O CONTADOR VIU: COM AMOR, SIMON

Filme trata drama LGBT de maneira sutil, colocando o foco na relação familiar e o medo da rejeição pela sociedade. 

POR AILTON RODRIGUES

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Os amigos de Simon, quem nunca teve seus fiéis escudeiros?

De repente me vi, às 2h da manhã concluindo a experiência de ter assistido Com Amor, Simon. Apesar do meu inevitável atraso nos compromissos do dia seguinte (hahaha), fui dormir com um sentimento muito bom: assisti a uma excelente obra.

Baseado no livro Simon Vs. A Agenda Homo Sapiens, escrito por Beck Albertally, a trama do filme é muito agradável de ser assistida. Simon (Nick Robinson – Jurassic World), ao longo dos seus 17 anos carrega um dilema dentro de si: é homossexual e tem medo de se assumir, principalmente para sua família.

Todavia, o resumo acima pode até entregar que será um enredo clichê, mas o filme vai além disso, mostra simplesmente como é ser adolescente e ter aquele receio de ser julgado o tempo todo por outras pessoas. De como passar por essa fase é cheio de descobertas e medos.

O diretor Greg Berlanti (Raio Negro, Flash, Arrow, Supergirl, Riverdale, Legends Of Tomorrow) traz toda essa bagagem de séries para nos entregar um longa que conversa diretamente com este público juvenil, além disso, não só interage com o público LGBT, mas com todos. Cria-se então um ambiente onde não há personagens estereotipados, muito menos situações forçadas, tudo vai se enrolando e desenrolando de forma natural, como é de fato a adolescência.

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Simon é apenas um adolescente… Simples assim.

O ápice da emoção surge com o convívio familiar. Ao buscar se assumir para a família, Simon consegue perceber que pode contar com sua mãe Emily, que com a atuação firme de Jennifer Garner nos presenteia com uma cena forte e emblemática. Ela sabe que o filho terá que encarar preconceitos, mas permite que ele “deixe de se sentir sufocado e respire”. O pai Jack (Josh Duhamel), apesar de dar algumas bolas fora, também se mostra um aliado – vale destacar que a atuação de Duhamel deixa a desejar, mas não prejudica este laço construído por Garner.

 

“Eu sou gay… Mas continuo sendo eu aqui dentro” – Simon.

Não poderia terminar esta resenha/crítica sem falar dos amigos fiéis de Simon. Aqueles que sempre sentamos na sala de aula, que fazemos trabalhos escolares juntos. Esse núcleo nos proporciona viver uma roda gigante que vai do romance à comédia, dando umas pinceladas de drama. Leah (Katherine Lagford – 13 Reasons Why) é a amiga mais velha que visivelmente é apaixonada por Simon, Nick (Jorge Lendeborg Jr. – Homem Aranha: De Volta ao Lar) o parceirão que pratica esporte e Abby (Alexandra Shipp – X-Men: Apocalipse) a recém chegada ao grupo que não fala muito de si, mas é um amor.

“Você já se sentiu preso dentro de si mesmo?” – Simon.

A mensagem de Simon é tão singela que deveria ser praticada por todos: “todo mundo merece uma grande história de amor”. Apenas isso prova o óbvio que é a simplicidade de aceitar e respeitar a opção do outro.

Vale muito a pena assistir.

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COM AMOR, SIMON (2018)

  • Duração: 127 min
  • Gênero: Drama, Comédia.
  • Classificação: 12 anos.
  • Estreia no Brasil: 05 de abril de 2018.
  • Trailer:

Autor: Ailton Rodrigues

Técnico em Informática (IFRN), que adora esportes e jornalismo, estando sempre disponível para bons papos. Coordenador de Comunicação do clube de futebol TEC (Tabua Esporte Clube), membro do Conselho do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC), comunicador da Mostra de Cinema de Gostoso. Atualmente aluno de Licenciatura em Pedagogia (UFRN).