“ASSIM, SE DEU OS PRIMEIROS VENTOS”

As primeiras investidas das indústrias dos ventos e suas contribuições sociais de efêmero impacto sobre comunidades da região do Mato Grande/RN.

POR PAULO CÉSAR MARTINIANO
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

#VocêNoContador – Um artigo de um leitor nosso foi enviado e nós compartilhamos agora com vocês. O texto está fragmentado, mas a íntegra de todo o artigo está logo abaixo da matéria e aqui (artigo-investida-das-eolicas-no-MG).

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Sou acadêmico na área de tecnologias em energias renováveis. Simpatizo muito por tudo que seja pertinente à área, sobretudo, as ações estudos e pesquisas que tendem a contribuir para o desenvolvimento sustentável, gerando benefícios tanto para com o lado econômico e ambiental, como também leve em consideração o lado social (ou sociocultural).

Nesta leitura farei uma abordagem de como se deu as investidas das usinas eólicas, especificamente, na região do Mato Grande/RN (MG), para que você tome ciência de como se originou o processo de implantação desses parques, tomando como temática principal o contexto de alguns impactos sociais.

Ressalto que os relatos contidos neste material foram retirados da pesquisa realizada e divulgada no 36º encontro anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS).

A região do Mato Grande teve nos seus últimos quatro anos uma ascensão significativa no número de construção e implantação de parques e usinas eólicas, que teria como perspectiva o desenvolvimento regional em diversos âmbitos. Das dezenove cidades do estado beneficiadas pela implantação desses parques, oito municípios se encontram na região do Mato Grande.

Cabe salientar que IDH médio do território “matograndense” é de 0,555 enquanto a média do estado é 0,684 e do país 0,733 (IBGE, 2010). É, portanto, uma das áreas mais pobres do Rio Grande do Norte e possui um nível de organização social muito incipiente. Havendo assim, a necessidade de medidas cautelares para com quaisquer questões e decisões que sejam inerentes ao contexto atual – sobre o setor eólico – antes do processo de tomada de decisão final.

Continuando,

Através dessa ascensão de empresas eólicas, denominadas “a indústria dos ventos”, tem-se a problemática dos impactos positivos e negativos nas comunidades vigentes. Logo, cria-se uma demanda por serviços e ações que almejem contribuir para uma estabilidade socioambiental, que circunda nas comunidades e municípios em que as usinas encontram-se em atividades. Mas será que elas foram eficazes? Realmente trouxeram benefícios? Tivemos mais impactos positivos do que negativos?

Nas primeiras experiências que se tem sobre o inicio das implantações das usinas na região, já podemos identificar fragilidades com as quais as mesmas foram iniciadas.

Provenientes da busca de fontes alternativas de energia e da eminência de uma crise energética mundial, a chegada das usinas se deu por volta do ano 2000, na cidade de Rio do Fogo, na comunidade de Zumbi. Era algo novo, havia diversos questionamentos e poucas respostas. Apesar de vir com uma ideia de fomentar as fontes de energias alternativas – as novas tendências tecnológicas – contribuindo para matriz energética em que prevalece a energia advinda das hidrelétricas, as primeiras instalações de usinas não se deram, apenas e unicamente, por fatores de cunho cientifico – estudos e pesquisas – sobre a determinada área de implantação. Muitas vezes eram movidos pelos “requisitos tributários”, valores monetários. A cidade que cobrasse a menor taxa de imposto (ISS) a ser paga, é pra lá que iria o investimento, em que pese, independente para qual cidade fosse os fatores técnicos e geográficos seriam favoráveis.

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Eram projetos incipientes e propostas bastante simpáticas, que viria a se tornar motivos de intensos conflitos. As empresas ficaram incumbidas de Informar e esclarecer a população local sobre as principais características do projeto, as atividades a serem desenvolvidas nas diferentes etapas de implantação, as medidas de segurança a serem adotados, os impactos adversos e os benefícios decorrentes da implantação do parque para o Rio Grande do Norte. (…)

Na pratica vemos constantes episódios de indignação da população vigente dessas prefeituras, que tomam ciência de valores que são destinados aos cofres municipais e que não se veem melhorias na mesma “proporção”.  Assim, voltamos aquele clima de tensão e conflitos entre morador, órgão publica e empresas.

Podemos ver que o processo de implantações de usinas eólicas no mato grande já teve seu inicio marcado por diversas fragilidades. Iminentemente há dinâmicas desencadeadas pela investida das empresas eólicas em terras de reforma agrária, as quais predominam na região do MG. Fatores como Interesses de grupos econômicos; apoio do Estado frente a sujeição do outro; histórias continuas de exclusão; Geração de problemas sociais, Rendas centralizadas pelos principais latinfudiarios. Todos estes contrubiem para os problemas que “o que os bons ventos trazem”.

Mas também devemos levar em consideração outro fator. Negligenciadas pelas Ciências Sociais. A maior parte dos trabalhos acadêmicos sobre energia eólica se limita a analisar seu potencial em relação a outras fontes de energia ficando secundarizado os aspectos sociais e culturais. Logo, torna-se eminente à necessidade de estudos mais específicos voltados aos impactos oriundos dessas investidas.

Se analisarmos o cenário atual com o de outrora, veremos que ainda há indícios de problemas semelhantes, e que ainda necessitam de ações e projetos mais contundentes, de acompanhamento por instituições e órgãos específicos sobre esses impactos. Talvez assim, poderá iniciar um processo mais dinâmico e que tendam, realmente, ser conivente e favorecer tanto o meio ambiente quando também a sociedade. No mais, caso contrário, continuaremos “remando contra o vento”.

CONFIRA A ÍNTEGRA DO ARTIGO: artigo-investida-das-eolicas-no-MG

REFERÊNCIAS:

PRIMEIRO CASO DE MICROCEFALIA EM GOSTOSO NÃO ESTÁ CONFIRMADO, DIZ SECRETARIO DE SAÚDE

Primeiro caso seria no distrito de Santa Fé, Secretário de Saúde apesar de não descartar a hipótese disse que ainda não confirma.

POR AILTON RODRIGUES
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

Microcefalia é considerada epidemia no país.

Depois de muita especulação nas redes sociais essa semana sobre o primeiro caso de microcefalia no município de São Miguel do Gostoso, que teria acontecido no distrito de Santa Fé, o Secretário de Saúde, Erivan Felix, deu uma declaração ao Contador informando que o ocorrido não está confirmado.

De acordo com o secretário na visita feita a mãe e ao bebê junto com o representante da Secretaria Estadual da Saúde foi detectado que não há indícios que comprovem a microcefalia e que a pequenez da criança poderia ser justificada por uma pré-disposição genética dos pais, que também são de baixa estatura, no entanto ele não descartou a hipótese. Os nomes da mãe e do bebê não foram divulgados.

SOBRE A MICROCEFALIA NO ESTADO

O Rio Grande do Norte é o estado com maior número de mortes de bebês com microcefalia no Brasil. Os dados divulgados nesta terça-feira (8) pelo Ministério da Saúde mostram que o RN teve sete óbitos de recém-nascidos com malformação na cabeça e suspeita de infecção pelo vírus Zika. Os casos ainda estão em investigação para confirmar a causa das mortes.

O Ministério da Saúde registrou 106 casos suspeitos de microcefalia no Rio Grande do Norte até 5 de dezembro. O estado é o quarto em casos suspeitos, atrás de Pernambuco (804), Paraíba (316) e Bahia (180). O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria, decretou situação de emergência por causa do aumento no número de casos no estado.

No total, o Ministério da Saúde identificou 1.761 casos suspeitos de microcefalia em 422 municípios de 14 unidades da federação.

O QUE ESTÁ SENDO FEITO?

A circunferência da cabeça do bebê deve ser maior de 33 cm.

Desde o dia 7 de dezembro, o Ministério da Saúde passou a adotar, em consonância com as secretarias estaduais e municipais de Saúde, a medida padrão da Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 32 centímetros, para a triagem de bebês suspeitos de microcefalia. Até então, a medida utilizada pelo Ministério era de 33 centímetros. A iniciativa teve como objetivo incluir um número maior de bebês na investigação, visando uma melhor compreensão da situação.

O ministério também esclarece que o perímetro cefálico (PC) varia conforme a idade gestacional do bebê. Assim, na maioria das crianças que nascem após nove meses de gestação, o crânio com 33 cm de diâmetro é considerado normal para a população brasileira, podendo haver alguma variação para menos, dependendo das características étnicas e genéticas da população.

 FONTE: G1.

O Contador continua de olho nas notícias que movimentam o município.