>> É escroto / Já beirando o assédio.

– Você trabalha como recepcionista num local em que precisa cadastrar contato de clientes. Uma cliente que te atrai chega, você faz o serviço, ela vai embora. Quando ela chega em casa, tem um e-mail seu, um inbox seu, mensagem no Whats:

– Oi, delícia. Vem mais vezes comprar aqui com a gente. Mas vem linda do jeito que você veio hoje, tá?

>> É assédio

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Exemplo 6:

Você é professor de uma faculdade. Há uma aluna pela qual você realmente se interessa e você diz a ela em particular:

‘Se você estiver livre depois da aula da sexta, a gente pode assistir uns amigos tocar lá em São Paulo. Me parece que vc adora o tipo de som que rola lá.’

>> É flerte

Você é professor de uma faculdade. Há uma aluna pela qual você realmente se interessa e você diz pra ela na frente de vários outros alunos:

‘Se você estiver livre depois da aula da sexta, a gente pode assistir uns amigos tocarem lá em São Paulo. Me parece que vc adora o tipo de som que rola lá.’

>> É escroto

Você é professor de uma faculdade. Há uma aluna pela qual você realmente se interessa e você diz a ela:

‘Sei que sua nota tá baixa esse semestre, mas se você for comigo num show que vai rolar essa sexta-feira a gente pode negociar subir essa sua nota.’

>> É assédio

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O assédio poucas vezes tem relação com desejo. Ele é muito mais relacionado com poder.

O homem, cliente de um estabelecimento, sente-se poderoso, então ele acha OK falar coisas indevidas pra uma recepcionista.

O homem, cercado de amigos, sente-se poderoso, então ele acha OK pegar no braço de uma mulher desconhecida.

O homem, gerente numa empresa, sente-se poderoso, então ele acha OK constranger uma funcionária que acabou de chegar da academia.

O homem, professor de faculdade, sente-se poderoso por controlar as notas das pessoas, então ele acha OK ameaçar trocar notas por sexo.

Assédio é sobre poder e não sobre ímpetos masculinos. Numa sociedade em que a mulher equilibra seu poder social com o poder social do homem, a tendência natural é que o assédio diminua gradualmente e constantemente.

A saída para o assédio é apenas uma: mulheres no poder.

Mães e pais, criem suas filhas para serem poderosas.

Mulheres já crescidas: estudem o poder, vivam o poder, sejam o poder. Pois o homem não muda até encontrar alguém maior que ele. Daí ele cala a boca.

Sigam calando a boca de assediadores em todo o planeta. As meninas já nascidas e as que ainda estão por vir certamente serão imensamente grata por vocês no futuro.

E 2018 já é o futuro!

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MEU CARO AMIGO HOMEM, TER FILHO É TIPO UM FURACÃO

POR FÁBIO CHAP

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Meu caro amigo homem, ter filho é tipo um furacão. Não apenas porque filho revira a casa, mas porque filho revira a tua vida.

Filho derruba frango no chão, espalha massinha pela casa e faz você mudar completamente seu estilo de vida; dos gorós aos seus planos de faculdade/pós/estudos em geral.

Sabe aquele churras dos parça às 11 da noite naquela casa que acontecem as maiores putarias? Então, você não vai. Cê vai ficar em casa assistindo o mais novo filme da My Little Pony – lindas garotinhas metade pônei, metade gente que têm uma banda chamada Equestria Girls.

Sabe aquele bacon que você comia todo dia junto com seu arroz e feijão? Então, você vai parar e vai colocar mais verde na sua comida. É a volta do agrião, da rúcula e da cenoura no seu prato. E sem fazer cara feia, mané. Ou acha que a pequena criança não vai – na hora – falar que se você não gosta daquilo, ela também não precisa gostar?

Meu caro amigo homem, filho é furacão. Não apenas porque caga infinitamente nas fraldas e vai depender bons anos de você pra limpar o bumbum, mas porque vai bater de frente com você. Vai te questionar: “Se eu não posso toma refrigerante de dia de semana, por que você pode tomar cerveja de dia de semana?”

Sabe aquela viagem que você fazia com os amigos e as amigas pra ver biquininho pequenininho, fumar todos becks do mundo, chapar de Red Label até cair adormecido num colchonete qualquer pela casa? Então, você, não tão cedo, vai fazer outra dessas.

Sua viagem de verão pode até ser na praia, mas com horário pra ir dormir e com noção do quanto dá pra beber e do quanto não dá. É, as coisas mudaram, meu parça.

Se você abriu mão disso tudo pelos seus filhos, é isso aí mesmo, cara. Você se tornou uma pessoa adulta. Uma pessoa que soube aproveitar ótimas coisas da vida e agora entrou numa outra fase, num outro fluxo.

Agora, se você tem filhos, mas nunca fica com eles, deixa pra mãe da criança – ou pra sua mãe – cuidar e criar enquanto você segue vivendo a adolescência tardia, saiba que a vida vai te cobrar por cada omissão.

Filho é furacão, mas se você é omisso, nunca vai poder sentir a brisa que é ouvir um ‘eu te amo, papai’. Filho é furacão, mas se você é omisso, nunca vai poder sentir a brisa que é ver sua cria gargalhando das coisas mais bobinhas do mundo. Filho é furacão nos primeiros anos de vida, mas a brisa que afaga o coração, aos poucos, ela chega. Eu amo desenhar uma cena daqui 20 anos em que vai estar eu e minha filha tomando uma cerveja a beira-mar falando da vida, da política, do mundo, dos relacionamentos. E sei que só vou conseguir isso tudo aceitando e vivendo o furacão que são os primeiros anos de uma criação.

Por fim, esse texto não é um manifesto pela anulação daquilo que te dá prazer. Mas você vai ter tão poucas chances de manter o antigo estilo de vida que, pouco a pouco, ficar lokasso e pegar geral não serão mais coisas que vão preencher sua alma.

Meu caro amigo homem, aos poucos, você vai deixar de pensar em área vip de baladinha e vai pensar em casa própria. Vai deixar de pensar em caixas e caixas de cerveja e vai pensar em latas de farinha láctea, couve-flor e iogurte. Vai deixar de achar que a vida é uma eterna festa. Vai entender que você colocou um ser humano no mundo. Ser humano esse que, por alguns anos, vai depender totalmente do papai e da mamãe; tanto fisicamente quanto psicologicamente.

Tem homem que ainda não acordou pra vida. A todos que estão bem despertos criando boas pessoas pra esse mundo: meus parabéns!

Você está sendo, de fato, um homem perante as suas obrigações.

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VAMOS FALAR UM POUCO SOBRE A ANITTA

POR FÁBIO CHAP

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Nunca se esqueça: A Anitta foi uma das artistas mais alopradas e desrespeitadas pela mídia e pelos haters da Internet nos últimos anos. A Anitta foi umas das pessoas mais esculachadas pelo site Sensacionalista que, por um bom tempo, foi uma das maiores páginas de Facebook no BR, senão a maior. Ela foi ‘zuada’ pelo Faustão, pelo Willian Waak e por inúmeras outras pessoas públicas. Tudo ao vivo. E tudo isso desde que ela tinha 19 anos.

O respeito, o lance de maior artista do Brasil e da América Latina, o lance de Anitta ser a única instituição que funciona no Brasil, tudo isso é recente. Ouso dizer que o fato que mais pode ter mudado a visão de mundo da Anitta foi o diálogo dela com a Pitty no Altas Horas. A Pitty é mais importante na carreira da Anitta do que muitos percebem.

Anitta, hoje, tem 24 anos. A maior artista do Brasil tem vinte-e-quatro-anos. 1 ano a menos que Neymar. 10 vezes mais consciente do que Neymar (que nem se acha negro).

Anitta começou a bombar aos 19 anos com a música ‘Meiga e Abusada’, logo depois veio ‘Show das Poderosas’ e o bagulho estourou no Brasil inteiro. Toda criança sabia cantar ‘PRE-PARA!’. Diferente da maioria dos artistas pop no BR, Anitta taí mantendo sua música no topo há 5 anos. A maioria não consegue segurar o sucesso nem por 5 meses.

E nunca se esqueça: A Anitta foi uma das artistas mais alopradas e desrespeitadas pela mídia e pelos haters da Internet nos últimos anos.

Há 3 anos ela toma conta da sua própria carreira. Se cansou das pressões da sua ex-empresária para se lançar logo como cantora internacional e decidiu ela própria administrar o trampo. Ela discordava da manager anterior e acreditava que tinha que esperar mais pra se lançar internacionalmente. Estudar mais, se planejar mais e se preparar mais. E foi o que Anitta fez: foi estudar espanhol, melhorar o inglês, gestão, marketing, cultura (pra quem não sabe, ela é uma grande fã de documentários).

Nos últimos anos Anitta tem se associado com os maiores artistas do Brasil e, aos poucos, do mundo. Trabalhou com os melhores roteiristas, diretores, dançarinas; fez parceria com Projota, Simone e Simaria, Nego do Borel, Wesley Safadão, Maluma, lançou Pablo Vittar.

E nunca se esqueça: A Anitta foi uma das artistas mais alopradas e desrespeitadas pela mídia e pelos haters da Internet nos últimos anos.

Nos bastidores Anitta é conhecida não apenas como alguém que cobra, mas como alguém que grita e xinga. Ela mesma admite isso. Vê-la e ouvi-la é ótimo, trabalhar com ela não parece fácil. O nível de exigência é level hardcore.

A polêmica das últimas horas é se Anitta empodera as mulheres – com seus clipes e letras – ou se ela apenas mantém o status quo empinando a bunda e sendo apenas mais uma que serve o que o mundo masculino quer: bundas e biquinis. Essa discussão eu vou deixar pra outras pessoas.

Anitta é a exceção da exceção da exceção. Representa uma forte imagem de resiliência:

– Mulher;
– De origem periférica (não pobre, mas periférica);
– Tem a qualidade da sua voz questionada onde quer que vá;
– Funkeira de origem.

Alcançou o que só Tom Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto alcançaram antes: visibilidade no mercado internacional. Foi desrespeitada, questionada e alvo de piadas por anos e anos e anos.

Não conheço ela pessoalmente, não sei nada sobre a real personalidade dela, mas me parece que Anitta sente dentro dela que tem algo a provar. E sempre vai ser assim. Poucas pessoas quando são tão questionadas e humilhadas conseguem tirar força pra mostrar que são maiores que isso tudo. Ela precisou, precisa e vai sempre precisar provar que é maior que as merdas (ou as sinceridades) que falam sobre ela. E, bom, ela tem dado uma bela prova, né?

Provavelmente Anitta tem dentro dela uma frase dos Racionais: ‘Então mostra pra esses cu como é que se faz’.

O clipe/música lançados ontem ‘Vai, Malandra’ começam com um baita close na bunda de Anitta e no refrão tem essa frase:

“Ê, tá louca, tu brincando com o bumbum
An an, tutudum, an an”

Mas repara uma coisa: enquanto a gente olha a bunda da Anitta passar, a mente criativa e a visão estratégica dela passaram anos antes.

A Anitta não fez sucesso graças à bunda – naturalmente com celulite – dela. A raba é só um artifício que ela tem usado enquanto prepara a fórmula perfeita pra poder te comandar.

Maquiavel estaria orgulhoso de Larissa de Macedo Machado, mais conhecida no mundo todo como Anitta: a mulher mais poderosa do Brasil e que não vai hesitar em se construir a mulher mais poderosa do planeta.

Já dizia uma antiga profecia:

Pre-para que agora é hora
do show da poderosa!

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PRA QUEM CHEGOU AOS 30 

POR FÁBIO CHAP

Nesse 2017 eu fiz 30 anos. Se você está nessa fase da vida é contigo que eu quero conversar.
Lembra quando você tinha seus 11/12 anos de idade e começou a sentir uma mutação enorme no seu corpo e na sua cabeça? Fazer 30 anos é a mesma coisa. Com a diferença que agora os pelos não começam a crescer, começam a cair.

Quando estamos na pré-adolescência, do nada começamos a nos sentir mais do que de fato somos. Nos sentimos mais velhos, mais inteligentes, mais fodões só porque demos o primeiro beijo, entre outras coisas. E, olhando de longe, a gente sabe que um adolescente é a mesma coisa que uma criança crescida só que com voz de pato e pelo no sovaco.

Com 30 anos, pra muita gente, o efeito é o contrário. Alguns começam a se sentir menos do que realmente são. Se preocupam por ainda não estarem no tal ‘topo da carreira’, se preocupam por não terem encontrado alguém com quem vão passar o resto da vida, se preocupam demais.

Se tem uma palavra pra definir a crise dos 30 é: preocupação.

E isso é muito louco porque ao mesmo tempo em que nos preocupamos muito, lutamos pra ter uma vida mais leve, mais equilibrada, mais estável. É caótico memo.

Você que tá na fase dos 30, pensa agora em tudo que você alcançou até aqui e que não dependeu dos seus pais. Conquistas materiais, amorosas, espirituais, no trabalho. Não é pouca coisa, não!

Você é foda! E eu não quero levar esse texto pro lado da auto-ajuda, eu só quero constatar que você é, sim, foda. Não apenas sobreviveu 30 anos num mundo absolutamente cruel como, certamente, tem deixado marcas na vida de amigos, da família, dos seus amores. Você não está de passagem pela Terra. Você tá deixando o seu rastro.

Quando se tem 30 anos uma coisa é fato: você sabe se virar! O mundo pode desabar. Tudo que você planejou pode dar errado, mas você sabe se virar. Olha até onde você chegou: aos 30. Isso não é pouca coisa.

Nessa fase a gente deixa de pensar em academia apenas pra benefício estético. Pra chamar a atenção no rolê. A gente começa a pensar em malhar pra ter mais saúde. Olha que papo de velho: saúde. Mas é real. Essa é a fase em que a gente quer respirar melhor, muitos diminuem o álcool, o cigarro, as drogas. É o adolescente rebelde em nós ficando pra trás e nosso corpo entendendo que todo excesso será pago com uma ressaca de um nível que não existia aos 20.

Por falar do adolescente em nós, aos 30 ele vai embora de fato deixando só as boas lembranças. O trabalho deixa de ser aquela luta pra fazermos apenas o que queremos e passa a ser o que precisamos pra dar conta de viver. A importância da disciplina começa a ser redescoberta nessa fase. É nesse momento que, de fato, a gente começa mais a ouvir do que falar.

 Disciplina, inclusive quando se fala do coração. Foram tantos namoros, rolos e noites loucas, né? Tenho certeza que a sua experiência amorosa e sexual está no ápice. Você já sabe o suficiente sobre a paixão e o amor pra não errar tanto. Depois de tantas pessoas que passaram pela sua vida, você sabe exatamente o que te atrai. Você sabe exatamente o que não quer. Nessa fase a gente passa a ter mais controle sobre o coração e só deixamos pousá-lo onde haverá reciprocidade, onde haverá luz. E eu não estou querendo dizer com isso que aos 30 a gente encontra a princesa encantada. Estou dizendo que nessa fase diminui demais a chance de a gente fazer as merdas amorosas que fizemos com 20 e poucos simplesmente porque aprendemos muito com tudo que vivemos. Relacionamento bumerangue não nos satisfaz mais.

Aos 30 a gente se abre mais pra espiritualidade. Isso não significa que o povo começa a ir pra igreja. Significa que dormir em paz e acordar em paz é tão importante que a gente começa a filtrar melhor as energias no nosso entorno. As pessoas que só reclamam de tudo não são mais companhias tão frequentes. As brigas de família deixam de nos enfurecer e a gente simplesmente acostuma. Passamos a entender que os outros são diferentes, que vão buscar os próprios interesses e que, sem ser cuzão, devemos buscar os nossos também.

Outra coisa que a juventude loucura total não nos permite fazer, mas que aos 30 anos damos os primeiros passos é: planejar a vida. E executar o que planejamos. Fale com qualquer pessoa de 30 anos: é muito provável que essa pessoa adore listas. Listas organizam a vida e tudo que buscamos nessa etapa é organizar. É a fase em que passamos a falar sobre melhores maneiras de guardar dinheiro, investir dinheiro, fazer mais dinheiro. Porque o dinheiro só não é importante na sua vida se você é herdeira ou herdeiro. Não é o caso na maioria de nós.

E talvez essa coisa de pensarmos muito em organização seja um preparo inconsciente pro que vem pela frente. Muitos querem formar família, ter filhos, morar junto, etc. Mas ninguém quer fazer isso com a vida caótica. Quem sonha em ter família não sonha com crianças ramelentas chorando pedindo mamadeira e jogando nescau pro alto. A gente sonha com uma casinha que caibam todos de maneira confortável, uns quadrinho bonito na parede, umas plantas bem verdinhas, a geladeira cheia e a vida em paz, ou seja, a vida organizada.

A palavra organização é importante demais aos 30 anos, assim como saúde, amor, experiência, disciplina e paciência.

Estar aqui onde estamos não é fácil. Os boletos nos tiram o sono. 1 dia de atraso no aluguel já compromete o orçamento. Dormir todo dia sozinha/sozinho não é exatamente o sonho de todo mundo e isso traz sensações de solidão. Brigar se torna algo mais desgastante simplesmente porque a gente não é tão foda-se como no passado. Por esse exato motivo, a gente briga menos, se inflama menos e resiste mais.

Ter 30 anos é saber focar a vida no que nos mantém vivos, felizes, ativos, com a auto-estima elevada. Essa é a fase que as pessoas entendem que ‘se amar’ não é um conceito vazio. É a coisa mais importante que temos que fazer nessa vida.

E por isso mesmo, por nos amarmos mais, se tem algo que pega fogo aos 30 anos é a vida sexual. Se antes tínhamos pressa e curiosidade, agora temos intensidade e experiência. 

Se você teve a primeira vez com 15/16/17, já são 15 anos – ou quase – de vida sexual. E essa carga horária de cama ninguém nos tira. Nessa fase a língua não suga, ela dança. Nessa fase a gente sabe que pau e buceta são parte integrante do sexo, não ele todo. Sexo se torna toda uma experiência que começa no 1º whats do dia, que continua no jantar, que pega fogo com as provocações ao pé do ouvido. Aos 30 sexo deixa de ser penetração e se torna contexto, se torna uma história, se torna um delicioso jogo de horas e horas e horas.

Uma coisa que eu sempre penso/falo é que se eu puder escolher, quero morrer com 90 anos. Imagina só que foda podermos viver mais 2 vezes o que vivemos até agora e cada vez mais experientes? Seria demais. Os primeiros 30 anos de vida pra aprender demais, quebrar muito a cara. Os 30 anos seguintes pra executar os maiores trabalhos, obras e sonhos; criar a família mais linda. E dos 60 aos 90 viver pra curtir, sem nenhuma pressa, tudo que plantamos a vida inteira. Seria perfeito.

Lá em 1987 eu não sabia nada da vida. Tava começando a minha jornada. Eu não imaginava que seria uma jornada tão louca e tão linda. Tão difícil e tão emocionante.

Eu sobrevivi e isso me abre um sorrisão enorme na cara. Você também sobreviveu, sua linda, seu lindo. Espero, do fundo do coração, que agora você também tenha um sorrisão bem bobo estampado na cara.

Parabéns pra nós! Muitos anos de vida pra nós!

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VOCÊ OPTOU POR OUTRO BEIJO…

POR FÁBIO CHAP

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A Eu te roubaria um beijo. Te abraçaria forte. Apertaria sua mão e abriria meu coração. Diria o que tá travado; confessaria o pecado que é te amar infeliz; te querer e não ter por um triz.

Mas você optou por outro beijo; outros braços. Outra mão te afagando e outro coração dançando junto ao teu. Foi assim que morreu aquele tal sonho. Lembra? A gente, junto, queria conhecer o mundo.

Confesso: é fundo esse buraco que me encontro. O tombo foi grande. O preço alto, mas, se por um capricho da vida, você volta a me enxergar, saiba que tô pronto pra te roubar um beijo. Te abraçar forte. Apertar sua mão e fazer ecoar meu coração num grito assim:

EU TE AMO, PORRA. TE AMO. TE AMO.

e te amo.

Porra.

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