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O NUDE VAZOU

POR FÁBIO CHAP

O nude vazou: do homem julgam a anatomia. Da mulher, o caráter. Você já reparou a diferença de tratamento?

Cai a mina da faculdade: a puta, a fácil, a que só vai chegar em algum lugar na vida se chupar o chefe.

Cai Léo Stronda, cai Tiago Iorc: os pirocudos, os 3 pernas.

Além da problemática de ser crime vazar o nude das pessoas, temos a diferença de tratamento de acordo com o gênero.

Eu sou da teoria de que em 10/20 anos todo mundo vai ter caído na internet. Meus nudes vão cair, os seus e os de todo mundo que já tirou um.

Seja por gente FDP que espalha o que a gente manda, seja por hackeamento, por roubo do celular, por mil motivos.

O caminho mais fácil e a gente naturalizar. Não adianta chegar pra uma sociedade inteira e falar: “NÃO VEJA O NUDE DA ANITTA.” ou “VOCÊ É HIPÓCRITA POR QUERER VER O NUDE DO TIAGO IORC.” – É mais fácil a gente não julgar o caráter da Anitta, assim como ninguém julgou o do Tiago Iorc.

A PRESSA EM CONQUISTAR A FELICIDADE É ILUSÃO

POR RAFAEL OLIVEIRA

Ele a observava de tal maneira que sua imaginação criava em seu mundo a mulher perfeita mesmo sabendo que não existia perfeição e sim aperfeiçoamento diários.

Aqueles passos apressados dela significava para ele, uma vontade de conquistar a felicidade, quem é a criatura nesse mundo que não tem pressa pra ser feliz né? Mas sem raciocinar com calma o caminho que está percorrendo poderia levá-la ao destino contrário.

Mesmo achando que era livre e independente seus sonhos e objetivos eram os mesmos de toda sociedade, por tanto fazia dela um ser comum como os outros, presa em uma busca implacável de se sentir feliz formando uma família e sendo útil trabalhando no que gostava.

As pessoas vivem nessa busca sem conseguir enxergar o caminho que se faz, os momentos de alegrias e realizações, amores e ilusões, dores e vivências transformado em experiência.

A felicidade é um sentimento que não lhe contempla por completo, fica sempre faltando algo, por isso é preciso aprender conviver com os momentos alegres, assim vão saber conviver com o vazio que muitas vezes vem nos visitar e chamamos de tristeza.

É esse Vazio que você tem que saber controlar, nem precisa conhecer o motivo dele está alí, mas você precisa saber que a pressa em conquistar a felicidade é ilusão, já que vai faltar algo, então não se cobre tanto. Aproveite os momentos alegres, esses serão eternos em nossa memória.

SOMOS TODOS RACISTAS (?)

POR RAFAEL OLIVEIRA

Nascer num país onde a sua estrutura é racista, é válido dizer que crescemos racistas.

Se, eu criança, brinquei com vários bonecos e não me lembro de ter bonecos pretos em minha coleção, então me foi imposto uma forma de racismo. Por ser criança e não ser preta, essa reflexão passou despercebida.

Programas infantis na tv apresentados só por pessoas brancas (Xuxa, Angélica, Eliana), desenhos e filmes de heróis brancos (soube do Pantera Negra adulto), princesas da Disney todas brancas (Branca de Neve, Cinderela, A bela e a fera, A bela adormecida…).

Ah! lembro-me de algo infantil que tinha duas pessoas pretas, o Sítio do Pica-Pau Amarelo, com o Saci (moleque preto, fumante, deficiente e que perturbava geral) e a Tia Nastácia (senhora preta que sempre estava na beira do fogão servindo aos brancos).

Uma das estruturas do racismo está nessas situações que citei, onde se naturalizar o ser branco como personagem em nossas vidas e por sermos crianças não refletimos e nem questionamos onde estavam os pretos que não podia ser heróis, príncipes e princesas no imaginário infantil.

Saindo do mundo imaginário infantil e entrando no real, mas não menos racista, permanecemos imóveis e intactos em não questionar essa estrutura.

Se no Brasil existe mais pretos do que brancos, o comum seria que os pretos ocupasse mais postos de empregos e que em todas as profissões os pretos fossem maioria né?

Pergunto a ti: médicos, juízes, advogados, engenheiros, professores, empresários, arquitetos em sua maioria são brancos ou pretos?

O que vemos, porem, é totalmente diferente. Os pretos ocupam, em sua maioria, as filas de desempregados e as profissões onde se tem a mão de obra mais barata desse sistema capitalista.

Portanto, se eu não questiono e nem vejo que isso é uma estrutura racista, criada desde a colonização e continuou preservada após a liberdade dos escravizados com a vinda dos imigrantes brancos e prefiro a neutralidade do que defender uma equidade para nosso povo, eu sou racista sim.

Racismo é um assunto fácil de entender e ao mesmo tempo complexo de explicar. Sugiro que leia, principalmente, autores negros. Não quero dizer que os brancos não entendem, mas é que eles não sentem ou sentiram na pele.

Saber da história do nosso país (contado por quem leva esse país nas costas, o preto), ter empatia, questionar e não aceitar a forma de opressão estrutural do sistema capitalista com o preto é um passo pra você dizer que não é racista, depois disso, o próximo nível é ser anti racista.

CONTOS: ONTEM MORREU MAIS UM POBRE

POR RAFAEL OLIVEIRA

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Ontem dona Ivonete matou mais um pobre, socialite do RJ, faz 3 anos que botou Helena pra trabalhar na casa dela como empregada. Ontem Helena fez 16 anos e humildemente pediu pra Dona Ivonete assinar sua carteira de trabalho, pois onde mora uma carteira de trabalho assinada é vencer na vida.

A Ivonete mandou ela ir embora sem direito algum e ainda reclamou da “ousadia” da menina. A arquiteta Lúcia também mata todos os dias, 54 anos, recebe R$ 33,7 mil de pensão na condição de “filha solteira maior” de um ex-ministro morto. Ela diz que o povo é cheio de mimimi com esse papo de vitimismo racial mas quem quer vencer na vida tem que fazer por merecer!

Na verdade essas pessoas matam diariamente gente pobre e preta ou preta e pobre. Não entendeu? Pra essa gente dá no mesmo! Matam também o “ser” e o senso de justiça. Quer dizer, nunca tiveram. É assim desde colônia, elas pensam e agem como herdeiras de uma elite escravocrata acostumada com privilégios sem um mínimo de suor no rosto.

Ainda tem os cachorros raivosos vestidos de verde e amarelo defendendo uma falsa meritocracia, no qual não enxerga que isso é que mantém um sistema corrupto e cheio de vícios no nosso Brasil, vícios como sonegações fiscais. Mas quem luta por JUSTIÇA e EQUIDADE pra o povo nesse país, é chamado de comunista, por pessoas que não sabem nem o que é o comunismo.

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CONTOS (+18) – UM TESÃO MEU

POR FÁBIO CHAP

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Um medo meu:
A família Bolsonaro se estabelecer no poder por anos e anos enquanto a esquerda se auto-destrói.

Um sonho meu:
Ter 72 anos no Natal de 2059 e estar tomando um vinho com meus 5 filhos enquanto os 10 netos correm pela casa.

Um tesão meu:
Levar ela mais uma vez praquele beco escuro e botar ela pra engasgar enquanto olha com aquela cara linda pra mim.

Dinheiro é:
Fundamental e a gente deveria falar mais sobre ele. Deixamos pros bancos e pros investidores o assunto dinheiro. Então eles ficaram ricos e a gente, na ignorância, contando moeda.

A internet é:
O lugar onde as pessoas – primeiro – se encontraram e reencontraram. Passado um tempo, entraram em guerra porque descobriram que o outro pensa muito, muito diferente. Era pra internet ser um lugar melhor, mas pra isso precisamos ser humanos bem melhores do que essa merda agressiva que temos sido.

O beijo perfeito é:
Aquele em que a vontade é se fundir com a pessoa. Entrar no corpo, na alma e começar pela boca. Segurar o queixo e degustar cada centímetro de lábio. Provar cada gota da língua dela. Beijo bom é quando ela sente uma mão na nuca e um volume encaixando entre as pernas dela. Conforme o beijo avança, ela sente cada vez mais duro e a calcinha cada vez mais melada. É com a língua dançando na boca que começa toda a jornada. 🤤

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O Fábio Chap é um escritor que fala sobre arte, política e sexo! O Contador de Causos republica algumas das suas histórias!

CONTOS (+18) – QUEM DERA

POR FÁBIO CHAP

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Quem dera eu te esquecesse NUM GOLE.

Quem dera a sorte batesse à minha porta e fizessem essas tortas lembranças irem embora PRA SEMPRE.

Mas as lembranças não só ficam, como me caçam pela madrugada.

É lá, no meio do bar, que eu lembro da tua cintura e do teu cabelo. Da minha boca sufocada de prazer enquanto você rebolava nosso amor na minha língua.

Eu tento outros corpos e eles parecem tão mornos. Eu tento muitos copos e eles deixam muito claro que seu beijo era raro. Que seu corpo era meu encontro com o ápice da vida.

Minha cabeça tá toda invertida. Nos meus sonhos eu te fodo forte. Quando acordo, meu dia está todo fudido. Quando o sol nasce, fica claro o perigo de não te esquecer tão cedo.

Eu tenho medo de te amar pra sempre… Sem você presente.

 

O Fábio Chap é um escritor que fala sobre arte, política e sexo! O Contador de Causos republica algumas das suas histórias!