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O CONTADOR VIU: O AUTO DA COMPADECIDA

Obra que completa 20 anos em 2020 tem enredo atemporal e se reforça com a direção primorosa de Guel Arraes e atuações extraordinárias de grande elenco.

POR AILTON RODRIGUES

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Chicó e João Grilo são personagens icônicos do Auto da Compadecida.

A Rede Globo decidiu em 2020 reexibir uma série que fez um sucesso estrondoso em 1999 e adaptado para o cinema no ano seguinte, claro que estou falando do primor escrito por Ariano Suassuna em 1955 intitulado de ‘O Auto da Compadecida’. Na época a emissora exibia durante o período noturno e chegou a atingir um pico de 39 pontos de audiência.

Assisti novamente esta obra buscando um bom humor brasileiro e fui agraciado por lembranças generosas, além de me deparar com uma verdadeira obra de arte 100% brasileira.

Na trama passada no sertão nordestino, em uma cidade chamada Cabaceiras na Paraíba, nela dois homens para sobreviver se valem da esperteza. Esses protagonistas são nada mais, nada menos do que João Grilo (Mateus Nachtergaele) e Chicó (Selton Melo) que trazem frases emblemáticas que ficam no imaginário popular:

“Não sei, só sei que foi assim” – Chicó.

O elenco é formidável e dá suporte de luxo a Selton e Mateus, os personagens deles fazem uma série de enganações com figuras consagradas da TV brasileira como Marco Nanini, Diogo Vilela, Denise Fraga, Lima Duarte, Rogério Cardoso dentre outros que arrancam boas risadas.

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Fernanda Montenegro interpreta Nossa Senhora e Maurício Gonçalves faz Jesus Cristo

Com isso, vem o ato mais primoroso de toda o filme que é o julgamento da morte de João Grilo onde ele se encontra com Jesus Cristo (Maurício Gonçalves), o Diabo (Luís Melo) e a compadecida Nossa Senhora (Fernanda Montenegro). Com diálogos bem tramados e uma sequência que chega a emocionar faz com que o desfecho do clímax seja digno de uma das maiores obras brasileiras ao qual já tive o prazer de contemplar.

“A esperteza é a coragem do pobre” – Nossa Senhora Aparecida.

Indico a todos que já viram o filme, voltem a ver ou esperem pela série da Globo. Já os que ainda não viram (se é que tem alguém que não viu) deem uma oportunidade de assistir a um grande filme brasileiro.

Nós continuamos de olho.

 

COMO UM FLASH: ALLADIN

POR IASLAN NASCIMENTO

Nunca pensei que eu fosse gostar tanto desse filme, e o melhor o que eu achava que seria o grande problema na verdade o salvou: O gênio de Will Smith.

O filme tem alguns pontos muito bons que com todo certeza vai lhe trazer algumas indicações ao Oscar como figurino e trilha sonora. Ok, ok alguns de vocês podem pensar e com todo certeza que a maioria das músicas utilizadas já estavam presentes na animação, porém a nova adição veio para com certeza ganhar a indicação de melhor música original com a música Não vou me calar, interpretada pela personagem da Jasmine, e conversa bem sobre assuntos da atualidade, principalmente relacionada ao lugar da mulher na sociedade, que como todos nós sabemos é aonde elas quiserem.

Os figurinos. Eu não sou a pessoa que foca nos figurinos, mas nesse filme é impossível não notar, eles quase são um personagem por si só, eles são lindos. E até agora pra mim é o vencedor do Oscar. O filme é praticamente um musical, a todo momento os personagens estão cantando, o que deixa a trilha sonora não cantada meio em segundo plano, em muitos momentos limitados apenas aos efeitos sonoros.

O ponto alto do filme pra mim é de fato o Will Smith, mas o Will por si só já é um posso de carisma. Nos primeiros trailers o visual do Gênio me incomodava tanto quando ele estava na forma humana (Will Smith) e pior ainda na forma azul, entretanto no filme o gênio carrega o filme nas costas. Em alguns momentos o gênio ainda é muito estranho, mas a interpretação do Will Smith alivia um pouco esse defeito.

O filme é de fato carregado nas costas pelo Will Smith e a Naomi Scott ( Jasmine) o Alladin (mena massoud) não tem uma atuação tão boa quanto os dois acima citados. Eu realmente recomendo esse filme principalmente se você já gosta do primeiro, ele não propõe tantas mudanças, na verdade quase nenhuma, mas visualmente é um filme muito bonito, mas fique ciente o filme é basicamente um musical então eles vão parar para cantar no inicio, meio e fim do filme.

Bom filme para todos e até a próxima!

O CONTADOR VIU: SHE-RA E AS PRINCESAS DO PODER

Série mostra que não tem relação direta com a personagem dos anos 80, mas reboot é bem feito.

POR AILTON RODRIGUES

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Foto: reprodução Netflix.

Quando a Netflix anunciou no ano passado que faria uma série sobre a She-ra, os fãs da versão passada nos anos 80 ficaram na bronca após assistir o reboot, mas ficou claro que a animação não teria ligação direta com sua antecessora e o melhor de tudo é que ficou muito bom.

Adora é uma guerreira criada na Horda, uma espécie de reduto para criar soldados, mas acaba se transformando em uma princesa ao ser “chamada” pela Esperança da Luz para se tornar a She-ra e com isso ter um propósito maior: salvar toda a Etéria! Com isso, já fica claro o objetivo da criadora Noelle Stevenson que é o de nos presentear com uma história de crescimento.

Na trama, Adora também pode ser denominada como uma jovem que está indecisa e não sabe até onde seus poderes a levará. Além disso, os dilemas vividos pela protagonista começam com essa adaptação dela ao sair da Horda e ser ambientada na Rebelião, um país mágico onde as princesas vivem.

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Nesse arco é importante ver a postura da heroína com as pessoas ao qual ela foi criada para odiar, mexe profundamente com Adora, mas ela aprende que não devemos nos deixar ser guiados por preconceitos passados por pessoas antigas que maculam as gerações futuras, por não ter mais sentido com causas sem justificativa.

Outro ponto interessante de se destacar é na missão da She-ra ao juntar as princesas de Etéria na busca para vencer a Horda, o roteiro nos conduz a conhecer cada uma dessas princesas que têm um poder, características especiais e uma origem o que nos levar a enxergá-las além da aparência.

Devo dizer, que fiquei bem feliz com a animação e mesmo você que ainda lembra daquela She-ra de maiô colado e botas longas deve dar uma oportunidade para Adora e sua turma te entreter nessas duas temporadas já disponíveis na Netflix.

Até qualquer hora!

IRREVERENTE E CHEIA DE GINGA: IZA DEFINITIVAMENTE FOI A GRANDE REVELAÇÃO DA MÚSICA EM 2018

Cantora lançou seu álbum com uma pegada cheia de mensagens e junto com sua ascensão pessoal na TV fechada, roubou a cena em 2018.

POR AILTON RODRIGUES

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Iza foi o fenômeno de 2018.

Ela nasceu em Olaria no Rio de Janeiro, mas passou sua infância em Natal onde já disse em entrevistas que teve seu primeiro contato musical ao cantar em uma igreja que frequentava. Surpreendente pensar que aos 27 anos uma mulher formada em Publicidade e Propaganda fosse dar um reboot na sua carreira e mergulhasse na área da música com tamanha qualidade e força.

Com influências pesadas como Whitney Houston, Beyoncé e Rihanna, Iza começou sua carreira entrelaçada com o rap, mas aos poucos veio mesclando sua veia no pop, inclusive já pretendendo fazer parcerias em 2019 com Alok e Bruno Martini, grandes produtores e DJs. As mensagens que ela traz nas letras com mais força são o empoderamento feminino e negro que são sempre carregados de vibração e ginga (como é o título de um de seus grandes sucessos).

Além do álbum Dona de Mim, lançado em abril de 2018, Iza mostrou ter muita irreverência comandando o programa “Música Boa Ao Vivo” no canal por assinatura Multishow. Suas performances foram surpreendentes e viajaram por praticamente todos os gêneros.

No mundo das premiações ela recebeu 18 indicações, incluindo o Grammy Latino como Melhor Álbum Pop Contemporâneo de Língua Portuguesa, e ganhou 5 (Women’s Music Awards – Melhor Música, Melhor Álbum e Revelação do Ano / Prêmio Glamour – Cantora do Ano / Prêmio Multishow – Melhor Música).

Pela vida pessoal, Iza aparenta também estar muito bem, casou recentemente com o produtor musical Sérgio Santos e postou fotos da sua lua de mel que fez muito marmanjo ficar babando com a saúde da diva. E essa é outra das suas faces: sex simbol.

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Casamento de Iza foi um dos grandes eventos do fim de ano.

Na sua obra prima, o álbum Dona de Mim, foram 14 faixas lançadas e uma turnê muito bem sucedida. Ela mencionou em uma entrevista ao Jornal O Tempo a inspiração para o nome do álbum:

“Esse nome (“Dona de Mim”) remete muito ao autoconhecimento, e é exatamente isso que eu quero passar. Todas as minhas músicas, falando de paixão, de amor e de união, corroboram com esse título e confirmam que eu sou realmente dona de mim”, declarou a cantora.

Para nosso colunista de música, Fabiano Garcia, Iza é uma cantora que trouxe a ginga brasileira com uma sonoridade moderna e globalizada: “O som que ela faz tem características para despontar no cenário internacional”.

Ouça as faixas do álbum Dona de Mim:

1.”Ginga” (com a participação de Rincon Sapiência)

2.”Bateu” (com a participação de Ruxell)

3.”Pesadão” (participação especial de Marcelo Falcão

4.”Corda Bamba” (com a participação de Ivete Sangalo)

5.”Rebola” (com a participação de Carlinhos Brown e Gloria Groove)

6.”Saudade Daquilo”

7.”Engano Seu”

8.”É Noix” (com a participação de Thiaguinho)

9.”Toda Sua”

10.”Você Não Vive Sem”

11.”Dona de Mim”

12.”Lado B”

13.”No Ponto”

14.”Linha de Frente”

E aí, concorda que a deusa Iza não é um fenômeno? Até qualquer hora!

O CONTADOR VIU: OITO MULHERES E UM SEGREDO

POR AILTON RODRIGUES

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Elenco de Ocean’s Eight

Um filme divertido que pode entreter e não deixar sua noite tão monótona é Oito Mulheres e Um Segredo (Ocean’s Eight). A fórmula masculina que compôs Onze Homens e Um Segredo (Ocean’s Eleven) é claramente repetida por Gary Ross e Olivia Milch ao escrever o roteiro deste longa carregado de estrelas, a começar pela protagonista Debbie Ocean, interpretada pela incrível Sandra Bullock.

Aparentemente o filme também trás a mensagem de que o lugar da mulher é onde ela quiser, afinal para o roubo do colar de 150 milhões de dólares em pleno baile do MET Gala é conduzido e executado apenas por mulheres. A frase emblemática que a própria Debbie cita no início da trama reforça essa tese:

Se for Ele é notado, se for Ela é ignorada. E, pela primeira vez, queremos ser ignoradas“.

Contudo penso que o único problema do filme é não ser tão abrangente e profundo para poder destacar o poderio de interpretação que conta com Cate Blanchett (Lou), Mindy Kaling (Amita), Helena Bonham Carter (Rose Weil), Rihanna (Nine Ball), Awkawafina (Constance), Sarah Paulson (Tammy) e Anne Hathaway (Daphne Kluger).

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Cena do filme.

Um exercício legal e divertido é poder pegar as semelhanças entre as versões estreladas pelos homens e pelas mulheres. Em uma das cenas, por exemplo, a própria Debbie Ocean senta em frente ao túmulo de seu irmão Danny Ocean (interpretado por George Clooney na franquia de 2001) o que coloca os filmes praticamente dentro da mesma franquia (ou um spin-off).

Recomendo sim você assistir ao filme, mas com aquele espírito de ver um “filme de Tela Quente” e se possível se entreter sem nenhum compromisso com detalhes técnicos.

OITO MULHERES E UM SEGREDO (OCEAN’S EIGHT)

  • Ano: 2018.
  • Duração: 100 min.
  • Classificação: 14 anos.

 

 

COMO UM FLASH – O CONTADOR VIU: AQUAMAN

POR IASLAN NASCIMENTO

 

Olá pessoal, saiu Aquaman esses dias e vou contar de forma rápida o que eu achei do filme.

Cor, muita cor, para os que reclamam dos tons escuros dos filmes da DC/Warner acho que aos poucos o estúdio está perdendo essa característica que vem da visão do Snyder e dos filmes do Nolan. Já vimos cor no filme da Mulher Maravilha que daria inicio a essa mudança nos filmes posteriores (Aquaman e Shazam).

Os efeitos visuais desse filme são de fato magníficos, uma vasta variedade de criaturas marinhas, de ambientes subaquáticos tudo isso enriquecesse o filme, apesar de que as vezes você poderá perceber que algumas coisas acontecem por acontecer.

Acho que a DC/Warner tá se encontrando aos pouco, o gênero de heróis vem ganhando subgêneros ao longo dos anos, assim como a Mulher Maravilha o filme do Aquaman está mais para um filme de aventura, afinal eles buscam o tridente do rei de Atlantis. O próximo filme será Shazam claramente será voltado para a comédia, ainda não podemos dizer muitas coisas sobre o futuro do Universo da DC, mas já vejo uma melhoria quem sabe o que o futuro nos espera. No mais Aquaman é um filme bastante divertido vale a pena ser assistido.

 

E como um Flash estou indo embora. Até a próxima!

O CONTADOR VIU – GAGA: FIVE FOOT TWO

Cantora se mostra no documentário mais humana, com receios e enfrentando as dores da sua doença. 

POR AILTON RODRIGUES
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As faces de Lady Gaga são tratadas no documentário.

A Netflix tem em seu catálogo um monte de documentários de diversos tipos, mas nenhum pode ser comparado a Lady Gaga: Five Foot Two, a maneira que a cantora é despida em frente as câmeras é comovente e ao mesmo tempo nos leva a fazer algumas reflexões.

A direção de Chris Moukarbel é enfática quando parece querer mostrar uma artista na sua face mais limpa e transparente. O documentário se passa desde a gravação do álbum Joanne em 2015 até o espetáculo do seu show da NFL em 2017.

Todos já sabemos que Gaga era um figura altamente extravagante e simbólica desde que surgiu em 2008 com o hit “Just Dance”, mas a obra deixa claro que ela também é uma figura sensível, preocupada e por muitas vezes solitária. Ao longo da jornada da montagem de Joanne, Gaga passa por muitas coisas que vão desde o vazamento do seu álbum que estava prestes a ser lançado oficialmente, até as complicações da sua doença (fibromialgia) que inclusive acarretaram com o cancelamento do seu show no Rock In Rio.

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Doença de Gaga é abordada na obra.

Todavia a obra não é espetacular. As abordagens do trabalho da diva como atriz, como foi o caso de American Horror Story, são esquecíveis e até desnecessárias para a obra, mas ela faz a revelação que teria sido convidada na época por Bradley Cooper para fazer “Nasce Uma Estrela”, filme esse que pode lhe render atualmente uma indicação ao Oscar 2019.

Apesar disso, o doc traz declarações importantes como é o caso da relação de Lady Gaga com os produtores, em especial com Mark Ronson, ao qual ela demonstra total confiança e o classifica como diferente dos demais por não a fazer se sentir usada ou diminuída.

“Você trabalha com muitos produtores que eventualmente te dizem ‘você não é nada sem mim’. Oito em cada dez vezes eu fui colocada nesta categoria’” – Lady Gaga.

As partes mais tocantes ficam pelo encontro de Gaga com sua avó aonde lhe apresenta a música idealizada para sua familiar homenageada Joanne e a crise de dores severas que ela sofre nas prévias do show comemorativo dos 90 anos de Tony Bennett.

Outro ponto que posso destacar é as comparações que são feitas o tempo todo entre a atual Lady Gaga, mais serena e ponderada, com a Lady Gaga de 2008, excêntrica e extravagante. Ela mesma chega a se perguntar se os fãs ainda gostariam dela por ver o álbum Joanne mais humano, como verdadeiramente ela é.

O que dá para tirar de conclusão é que ela jamais será qualquer uma, a sua importância como liderança de minorias e mulher de opiniões fortes e embasadas também ficam claras. Gaga recebe mensagens de fãs que a agradecem por os incentivarem a nunca desistir da vida, tudo por causa da música Born This Way.

Além do mais, se você for assistir ao documentário, vai curtir muita música boa no meio do enredo. Vale a pena dar uma olhada.

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LADY GAGA: FIVE FOOT TWO

Disponível na Netflix.

Ano: 2017.

Direção: Chris Moukarbel.

O CONTADOR VIU: PARA TODOS OS GAROTOS QUE JÁ AMEI

Filme abusa dos clichês e apesar de ser uma trama agradável, não tem profundidade  no conflito dos personagens.

POR AILTON RODRIGUES
NATAL/RN

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Lara Jean (Lana Condor) e Peter (Noah Centineo).

Adaptar livros e contá-los na linguagem cinematográfica sempre criam expectativas nos leitores, desta vez a Netflix buscou fazer isso com a obra de Jenny Han e  acertou em cheio se queria agradar os jovens: o filme Para Todos os Garotos que já Amei pega o público teen em cheio, mas peca na profundidade dos personagens.

No enredo, uma jovem escreve cartas para seus amores, mas não tem coragem de as enviar. Um dia, elas misteriosamente são enviadas e a partir disso começa o dilema da personagem principal Lara Jean (Lana Condor) que ainda envolve sua família e a escola onde grande parte do enredo se passa. Bom, assistindo ao filme dá para perceber porque ele virou um best seller, até porque a comédia que é inserida deixa tudo muito leve e com um tom agradável. Típico daqueles filmes estilo Sessão da Tarde.

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As irmãs de Lara Jean: Margot (Jahel Parrish) e Kitty (Anna Cathcart).

Esta adaptação de Sofia Alvarez, dirigido por Susan Johnson, também tem um artificio interessante de dinamizar as imagens, porém peca na profundidade dos personagens. Nenhum conflito é tratado com seriedade, apenas mencionado e abordado com superficialidade. Além disso, os clichês são gritantes como são os casos do pai atencioso, do triângulo amoroso e da amiga inseparável.

Minha dica é que você assista ao filme, mas prepare-se para um final óbvio.

Até qualquer hora!

 

O CONTADOR VIU: COM AMOR, SIMON

Filme trata drama LGBT de maneira sutil, colocando o foco na relação familiar e o medo da rejeição pela sociedade. 

POR AILTON RODRIGUES

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Os amigos de Simon, quem nunca teve seus fiéis escudeiros?

De repente me vi, às 2h da manhã concluindo a experiência de ter assistido Com Amor, Simon. Apesar do meu inevitável atraso nos compromissos do dia seguinte (hahaha), fui dormir com um sentimento muito bom: assisti a uma excelente obra.

Baseado no livro Simon Vs. A Agenda Homo Sapiens, escrito por Beck Albertally, a trama do filme é muito agradável de ser assistida. Simon (Nick Robinson – Jurassic World), ao longo dos seus 17 anos carrega um dilema dentro de si: é homossexual e tem medo de se assumir, principalmente para sua família.

Todavia, o resumo acima pode até entregar que será um enredo clichê, mas o filme vai além disso, mostra simplesmente como é ser adolescente e ter aquele receio de ser julgado o tempo todo por outras pessoas. De como passar por essa fase é cheio de descobertas e medos.

O diretor Greg Berlanti (Raio Negro, Flash, Arrow, Supergirl, Riverdale, Legends Of Tomorrow) traz toda essa bagagem de séries para nos entregar um longa que conversa diretamente com este público juvenil, além disso, não só interage com o público LGBT, mas com todos. Cria-se então um ambiente onde não há personagens estereotipados, muito menos situações forçadas, tudo vai se enrolando e desenrolando de forma natural, como é de fato a adolescência.

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Simon é apenas um adolescente… Simples assim.

O ápice da emoção surge com o convívio familiar. Ao buscar se assumir para a família, Simon consegue perceber que pode contar com sua mãe Emily, que com a atuação firme de Jennifer Garner nos presenteia com uma cena forte e emblemática. Ela sabe que o filho terá que encarar preconceitos, mas permite que ele “deixe de se sentir sufocado e respire”. O pai Jack (Josh Duhamel), apesar de dar algumas bolas fora, também se mostra um aliado – vale destacar que a atuação de Duhamel deixa a desejar, mas não prejudica este laço construído por Garner.

 

“Eu sou gay… Mas continuo sendo eu aqui dentro” – Simon.

Não poderia terminar esta resenha/crítica sem falar dos amigos fiéis de Simon. Aqueles que sempre sentamos na sala de aula, que fazemos trabalhos escolares juntos. Esse núcleo nos proporciona viver uma roda gigante que vai do romance à comédia, dando umas pinceladas de drama. Leah (Katherine Lagford – 13 Reasons Why) é a amiga mais velha que visivelmente é apaixonada por Simon, Nick (Jorge Lendeborg Jr. – Homem Aranha: De Volta ao Lar) o parceirão que pratica esporte e Abby (Alexandra Shipp – X-Men: Apocalipse) a recém chegada ao grupo que não fala muito de si, mas é um amor.

“Você já se sentiu preso dentro de si mesmo?” – Simon.

A mensagem de Simon é tão singela que deveria ser praticada por todos: “todo mundo merece uma grande história de amor”. Apenas isso prova o óbvio que é a simplicidade de aceitar e respeitar a opção do outro.

Vale muito a pena assistir.

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COM AMOR, SIMON (2018)

  • Duração: 127 min
  • Gênero: Drama, Comédia.
  • Classificação: 12 anos.
  • Estreia no Brasil: 05 de abril de 2018.
  • Trailer:

O CONTADOR VIU: O MECANISMO

POR FÁBIO CHAP

Recomendação para essa semana: assista a série brasileira ‘O Mecanismo’ que estreou na Netflix.

É uma série maravilhosa sobre a Lava Jato. O primeiro mérito da série é ter conseguido criar um suspense muito interessante numa história que a gente já sabe tudo o que acontece. Isso não é tão simples. As operações estão todas lá. A prisão do diretor da Petrobrás (Na série chamada de PetroBrasil). A prisão de vários donos de empreiteiras de uma vez só. A vaidade dos investigadores. Tá tudo nessa 1ª temporada.

O segundo mérito de ‘O Mecanismo’ é ter conseguido irritar petistas fanáticos. Isso já é mais simples. Basta fazer uma mínima crítica ao “Deus Lula” que os fiéis não perdoam.

O Selton Mello, para variar, tá brilhante. Na série ele é um delegado da Polícia Federativa (a série preferiu não chamar de Polícia Federal; imagino que para evitar processos). Um delegado absolutamente vidrado na Lava Jato. Em dado momento uma delegada mulher ocupa o lugar dele como responsável da Polícia pela operação. A atriz chama Carol Abras e a personagem dela é bem intensa. Sem a atuação dela, a operação teria parado lá no comecinho e ninguém teria ouvido falar nos escândalos de corrupção que a gente conhece.

Em dado momento da série, o personagem do Selton faz um paralelo entre a corrupção que vai dos mais altos cargos do congresso ao funcionário da prefeitura que tem que trocar um cano quebrado na sua rua. Para mim esse foi o momento ápice. Sem propina são 3 semanas para trocar um cano. Com propina, 1 dia.

No roteiro estão todos personagens políticos e empresariais dos últimos anos do Brasil. Os petistas mais fanáticos, como fizeram chilique e não assistiram a série até o final, não sabem que ‘Sérgio Moro’ vai ficando cada vez mais vaidoso. Que os procuradores vão ficar ultra-vaidosos. Não sabem que a série dá uma tirada em ‘Kim Kataguiri’. Não sabem que ‘Michel Temer’ e ‘Aécio Neves’ são retratados como uns baita sem noção e golpistas. Também não fazem ideia de que existe uma crítica contundente à revista Veja.

Mas, ao mesmo tempo, a série também é bastante crítica ao Lula e à Dilma. Incrível a semelhança da atriz que faz a presidenta Janete Ruskov com a ex-presidenta Dilma Roussef. Principalmente na hora em que ela e ‘Lula’ saem na capa da revista ‘Leia’; uma paródia com a revista Veja.

Para você ter uma noção, a crítica tá tão honesta que vi num post um petista acusando Selton Mello de ter o pau pequeno. É sério! Disse que isso é um ‘boato forte entre as atrizes da Globo’.

Bom, se o diretor José Padilha queria fazer barulho no meio militante, ele conseguiu. Agora resta saber como a série vai ser recebida pelas pessoas normais que trabalham de segunda à sexta e não têm tempo de dedicar a vida a defender o “Deus Lula”. Nem têm interesse em boicotar a Netflix porque ela decidiu tocar nesse assunto (sim, tem um movimento de 13 gatos pingados propondo o cancelamento da assinatura da Netflix).

O Mecanismo foi uma baita bola dentro. Série brasileira de alta qualidade na Netflix é algo muito especial. Selton Mello – meu ator favorito há muitos anos – quebrando tudo. Além de tudo isso, conseguiram uma baita série polêmica.

Finalizo esse post com essa pérola da série:

– Fez merda, né? Vamo comigo que a gente vai desfazer essa merda!

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