Arquivo da categoria: Contos

A PRESSA EM CONQUISTAR A FELICIDADE É ILUSÃO

POR RAFAEL OLIVEIRA

Ele a observava de tal maneira que sua imaginação criava em seu mundo a mulher perfeita mesmo sabendo que não existia perfeição e sim aperfeiçoamento diários.

Aqueles passos apressados dela significava para ele, uma vontade de conquistar a felicidade, quem é a criatura nesse mundo que não tem pressa pra ser feliz né? Mas sem raciocinar com calma o caminho que está percorrendo poderia levá-la ao destino contrário.

Mesmo achando que era livre e independente seus sonhos e objetivos eram os mesmos de toda sociedade, por tanto fazia dela um ser comum como os outros, presa em uma busca implacável de se sentir feliz formando uma família e sendo útil trabalhando no que gostava.

As pessoas vivem nessa busca sem conseguir enxergar o caminho que se faz, os momentos de alegrias e realizações, amores e ilusões, dores e vivências transformado em experiência.

A felicidade é um sentimento que não lhe contempla por completo, fica sempre faltando algo, por isso é preciso aprender conviver com os momentos alegres, assim vão saber conviver com o vazio que muitas vezes vem nos visitar e chamamos de tristeza.

É esse Vazio que você tem que saber controlar, nem precisa conhecer o motivo dele está alí, mas você precisa saber que a pressa em conquistar a felicidade é ilusão, já que vai faltar algo, então não se cobre tanto. Aproveite os momentos alegres, esses serão eternos em nossa memória.

SOMOS TODOS RACISTAS (?)

POR RAFAEL OLIVEIRA

Nascer num país onde a sua estrutura é racista, é válido dizer que crescemos racistas.

Se, eu criança, brinquei com vários bonecos e não me lembro de ter bonecos pretos em minha coleção, então me foi imposto uma forma de racismo. Por ser criança e não ser preta, essa reflexão passou despercebida.

Programas infantis na tv apresentados só por pessoas brancas (Xuxa, Angélica, Eliana), desenhos e filmes de heróis brancos (soube do Pantera Negra adulto), princesas da Disney todas brancas (Branca de Neve, Cinderela, A bela e a fera, A bela adormecida…).

Ah! lembro-me de algo infantil que tinha duas pessoas pretas, o Sítio do Pica-Pau Amarelo, com o Saci (moleque preto, fumante, deficiente e que perturbava geral) e a Tia Nastácia (senhora preta que sempre estava na beira do fogão servindo aos brancos).

Uma das estruturas do racismo está nessas situações que citei, onde se naturalizar o ser branco como personagem em nossas vidas e por sermos crianças não refletimos e nem questionamos onde estavam os pretos que não podia ser heróis, príncipes e princesas no imaginário infantil.

Saindo do mundo imaginário infantil e entrando no real, mas não menos racista, permanecemos imóveis e intactos em não questionar essa estrutura.

Se no Brasil existe mais pretos do que brancos, o comum seria que os pretos ocupasse mais postos de empregos e que em todas as profissões os pretos fossem maioria né?

Pergunto a ti: médicos, juízes, advogados, engenheiros, professores, empresários, arquitetos em sua maioria são brancos ou pretos?

O que vemos, porem, é totalmente diferente. Os pretos ocupam, em sua maioria, as filas de desempregados e as profissões onde se tem a mão de obra mais barata desse sistema capitalista.

Portanto, se eu não questiono e nem vejo que isso é uma estrutura racista, criada desde a colonização e continuou preservada após a liberdade dos escravizados com a vinda dos imigrantes brancos e prefiro a neutralidade do que defender uma equidade para nosso povo, eu sou racista sim.

Racismo é um assunto fácil de entender e ao mesmo tempo complexo de explicar. Sugiro que leia, principalmente, autores negros. Não quero dizer que os brancos não entendem, mas é que eles não sentem ou sentiram na pele.

Saber da história do nosso país (contado por quem leva esse país nas costas, o preto), ter empatia, questionar e não aceitar a forma de opressão estrutural do sistema capitalista com o preto é um passo pra você dizer que não é racista, depois disso, o próximo nível é ser anti racista.

CONTOS: ONTEM MORREU MAIS UM POBRE

POR RAFAEL OLIVEIRA

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Ontem dona Ivonete matou mais um pobre, socialite do RJ, faz 3 anos que botou Helena pra trabalhar na casa dela como empregada. Ontem Helena fez 16 anos e humildemente pediu pra Dona Ivonete assinar sua carteira de trabalho, pois onde mora uma carteira de trabalho assinada é vencer na vida.

A Ivonete mandou ela ir embora sem direito algum e ainda reclamou da “ousadia” da menina. A arquiteta Lúcia também mata todos os dias, 54 anos, recebe R$ 33,7 mil de pensão na condição de “filha solteira maior” de um ex-ministro morto. Ela diz que o povo é cheio de mimimi com esse papo de vitimismo racial mas quem quer vencer na vida tem que fazer por merecer!

Na verdade essas pessoas matam diariamente gente pobre e preta ou preta e pobre. Não entendeu? Pra essa gente dá no mesmo! Matam também o “ser” e o senso de justiça. Quer dizer, nunca tiveram. É assim desde colônia, elas pensam e agem como herdeiras de uma elite escravocrata acostumada com privilégios sem um mínimo de suor no rosto.

Ainda tem os cachorros raivosos vestidos de verde e amarelo defendendo uma falsa meritocracia, no qual não enxerga que isso é que mantém um sistema corrupto e cheio de vícios no nosso Brasil, vícios como sonegações fiscais. Mas quem luta por JUSTIÇA e EQUIDADE pra o povo nesse país, é chamado de comunista, por pessoas que não sabem nem o que é o comunismo.

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CONTOS (+18) – UM TESÃO MEU

POR FÁBIO CHAP

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Um medo meu:
A família Bolsonaro se estabelecer no poder por anos e anos enquanto a esquerda se auto-destrói.

Um sonho meu:
Ter 72 anos no Natal de 2059 e estar tomando um vinho com meus 5 filhos enquanto os 10 netos correm pela casa.

Um tesão meu:
Levar ela mais uma vez praquele beco escuro e botar ela pra engasgar enquanto olha com aquela cara linda pra mim.

Dinheiro é:
Fundamental e a gente deveria falar mais sobre ele. Deixamos pros bancos e pros investidores o assunto dinheiro. Então eles ficaram ricos e a gente, na ignorância, contando moeda.

A internet é:
O lugar onde as pessoas – primeiro – se encontraram e reencontraram. Passado um tempo, entraram em guerra porque descobriram que o outro pensa muito, muito diferente. Era pra internet ser um lugar melhor, mas pra isso precisamos ser humanos bem melhores do que essa merda agressiva que temos sido.

O beijo perfeito é:
Aquele em que a vontade é se fundir com a pessoa. Entrar no corpo, na alma e começar pela boca. Segurar o queixo e degustar cada centímetro de lábio. Provar cada gota da língua dela. Beijo bom é quando ela sente uma mão na nuca e um volume encaixando entre as pernas dela. Conforme o beijo avança, ela sente cada vez mais duro e a calcinha cada vez mais melada. É com a língua dançando na boca que começa toda a jornada. 🤤

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O Fábio Chap é um escritor que fala sobre arte, política e sexo! O Contador de Causos republica algumas das suas histórias!

CONTOS (+18) – QUEM DERA

POR FÁBIO CHAP

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Quem dera eu te esquecesse NUM GOLE.

Quem dera a sorte batesse à minha porta e fizessem essas tortas lembranças irem embora PRA SEMPRE.

Mas as lembranças não só ficam, como me caçam pela madrugada.

É lá, no meio do bar, que eu lembro da tua cintura e do teu cabelo. Da minha boca sufocada de prazer enquanto você rebolava nosso amor na minha língua.

Eu tento outros corpos e eles parecem tão mornos. Eu tento muitos copos e eles deixam muito claro que seu beijo era raro. Que seu corpo era meu encontro com o ápice da vida.

Minha cabeça tá toda invertida. Nos meus sonhos eu te fodo forte. Quando acordo, meu dia está todo fudido. Quando o sol nasce, fica claro o perigo de não te esquecer tão cedo.

Eu tenho medo de te amar pra sempre… Sem você presente.

 

O Fábio Chap é um escritor que fala sobre arte, política e sexo! O Contador de Causos republica algumas das suas histórias!

A MINHA SANIDADE VEM EM PRIMEIRO LUGAR

POR FÁBIO CHAP

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Eu não tô debatendo com absolutamente ninguém que se manifesta ferozmente anti-PT ou totalmente a favor do Bolsonaro.

A minha sanidade vem em primeiro lugar.

– Ontem, o atendente da padaria que eu compro suco de açaí todo santo dia disse que tem que armar todo mundo mesmo, sentar o dedo em vagabundo. Que nordestino é burro e que negro é mais racista com negro do que os próprios brancos. Ele é baiano. E negro

– Ontem, um parça disse que o próprio pai bloqueou ele no Whats depois de uma discussão política e que tá foda a situação.

– Ontem, um amigo deu suas visões num grupo de Whatsapp e o grupo – de amigos de mais de 15 anos – se deteriorou.

– Ontem, eu sofri 7 ameaças de militaristas via Instagram porque postei alguns vídeos que gravei com o pessoal da Intervenção Militar queimando urna eletrônica na Av. Paulista.

– Ontem foi o dia da minha vida que eu mais li a palavra ‘medo’. Não me recordo de nenhum outro dia em que eu tenha lido tanto essa palavra.

Tudo isso ontem. Não quero nem imaginar o que virá nas próximas semanas e meses.Dentre todos meus amigos, familiares e parças de trabalho, eu sou a pessoa que mais se posiciona nas redes sociais. Faz 5 anos que meu trabalho online se baseia em me posicionar sobre praticamente tudo sobre o momento sócio-político do país. Quem me acompanha sabe em quantas enormes tretas já me envolvi. Já paguei muito por isso. Emocionalmente, inclusive.

Mas nessas eleições eu diminuí os enfrentamentos e fingi ser surdo numa pá de momentos. Minha sanidade vem em primeiro lugar.Isso não significa que eu não falei, que não me manifestei. Isso significa que nas vezes em que a situação iria claramente virar uma treta gigante e insolucionável, eu me poupei.

Nessas eleições sabe o que eu tenho buscado? Estar com os amigos o máximo de tempo que eu posso. Estar mais conectado com a minha família. Fazer exercícios regulares. Ouvir música que eu amo. Ler muito. Beijar a boca da minha linda.

De que iria adiantar eu me posicionar em cada discussão de bar e voltar pra casa destruído, sem esperança na humanidade?

Como eu vou conseguir ajudar as pessoas a refletir sobre esse momento – que é o cerne do meu trabalho – se eu estiver totalmente derrotado e abalado pelas circunstâncias

Agora, só entro em discussão que eu tenha certeza que não vai virar um campo de guerra.

Estar bem comigo mesmo é o meu ato revolucionário pra esse momento.

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EU SINTO O SAMBA NAS MINHAS VEIAS

POR RAFAEL OLIVEIRA

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Eu sinto o samba nas minhas veias
Nelas pulsam um sangue de bandido
Eu não quero ser é o cidadão de bem
Que grita e chama político de mito
Que na prática faz diferente da teoria
Lutando sempre por si e nunca pelo coletivo

Eu sou bandido com muito orgulho
Não defendo nenhum branco privilegiado
Não apoio traficante pra presidente
muito menos para o nosso senado
Não se faça de doido nem de cego
Eu falo do seu amigo Aécio o Noiado

Lógico que foi só uma brincadeira
Eu também to aqui brincando
Faço verso faço rima faço samba
E vou lhe dá uma aula rimando
Sou sambista e sou bandido
Mas não me junto com o Feliciano

Se cidadão de bem é ser igual
Ao Silas Malafaia e ao Datena
Eu prefiro um samba no Presídio
Pois lá eles já estão pagando à pena
Talvez Deus esteja mais alí
Do quê com Crivela fazendo cena

Preste atenção que o papo é reto
Sou malandro e tô na marginalidade
Então escute ou pegue essa visão
Pois luto por minha ancestralidade
Um povo que sofreu e apanhou
Lutando pelo óbvio que é a dignidade

Se bandido é bater de frente
Com quem lucrou com a escravidão
Então pode me chamar pra essa roda
Que vai ter Samba e muito feijão
Pois o crime maior é se calar
Diante de piada sem noção

Ser Bandido é andar ao lado do povo
Como faz Leci e Zeca Pagodinho
É ensinar o que é humildade e amor
Como faz Arlindo pra o Arlindinho
É tocar o coração com a viola
Iguazinho ao o mestre Paulinho

Cartola com sua bandidagem
Ensinou que o mundo é um moinho
Dona Ivone Lara mostrou minha raiz
Dizendo que vim de la pequenininho
Candeia deixou pra nosso povo
Um testamento bem esmiuçaduzinho

Noel Rosa também era bandido
E fez música respondendo a burguesia
“Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava
Dessa gente que cultiva hipocrisia”

Eu prefiro ser da bandidagem
É melhor que esse modelo de cidadão
Modelo esse atrasado e fracassado
Que não respeita o seu irmão
Diz que nossa luta é vitimismo
Mas não estudou a história da nação

O Samba sempre está enganjado
Com nossos problemas sociais
Bezerra Da Silva e suas músicas
Mostram que são bem atuais
O samba ta do lado do povo
Lutando sempre por direitos Iguais

Eu termino essa brincadeira
Tentando aflorar uma reflexão
Já que sou bandido e tenho meu lado
Quero saber qual é o seu irmão?
Se é ao lado desses Cidadãos de bem
Ou ta no samba batendo na palma da mão?

#rafaoliveirapotiguar

HOJE EU JOGUEI SUA ESCOVA FORA

POR FÁBIO CHAP

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Hoje eu joguei a sua escova fora. Não dava mais pra te guardar. Todo dia eu era obrigado a ficar de frente pras lembranças da gente. Todo dia eu limpava meus dentes enquanto sujava meu coração. Lembra a bundada que eu te dava pra conseguir mais espaço na pia? E a gente ria… E ria!

Eu não quero aqui pensar com quem você está ou quem tá prestes a amar. Meu peito não aguentaria te ver na fila do mercado comprando nosso suco de uva pra outro. Ou nosso vinho chileno pra outros.

Hoje eu joguei a sua escova fora porque sempre chega a hora da gente seguir em frente. Faz tanto tempo, mas até ontem eu tava andando meio de lado. Quase que pra trás. Não dá mais pra te pensar dia-e-noite.

Lembra daquele dia em que a gente caiu na piscina? Você me empurrou, mas eu rápido que sou, peguei no seu braço e te levei junto. Você riu, eu gargalhei. Ali eu era um rei. O cara mais feliz do mundo. Um homem realizado até último fio de cabelo. Como era lindo o seu cabelo na hora que a gente rolava na cama.

Mas isso é passado. Hoje não tem piscina, não tem temaki, não tem edredom. Hoje não tem sua cama, minha pia, minha varanda. Era lá que nosso corpo fazia samba e heavy metal, até valsa. Era lá que a minha calça descia ao chão e a tua calcinha ia pro lado. Nosso pecado era forte. Era fundo. Era tudo.

Caralho! Que pensamento idiota. Eu não queria escrever isso. Porque escrever isso é lembrar disso. E eu não posso. Joguei a sua escova fora exatamente pra que, a partir de agora, você seja só história, não mais desejo.

Meu medo é falar da boca pra fora. Porque essa dor tá pegando é do peito pra dentro. Ai! Quem me dera sair nas ruas e ver graça nos sorvetes, nas crianças, no sol que hoje tá tão bonito. Mas eu só sei prestar atenção nos casais de mãos dadas. E pensar – sufocado de angústia – que não estou mais num desses pares românticos que se beijam nas esquinas e na porta dos restaurantes.

Agora nós dois somos isso; ou seja: mais nada. Vou ter que aprender a lidar. Esse sou eu: um ateu que, olhando pro céu, anda pedindo favores com os joelhos no chão. Um ateu que se pega pedindo a Deus pra aprender a lidar com a sua falta, com as suas costas, com o seu adeus.

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NÃO FAÇA PIADA, NEM XINGUE UM ELEITOR DE BOLSONARO

POR FÁBIO CHAP

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Não faça piada, nem xingue um eleitor de Bolsonaro.

“Não sei quem é mais animal. Bolsonaro ou quem vota nele”

“Eleitor de Bolsonaro parece barata. Desculpa, não quis ofender as baratas, viu?”

Esse tipo de frase serve apenas pra alimentar o ego de quem as posta. Sabe o efeito prático disso? Ne-nhum. Aliás, o efeito prático é afastar de você os eleitores dele.

“Meu querido, é exatamente o que eu quero. Essa gente longe de mim. Minha saúde mental vem em primeiro lugar.”

Sabe o que acontece quando um eleitor de Jair se afasta de pessoas razoáveis? Ele se torna mais extremista ainda.

Não xingue um eleitor de Bolsonaro. Se tiver resistência emocional, seduza ele. Quem sabe ele entenda outros pontos de vista. Se não tiver essa força emocional, pelo menos não faça o desserviço de radicalizar ainda mais essas pessoas.

Vou te dar um exemplo bem fácil de entender a situação:

Sabe quando sua amiga/seu amigo começa a namorar alguém que você não gosta? Sabe, né? Agora me diz uma coisa. O que acontece se você começa a xingar o namorado/namorada dessa pessoa pra sua amiga/amigo?

Sua amiga/seu amigo vai se afastar de você e vai ficar cada vez mais sob influência da pessoa que você não gosta.

Com eleitor de Bolsonaro é a mesma coisa.

Me parece que quem fica xingando eleitor do cara não tá preocupado se ele vai ser eleito ou não. Tá mais preocupado em dar uma risadinha/ ficar bem na fita com os amigos do que fazer um esforço em nome de todos nós. Xingar seu familiar, seus amigos e desconhecido que votam no Jair só vai fazer essas pessoas estarem mais próximas das ideias dele e mais longe das suas.

Você tem que decidir se, nessa hora, seu papel é apagar o incêndio ou fazer piada das chamas.

Se prefere apagar, atraia esse eleitor pra boas conversas e bons debates. É difícil, eu sei bem, mas não é impossível. A maioria de quem está declarando voto nele não é porque tem uma fúria enorme dentro de si, mas porque acredita que alguém como ele pode mudar os rumos do país. As pessoas têm fetiche de autoritarismo. Adoram um mandão. E isso é muito diferente de terem corações carregados de ódio.

Mas, porém, contudo, entretanto, se você optar em fazer piada com o eleitor do cara, só não esqueça que, num cenário sem Lula, Jair Bolsonaro está em 1º lugar nas pesquisas.

Ele sendo eleito, vai ser tarde demais pra você se arrepender. Afinal, você decidiu fazer piada com gente que poderia até mudar de visão se você tivesse tido 10 minutos de paciência.

10 minutos de paciência.

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O CONTADOR VIU: O MECANISMO

POR FÁBIO CHAP

Recomendação para essa semana: assista a série brasileira ‘O Mecanismo’ que estreou na Netflix.

É uma série maravilhosa sobre a Lava Jato. O primeiro mérito da série é ter conseguido criar um suspense muito interessante numa história que a gente já sabe tudo o que acontece. Isso não é tão simples. As operações estão todas lá. A prisão do diretor da Petrobrás (Na série chamada de PetroBrasil). A prisão de vários donos de empreiteiras de uma vez só. A vaidade dos investigadores. Tá tudo nessa 1ª temporada.

O segundo mérito de ‘O Mecanismo’ é ter conseguido irritar petistas fanáticos. Isso já é mais simples. Basta fazer uma mínima crítica ao “Deus Lula” que os fiéis não perdoam.

O Selton Mello, para variar, tá brilhante. Na série ele é um delegado da Polícia Federativa (a série preferiu não chamar de Polícia Federal; imagino que para evitar processos). Um delegado absolutamente vidrado na Lava Jato. Em dado momento uma delegada mulher ocupa o lugar dele como responsável da Polícia pela operação. A atriz chama Carol Abras e a personagem dela é bem intensa. Sem a atuação dela, a operação teria parado lá no comecinho e ninguém teria ouvido falar nos escândalos de corrupção que a gente conhece.

Em dado momento da série, o personagem do Selton faz um paralelo entre a corrupção que vai dos mais altos cargos do congresso ao funcionário da prefeitura que tem que trocar um cano quebrado na sua rua. Para mim esse foi o momento ápice. Sem propina são 3 semanas para trocar um cano. Com propina, 1 dia.

No roteiro estão todos personagens políticos e empresariais dos últimos anos do Brasil. Os petistas mais fanáticos, como fizeram chilique e não assistiram a série até o final, não sabem que ‘Sérgio Moro’ vai ficando cada vez mais vaidoso. Que os procuradores vão ficar ultra-vaidosos. Não sabem que a série dá uma tirada em ‘Kim Kataguiri’. Não sabem que ‘Michel Temer’ e ‘Aécio Neves’ são retratados como uns baita sem noção e golpistas. Também não fazem ideia de que existe uma crítica contundente à revista Veja.

Mas, ao mesmo tempo, a série também é bastante crítica ao Lula e à Dilma. Incrível a semelhança da atriz que faz a presidenta Janete Ruskov com a ex-presidenta Dilma Roussef. Principalmente na hora em que ela e ‘Lula’ saem na capa da revista ‘Leia’; uma paródia com a revista Veja.

Para você ter uma noção, a crítica tá tão honesta que vi num post um petista acusando Selton Mello de ter o pau pequeno. É sério! Disse que isso é um ‘boato forte entre as atrizes da Globo’.

Bom, se o diretor José Padilha queria fazer barulho no meio militante, ele conseguiu. Agora resta saber como a série vai ser recebida pelas pessoas normais que trabalham de segunda à sexta e não têm tempo de dedicar a vida a defender o “Deus Lula”. Nem têm interesse em boicotar a Netflix porque ela decidiu tocar nesse assunto (sim, tem um movimento de 13 gatos pingados propondo o cancelamento da assinatura da Netflix).

O Mecanismo foi uma baita bola dentro. Série brasileira de alta qualidade na Netflix é algo muito especial. Selton Mello – meu ator favorito há muitos anos – quebrando tudo. Além de tudo isso, conseguiram uma baita série polêmica.

Finalizo esse post com essa pérola da série:

– Fez merda, né? Vamo comigo que a gente vai desfazer essa merda!

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