ERA SÓ MAIS UM CHOPE

POR RAFAEL OLIVEIRA

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Era mais um chope como outro qualquer, uma sexta feira como outra qualquer, só mais uma noite como outra qualquer. Já estava entediado com os bêbados da mesa ao lado falando sobre seus respectivos times de futebol. Infelizmente essas situações me incomodavam, enquanto o governo aprovava projetos que tiraram a mínima dignidade que nós pobres tínhamos, esses asnos discutiam futebol.

Parecia que nada salvaria aquela noite tediosa, pedi a conta e duas garrafas de vinho pra levar pra casa, a companhia dos meus livros e a coletânea de Cartola salvaria. Foi daí que senti um chute em meu calcanhar e ao olhar pra quem me chutava vi uma moça no chão junto das garrafas de cerveja da mesa ao lado, aquelas pernas longas cruzadas acabará de tropeçar em meus pés e a culpa com certeza era minha, nunca seria daquele monumento.

Estendi a mão pedindo desculpas e esperei um belo tapa na cara por tamanho constrangimento, mas a delicadeza e humildade estava enraizada naquela mulher e com os olhos de tigresa ela me perdoou com um simples piscar. Então à levantei do chão e tentei prestar toda assistência devida, mas quem passava constrangimento era eu em fixar meus olhos naquele decote de sua blusa e nos babados que terminava em seu umbigo, foi daí que ela me perguntou se eu iria ficar olhando ou se iria buscar uma toalha pra ela se enxugar. Minhas pernas não obedeciam, estavam fincadas da mesma forma que a voz dela em minha mente. O garçom trouxe a toalha e eu me ofereci a passar em suas costas, onde ela não conseguia com seus braços.

Depois de todo esse acidente, passamos um bom tempo conversando e a cada dez minutos eu pedia desculpas só pra ouvir e ver aquela boca falar que não precisava pedir desculpa.

Já era madrugada e notava que sua blusa não secava de forma alguma, então sugeri que fôssemos para minha residência e lá daria uma camiseta minha, pois estava fazendo frio e a blusa molhada iria resfriar seu corpo, ela educadamente aceitou a proposta. Levei minhas taças de vinho e andamos um quilômetro até chegar, ela escolheu a camiseta que eu mais gostava pra usar e isso me deixou mais apaixonado, foi tipo: Amor a primeira camisa.

Conversamos bastante, lembro que seu cachorro se chamava Marvel, que seu poeta favorito era Sérgio Vaz (aí já tava apaixonado mesmo não fazia mais diferença) e seu gosto musical era do samba ao rock. Já eram três horas da madrugada quando seus bocejos começaram a ser frequentes e os meus olhos também já ardiam de sono quando de repente solto a taça que se quebrou totalmente no chão, pedi novamente desculpas, mas ela já estava em prantos de tanto rir da minha cara de susto e sono.

Sua gargalhada era tão gostosa de ouvir que parei em frente à ela e esperei acabar, perguntei se ela ainda tinha fôlego pra respirar, ela não entendeu então tive que explicar através de um beijo com gosto de vinho, cerveja e álcool, que só veio terminar com os dois nús em minha cama e cada um passou ocupar a língua com outros órgãos.

E o que era só mais uma noite qualquer, foi o início de um amor. Onde não existe dúvidas do que um sente pelo outro, mas até hoje debatemos se aquela blusa era de crochê ou tricô.

Fim.

Autor: Ailton Rodrigues

Técnico em Informática (IFRN), que adora esportes e jornalismo, estando sempre disponível para bons papos. Coordenador de Comunicação do clube de futebol TEC (Tabua Esporte Clube), membro do Conselho do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC), comunicador da Mostra de Cinema de Gostoso. Atualmente aluno de Licenciatura em Pedagogia (UFRN).