VAI LÁ E FAZ AMIZADE COM A DOR

POR FÁBIO CHAP

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A vida nos aperta pelo pescoço. Ameaça nos devorar e engolir em cada sonho mais ousado. ‘Se ponha no seu lugar’, diz a vida. E pra que a gente não dê passos a mais, ela nos afoga.

Minutos sem respirar. Dias sem respirar. Anos sem respirar. Mais mortos do que vivos, aguentamos. Prendemos a respiração e encaramos a porra toda. Dá medo, mas a gente abre mais uma porta e dá mais um passo. Uma porta, um novo passo. Outra porta, mais um novo caminho todo.

O boleto nos preocupa, o amor nos preocupa, a família nos preocupa, a política, então… Mas em meio a todo o caos, eu existo. É preciso que eu me preocupe, também, comigo. Nessa gigantesca jornada, existe você, é preciso que você se preocupe, também, com você.

Não podemos nos anular em nome de boleto, do amor ou da família. Se não dá pra gente saber nosso lugar no mundo, pelo menos dá pra gente saber nosso lugar na nossa própria vida. E não esquecer que ela – a tal vida – aperta o pescoço mesmo. Não se deixe morrer, há muito pra viver, então vai lá e faz amizade com a dor.

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5ºDIA DE ROCK IN RIO TEVE “SUNSET NORDESTINO” E BON JOVI PARA MULTIDÃO

Show do headliner foi o que atraiu mais público; parceria de Ney Matogrosso e Nação Zumbi dividiu opiniões.

POR LUCAS BRÊDA
DO SITE ROLLING STONE

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Bon Jovi mostrou muito equilíbrio na escolha do setlist, mas público ficou sem ‘Always’.

O segundo fim de semana do Rock in Rio segue intenso – nesta sexta, 22, o festival teve um dos dias mais cheios até agora. O público chegou cedo (especialmente em comparação ao dia anterior, quinta-feira) e ficou até os fogos anunciarem que, para a tristeza geral, o Bon Jovi não voltaria para um segundo bis.

A montanha-russa voltou a funcionar, a tirolesa continuou a todo vapor e o dia ensolarado ajudou o ambiente. O Baiana System, uma das atrações mais urgentes e interessantes de todo o Rock in Rio, carregou uma multidão logo cedo, depois das 16h, para o palco Sunset. A energia da apresentação foi tanta que nem parecia dia – e nem palco Sunset.

O palco secundário do festival, aliás, hoje era temático do Nordeste. Depois do furacão Baiana System, O Grande Encontro reuniu Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo para uma visita bem guiada aos hits “folk” da música nordestina. Foi um estardalhaço incomum para o festival, com menção ao ausente Zé Ramalho, “fora, Temer” e discurso de Valença. Já o encontro pouco entrosado – se não decepcionante, devido à grande espera – de Ney Matogrosso e Nação Zumbi não foi tão animado, ainda que tenha mantido o espaço interessante pelo ineditismo.

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Ney Matogrosso e Nação Zumbi no Palco Sunset.

O palco Mundo foi do pop rock e do classic rock mais reconhecível. Primeiro, o Jota Quest emendou covers de Lulu Santos e Roberto Carlos em um repertório que deveu às antigas (e mais funkeadas) e abraçou as baladas (e singles recentes). Ainda teve o rock genérico do Alter Bridge antes de um show bastante digno do Tears For Fears, que mostrou ter hits de sobra em uma apresentação calcada na performance de palco, com direito a uma cover de “Creep” (Radiohead).

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Jota Quest incendiou o Palco Mundo com pedidos de paz.

O Bon Jovi fez certamente o show mais cheio do palco Mundo até agora. Em comparação com o headliner do dia anterior, o Aerosmith, contudo, não foi o mais celebrado. O volume assustador de gente deu tons épicos a hits máximos como “It’s My Life” e “Livin On a Prayer”, mas o miolo do set list não segurou tanto o gás quanto a banda de Steven Tyler. Ao fim, o público não arredou o pé pedindo a esnobada “Always”, até se conformar que o show havia acabado sem a inclusão da faixa.

PANE NA MONTANHA-RUSSA E AEROSMITH PODEROSO MARCAM 4º DIA DE ROCK IN RIO

Dia ainda teve boas apresentações de Scalene, Fall Out Boy e Alice Cooper.

POR ANNA MOTA E LUCAS BRÊDA
DO SITE ROLLING STONE

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Aerosmith no RiR 2017

O Rock in Rio começou com um fim de semana pop, mas apostou em um line-up de classic rock para esta quinta-feira, 21. O público respondeu com camisetas de bandas, maquiagem pesada e muita animação, em uma tarde que, por estar no meio da semana, fez com que a Cidade do Rock demorasse mais que o normal para ficar cheia.

A menor movimentação não fez com que o dia fosse necessariamente mais tranquilo. Perto das 18h, a montanha-russa, uma das atrações mais procuradas pelo público, sofreu uma pane e deixou quatro pessoas presas durante 55 minutos. Com o incidente, que não deixou feridos, a organização decidiu fechar o brinquedo por tempo indeterminado.

O susto foi seguido pela grande chuva de fogos de artifício, anunciando o início das atrações no palco principal. Às 19h, o Scalene abriu a programação do Palco Mundo com um show sustentado em repertório próprio — e atual, já que lançou o disco mais recente, Magnetite, mês passado. A apresentação de qualidade provou o peso da produção musical contemporânea do país, com músicas como “Surreal” (de Real/Surreal, de 2013) e “Cartão Postal” (de Magnetite) sendo fortemente aplaudidas. Além do bom início de noite, o Scalene deixou a reflexão de que novas bandas podem (e devem) ter mais representatividade em festivais de peso como o Rock in Rio, afinal, a produção está a todo vapor. Só é necessário visibilidade.

Um pouco mais cedo, o palco Sunset já havia recebido o duo britânico The Kills. Em uma entrevista recente à Rolling Stone Brasil, o guitarrista Jamie Hince afirmou que “rock é atitude”. E foi isso que a apresentação dele ao lado de Alison Mosshart exalou. Com uma mescla de fases, a dupla trouxe riffs pesados do passado, como em “Kissy Kissy”, de Keep on Your Mean Side (2003), e elementos eletrônicos e dançantes do último disco, Ash & Ice (2016). Alison dominou o palco durante a uma hora de show, entregando uma performance enérgica e original.

No mesmo estilo caloroso seguiu o show de Alice Cooper, também no Sunset. O cantor, que completa 70 anos em 2018, comandou uma das horas mais intensas do festival, com um arsenal de recursos grotescos (como uma guilhotina, um boneco gigante do Frankenstein e uma câmara de gás) incrementando o rock pesado apresentado pela talentosa banda. “Poison” foi uma das canções mais vibradas, assim como “School’s Out”, que contou com a participação de Arthur Brown — que entrou ao som de um dos maiores sucessos dele, “Fire”. A apresentação, que ainda teve como surpresa uma entrada de Joe Perry, do Aerosmith (e colega de Cooper no projeto Hollywood Vampires), terminou com uma aclamada e breve cover de “Another Brick in the Wall”, do Pink Floyd, e com Cooper desejando “pesadelos maravilhosos” para a plateia.

Às 20h, o Fall Out Boy provou ter tamanho para o Palco Mundo com um catálogo da década passada, incluindo um final que teve “Thnks Fr Th Mmrs” e a surpreendente “Saturday”, não prevista no setlist. Também revigorou um dia dominado pelo passado distante e deu espaço para uma das vertentes menos respeitadas do rock, o emo, que passa por um revivalismo recente e merecia olhares mais atentos dos festivais brasileiros.

“Quantos ele tem mesmo?” “Nossa, ele ainda consegue cantar”, era o que mais se ouvia em torno do Parque Olímpico. A soma de um repertório clássico com o vigor de Steven Tyler, 69 anos, e seus companheiros foi o necessário para incensar a noite no Rio de Janeiro. Ainda mais depois de um morno show do Def Leppard, também no palco Mundo. Foi uma possível despedida do Aerosmith das terras brasileiras com tudo o que o público tinha direito (incluindo um momento épico com “I Don’t Wanna Miss a Thing” e uma cover de “Cone Together” , dos Beatles).

Nós continuamos de olho no RiR.

EM COMUNICADO, PREFEITURA DE SÃO MIGUEL DO GOSTOSO CANCELA FESTA TRADICIONAL

Anúncio foi realizado por meio de uma nota pública nesta sexta-feira (22) e se baseia na declaração de situação de emergência do estado.

POR AILTON RODRIGUES
NATAL/RN

Nesta sexta-feira (22) a prefeitura municipal de São Miguel do Gostoso emitiu uma nota pública cancelando a edição da festa tradicional que aconteceria no próximo dia 30 de setembro.

Segundo a nota, a razão para o cancelamento foi a decretação da situação de emergência que o governo do estado emitiu no último dia 18, aliás este será o sexto ano seguido que há esse tipo de decreto aqui no RN. Com isso, mais de 150 municípios foram notificados sobre a situação incluindo aí São Miguel do Gostoso.

Diante do exposto a prefeitura afirma que não irá se comprometer em realizar mais despesas para que não falte o básico em alguns setores. Um plano B foi buscar patrocinadores, mas também não surtiu efeito. Será a primeira vez na história do município que a festa tradicional não acontecerá, dentre as atrações programadas estava o cantor Louro Santos.

Veja abaixo o comunicado na íntegra:

comunicado oficial prefeitura smg

O Contador vai continuar de olho. Até qualquer hora!