AFETO, CONSCIÊNCIA NEGRA, AUDIOVISUAL POTIGUAR: 3º DEBATE DA MOSTRA DISCUTE ASSUNTOS SÉRIOS

Em conjunto com o Debate com os realizadores foi realizada uma mesa redonda que falou sobre a triste situação da falta de incentivo para o audiovisual potiguar.

POR AILTON RODRIGUES
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

Éverton Cardoso falando sobre Os Dois Lados do Lixo

Começou o 4º dia de programação da Mostra de Cinema de Gostoso nesta segunda-feira (20) com mais um debate com os realizadores para falarmos da noite anterior que foi cheia de emoções na Praia do Maceió.

Porém, a grande novidade da programação foi a mesa redonda que rolou antes do debate e trouxe um panorama do audiovisual potiguar que sofre com a falta de incentivo do governo.

Veja nossos destaques:

NOITE FAMILIAR

A Mostra Competitiva do domingo (19) trouxe obras muito sentimentais que despertaram aquela saudade dos parentes, sabe? Primeiro tivemos o documentário gostosense Os Dois Lados do Lixo que trouxe o problema do lixão no município.

Na sequência, veio o curta Chico dirigido pelos Irmãos Carvalho que tratava de uma ficção mostrando a relação de mãe e filho que são separados em meio a uma realidade social bem difícil. Logo depois, tivemos a exibição de No Fim de Tudo, uma obra potiguar que de forma tocante trata também da relação familiar de mãe e filho, mas com um plano de fundo fortemente influenciado pelo respeito e aceitação do homossexualismo.

Café Com Canela foi o longa baiano que mexeu com os afetos que adquirimos ao longo das nossas vidas com amigos e familiares. Mostrava também uma situação de vencer a depressão da perda de um ente querido.

Encerrando a noite na sessão especial foi apresentado Dona Durvinha e Seu Antônio que são Os Últimos Cangaceiros. Na trama cheia de humor e características nordestinas vamos sendo apresentados a personagens que marcaram a história do cangaço.

TÁ DIFÍCIL, MAS DESISTIR JAMAIS!

Mesa redonda sobre audiovisual do RN

A mesa redonda que tinha como tema a produção e o mercado do audiovisual no RN teve mediação realizada pelo diretor geral da Mostra, Matheus Sundfeld, que trouxe para explanar a situação os cineastas André Santos (do coletivo Caboré Audiovisual), Catarina Dolan (Prisma Filmes) e Dênia Cruz (diretora de Leningrado Linha 41).

Durante os pontos abordados vimos que o RN infelizmente ainda está muito abaixo do que seus artistas podem produzir, entre os dados mostrados pelos convidados descobrimos que só há um edital para produção no estado que é o Cine Natal.

Além disso, nos últimos sete anos apenas sete longas metragens foram feitos, ou seja, o Rio Grande do Norte produz em sua ampla maioria curtas metragem com o estilo documentário. Muito disso por falta de incentivo, pois para produção dos curtas muitos cineastas fazem de forma independente, já que demanda de menos recursos do que os longas.

AFETO, RELIGIÃO, RESPEITO

Ary Rosa, diretor de Café Com Canela

O debate teve presença de Everton Cardoso (Os Dois Lados do Lixo), Marcos Carvalho (Chico), Hélio Ronyvon (No Fim de Tudo) e Ary Rosa (Café Com Canela). Desta vez a mediação foi conduzida pelo idealizador da Mostra, Eugênio Puppo.

Como foi mencionado acima todos os filmes da noite mostraram temas que tocavam no íntimo das pessoas, apesar de Café Com Canela ter sido o alvo da maioria dos questionamentos, todas os diretores mostraram que suas obras iam além do que vimos na tela. Eram para causar inquietação.

“Agregamos muito da nossa história de vida no filme para mostrar como é viver a aceitação de sermos homossexuais” – Hélio Ronyvon (No Fim de Tudo).

O roteirista também disse que a escolha do elenco foi proposital para mostrar como a situação da realidade LGBT ainda é triste no mundo atual onde, de acordo com Hélio, muitas vezes “saímos de casa com medo de não apanhar”.

A escolha de Silvério Pereira para ser o protagonista também foi o grande destaque na fala dele:

“O Silvério foi uma coisa do destino. Durante esses dois últimos anos muita coisa mudou e queríamos um personagem que permeasse o feminino. Primeiro abrimos edital de casting aqui em Natal, mas não achamos. Daí convidamos o Silvério e ele topou”, declarou Hélio.

O longa Café Com Canela teve várias cenas que remetiam a cultura baiana, em especial a trilha sonora e a religião como o Catolicismo e o Candomblé, mas o diretor, Ary Rosa, destacou o afeto e as mulheres como principais:

“Afeto é uma palavra de ordem para Café Com Canela. Acreditamos muito no filme que o afeto acontece nos encontros do dia a dia”, disse Ary.

Para Marcos Carvalho, Chico não deve ser pensado com um tema fixo:

“Pensamos em vários temas como principais e aí a maternidade pode ser vinculada com o afeto. A mãe foi inspirada em uma prima nossa, nós quisemos mostrar o afeto em um lugar violento”, enfatizou Marcos.

O gostosense Everton Cardoso tratou no documentário gostosense do respeito com o meio ambiente, em especial na cidade que é o 3º polo turístico do estado:

“O filme foi para chamar a atenção com o cuidado com a limpeza. Foi crítico para refletir o que fazer com o lixo. Fomos até convidados para exibir o filme nas escolas para trabalhar nas disciplinas de ciências e geografia”, disse Everton.

Continue nos acompanhando nesta cobertura da Mostra de Cinema de Gostoso! Veja as nossas redes sociais: Twitter, Facebook, Instagram e nosso blog!

Até qualquer hora!

Autor: Ailton Rodrigues

Técnico em Informática (IFRN), que adora esportes e jornalismo, estando sempre disponível para bons papos. Coordenador de Comunicação do clube de futebol TEC (Tabua Esporte Clube), membro do Conselho do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC), comunicador da Mostra de Cinema de Gostoso. Atualmente aluno de Licenciatura em Pedagogia (UFRN).