JOVENS DE GOSTOSO REPRESENTAM MUNICÍPIO NA 3ª CONFERÊNCIA ESTADUAL DE JUVENTUDE

A Conferência ocorreu nesse fim de semana (14 e 15 de novembro) e deixou representantes de São Miguel e do Mato Grande insatisfeitos com a política desenvolvida no encontro

POR AUXILIADORA RIBEIRO – SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

A Conferência Estadual de Juventude realizada em Natal, na Universidade Federal do RN – UFRN nos dias 14 e 15 de novembro, reuniu representantes (delegados) dos territórios potiguares eleitos nas conferências municipais e territoriais.

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Galera de Gostoso

Com o tema “As Várias Formas de Mudar o RN” a 3ª Conferência teve por objetivo debater políticas públicas para a juventude do estado em todas as áreas sociais, bem como selecionar as propostas, que foram debatidas e sugeridas nos grupos temáticos, para a Conferência Nacional de Juventude que ocorrerá em Brasília/DF de 16 a 19 de dezembro deste ano.

Foi uma delegação de 37 delegados(as) do Mato Grande, sendo 31 da Sociedade Civil e 6 do Poder Público. Seis delegados de São Miguel  participaram do encontro, dos quais Cinthia Matos e Francisco dos Anjos representando o poder público e, Auxiliadora Ribeiro, Maria Katiana, João Eldes e Mateus Eduardo representando a sociedade civil.

A Secretária Estadual de Juventude Divaneide Basílio, deixou sua opinião para O Contador sobre o encontro:

Essa conferência é um marco para a juventude Potiguar. Nós estamos na 3ª Conferência Estadual de Juventude, e temos pela primeira vez uma Secretaria de Estado de Juventude.  As propostas aqui aprovadas vão constituir nosso Plano Estadual de Juventude e isso tudo vai construir a Política do Estado sobre Juventude. Acredito que ter um plano, ter um estatuto que a gente consiga fazer a regulamentação, o acompanhamento no Estado, vai nos dar possibilidades de que a juventude seja inserida nas políticas públicas.

Além do que, acho que foi um momento de trazer a juventude de todos os territórios, um momento também de confraternização muito bonito que foi a Cultural da Conferência, onde participaram quatro grupos locais. A Conferência como um todo teve momentos lúdicos, de confraternização, de relaxamento e de muito debate. O DEBATE DOS GRUPOS FOI REALMENTE O MOMENTO MAIS IMPORTANTE, porque foi lá nos grupos onde a juventude pode debater as políticas públicas.  

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Galera do Mato Grande com a Secretária Estadual de Juventude

Participei como delegada pela sociedade civil representando o nosso município, e particularmente volto um tanto decepcionada com a Conferência. O momento que deveria ser o mais importante não foi de forma alguma!

O debate sobre os eixos temáticos foi deixado em “escanteio” devido ao atraso dos ônibus responsáveis por trazer os delegados para o evento, que foram disponibilizados pela Secretaria Estadual de Juventude do RN – SEJURN, bem como, pelo longo conflito em relação ao regimento interno no que diz respeito a eleição de delegados para a Conferência Nacional. A desorganização da comissão para administrar tudo isso era notável.

INFELIZMENTE, a insatisfação se estende também a alguns representantes da delegação do Mato Grande. Diego Maradona, delegado de Caiçara do Norte expõe sua visão:

Avalio essa experiência de participação na Conferência como um momento bom, em relação a ter conhecido novas pessoas. Ficamos bem hospedados e foi até um pouco produtivo que eu pude aprender algumas coisas. Mas, pontos negativos foram vários. Por exemplo, a organização foi muito falha em questão de transporte, e do evento em si. Na hora das discussões teve muito grita, grita, ninguém conseguia entender o que o outro falava, e não tinha um consenso da comissão para fazer uma mediação.

Toda a programação foi refeita, e os grupos de debates que eram para ser no 1º dia ficou para o segundo. O tempo para se debater foi muito restrito, acarretando no enorme atraso da programação e, como consequência, os participantes tiveram que ir embora antes que o resultado dos delegados eleitos para participar da Conferência Nacional fosse divulgado, o que não é recomendável.

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Galera de Gostoso com a Secretária Estadual  e o Secretário Nacional de Juventude

A impressão que tive foi de que o interesse maior da maioria das juventudes ali presentes era de ir para Brasília e não de discutir e propor políticas públicas para a juventude.

O fato é que não houve espaço democrático pleno para um debate que não pode ser feito em duas ou três horas. Afinal, a Conferência de Juventude não acontece todo mês, nem todo ano, portanto, o momento de se discutir propostas de ações para os jovens não poderia ser em hipótese alguma um momento agoniado, as pressas.

Além do que, o regimento interno estava muito burocrático, confuso e seletivo, visto que, não contemplava de forma proporcional todas as múltiplas formas de juventude: negros, brancos, quilombolas, matriz africana, indígena, LGBT’s, os diversos territórios do estado, enfim, muito difícil, o que gerou conflitos.

Ao todo, são 20 delegados do estado que irão para a nacional, sendo 16 da sociedade civil e 4 do poder público. O Mato Grande se articulou e juntos conseguimos eleger 5 delegados, com ajuda das cotas, representantes dos segmentos de juventude indígena, rural e LGBT, dentre os quais, Maria Katiana, do nosso querido São Miguel do Gostoso.

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Reunião do território

Nossa delegada, de 28 anos, que registrou a selfie, deixa seu recado:

Sou mulher jovem rural do assentamento Arizona/São Miguel do Gostoso – RN. A Conferência trouxe um processo muito bacana de organização das juventudes do nosso estado para trazer essa expressividade e o RN perceber que a juventude rural, da cidade, quilombola, LGBT, indígena, negra, está organizada.

No entanto, como pontos negativos, acho que a metodologia utilizada pela comissão organizadora, impossibilitou um processo mais lúdico, cultural, integrador, pois houve uma desorganização. O que nos pareceu que não compreenderam o processo de construir uma Conferência de forma democrática e participativa e fez com que tivéssemos muitas dificuldades, como a falta de esclarecimento e de compreensão da própria comissão sobre o regimento interno. Isso dificultou o debate, criou alguns conflitos, mas acho que isso é um processo de aprendizagem, no entanto, para uma equipe de 46 membros deixou muito a desejar.

O processo coletivo ele representa a liberdade de expressão, entretanto, tem conflitos de pensamentos e acaba que isso dificulta o desenvolvimento de tal coisa, mas ele é necessário para a transformação das formas de organização que temos atualmente.

 Mas, também tivemos pontos positivos, acho que nosso território Mato Grande sai bem mais articulado dessa conferência, e eu acredito que a partir daqui a gente vai cada vez mais articular o território, os municípios, fazendo com que cada município tenha uma organização da juventude, articulando poder público e sociedade civil, o que importa é que tenhamos as juventudes organizadas, lutando pelos direitos do jovem da cidade e do campo. No mais, foi bom, sensacional participar desse processo. Sempre é bom construir políticas públicas para melhorar a vida das juventudes.

Cinthia Matos, que representou o poder público comenta:

Experiências participativas sempre contribuem para uma política mais democrática, a exemplo da Conferência, contudo, alguns procedimentos metodológicos travaram muito o processo e acabou por reduzir o propósito principal que é debater política pública para a juventude.

Apesar de não ter sido aquilo que esperava, entendo que a 3ª Conferência Estadual de Juventude foi um processo muito importante de participação e organização das juventudes na construção de políticas públicas para nossos municípios e para nosso estado e, espera-se com isso qualidade de vida, e vida plena.

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Toda a galera encerrando o encontro

A juventude se mostrou guerreira, e provou nessas experiências de Conferências Municipais, Territoriais e Estadual que o que falam sobre o jovem não é sério. A juventude provou que é ativa e sabe o que quer. Ela está sim ousando lutar para construir um poder popular.

E, em meio a desolação, ainda tive inspiração para criar um texto sobre a juventude:

Juventude? Futuro do Brasil? Não!!! O futuro é agora, é hoje, e são as mãos da juventude que vai tecer essa trama como protagonistas. “O que falam sobre o jovem não é sério, a juventude tem que ser levada a sério.” Ela está preparada para lutar, lutar para mudar o lugar onde estar. O jovem precisa de espaço para falar, para propor e construir junto, políticas públicas de participação, inclusão, igualdade, justiça social. E para isso, é preciso acreditar, mesmo sendo difícil, é preciso acreditar, nós podemos construir um poder com os jovens, podemos construir um RN, um Brasil melhor…  

O Contador está junto com a juventude e sempre de olho nas novidades importantes!

Até logo!

Confira as Propostas de políticas públicas da 3ª Conferência Estadual de Juventude que vão para a Conferência Nacional e que servirão para a construção do Plano Estadual de Juventude.

Mais fotos…

 

Autor: Auxiliadora Ribeiro

Técnica em Administração pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte - IFRN; Bacharelanda em Direito pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte; membro da trupe teatral "Café com Leite".

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