PERDEMOS MAIS UM ROCK STAR PARA O SUICÍDIO

POR FÁBIO CHAP

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Hoje perdemos mais um rock star para o suicídio. Chester, o vocalista do excelente – e importante – Linkin Park foi encontrado morto. Enforcado. Suicidou.

Esse suicídio ocorreu 2 meses depois do suicídio de outro rock star: Chris Cornell, do Audioslave/Soundgarden. Chester se matou no aniversário de Chris; um de seus melhores amigos.

Isso tudo me provoca profunda reflexão. Eu, Fábio, tive bandas de heavy metal a minha adolescência inteira. Ouço heavy metal até hoje. O rock n’ roll moldou e mudou por completo a minha vida. Eu, inclusive, nasci no Dia Mundial do Rock; 13 de Julho.

Eu compunha letras, eu tocava baixo, eu inclusive berrava (cantava) de vez em quando.

Mas só há alguns dias me liguei numa coisa: é preciso que a gente tenha consciência de qual mensagem o rock n’ roll e o heavy metal querem passar ao mundo. E, por isso, qual mensagem o rock n’ roll e o heavy metal passam aos seus próprios profissionais e praticantes.

Muito cedo eu fui atraído pelo tipo mais extremo de heavy metal: o death metal. E o death metal pode ser tão extremo quanto o nome sugere. As letras muitas vezes são sobre mutilações, cadáveres, mortes das mais violentas imagináveis; não é mesmo, Cannibal Corpse?

E não estou sugerindo que os músicos dessas bandas são pessoas desorientadas na vida ou mesmo praticantes daquilo que escrevem em suas letras. O ponto aqui é: carreiras são formadas acerca de uma temática muito, muito pesada. Vidas são permeadas no entorno de energias muito densas. E é preciso que os músicos fiquem atentos com a mensagem que vão deixar para o mundo. Com a energia que emanam em seus shows, discos e etc.

Não é novidade pra ninguém que o rock está se tornando, cada vez mais, uma música de nicho. Um estilo de música que agrada apenas pessoas de 25 anos pra cima – e olhe lá. Simplesmente não vejo adolescentes formando bandas de rock n’ roll e heavy metal. A mulecada está em outra.

A mensagem do rock n’ roll está datada, se não datada, extremamente repetitiva. Quando não datada e repetitiva, a mensagem pode ser perigosa.

Sim, sexo, drogas e rock n’ roll podem ser maravilhosos. Desde 15 anos vivi esse lema. Mas, agora, com 30 anos, eu me pergunto: O rock n’ roll sustenta o que prega? O rock n’ roll aguenta o tranco da mensagem que joga no mundo? Minha resposta é: NÃO.

Perdemos Janis Joplin.
Perdemos Jimi Hendrix.
Perdemos Jim Morrison (The Doors).
Perdemos Elvis Presley.
Perdemos Sid Vicious (Sex Pistols).
Perdemos Bon Scott. (AC/DC)
Perdemos John Boham (Led Zeppelin).
Perdemos Kurt Cobain.
Perdemos Freddie Mercury.
Perdemos Raul Seixas.
Perdemos Cazuza.
Perdemos Renato Russo.
Perdemos Lane Stanley (Alice in Chains).
Perdemos Dee Dee Ramone (Ramones).
Perdemos Ammy Winehouse.
Perdemos Chorão.
Perdemos Champignon.
Perdemos Peu (Pitty).
Perdemos Chris Cornell (Soundgarden/Audioslave).
Perdemos Chester Benington (Linkin Park).

Dessa lista, todos morreram vitimados pelo ‘sexo, drogas & rock n’ roll’. Overdoses, suicídios e alguns casos de Aids. Claro, morrer com Aids nos anos 80 era menos fruto de irresponsabilidade e muito mais de fatalidade; mas é inegável dizer que o lifestyle do rock cobrou seu preço. Que liberdade sem responsabilidade cobra seu preço.

Muitos desses músicos deixaram filhos. Muitos arrasaram famílias quando partiram. Muitos desses músicos foram ídolos de multidões. Verdadeiras multidões.

Não, eu não parei de ouvir rock n’ roll e heavy metal. Ouço todo dia. O ponto é: agora com consciência plena da mensagem que ali se encontra. Se um dia o metal me pegou desprevenido e me levou de carona por aí sem eu me tocar, hoje não mais. Hoje eu digo que um filtro é necessário. Que cuidar da saúde mental é a coisa mais importante que um músico pode fazer por si, por seus filhos, por seus fãs. Que estar atento à mensagem que vai deixar pro planeta é a coisa mais importante que um rock star pode fazer.

O tempo da molecagem precisa acabar. Já têm sido mortes demais; famílias demais; fãs demais deixados pra trás.

Talvez eu ouça guitarras distorcidas e baterias a 200 BPM até o último dia da minha vida; o timbre está no meu sangue, na minha alma mesmo, mas cada dia mais me convenço que herói de verdade não morre de overdose. Herói de verdade cuida da família, da saúde mental, da mensagem que deixa pro mundo.

Em homenagem aos que partiram, devemos fazer mais que shows em tributo; talvez a construção de clínicas de saúde mental em seus nomes seria o melhor tipo de homenagem a ser feita. A homenagem mais responsável a ser feita.

Tenho certeza que antes de colocarem uma corda em seus pescoços, esses músicos deram gritos que ninguém conseguiu ouvir. Daí, sufocados de silêncio e dor, optaram pelo fim.

A vida adulta é mais que liberdade; quando acaba a adolescência a gente aprende, na marra, o peso da responsabilidade. Se o rock n’ roll aprender essa lição, ele volta a mudar e salvar vidas ao invés de apenas perdê-las dia após dia.

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Autor: Ailton Rodrigues

Técnico em Informática (IFRN), que adora esportes e jornalismo, estando sempre disponível para bons papos. Coordenador de Comunicação do clube de futebol TEC (Tabua Esporte Clube), membro do Conselho do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC), comunicador da Mostra de Cinema de Gostoso. Atualmente aluno de Licenciatura em Pedagogia (UFRN).