EM TEMPOS ATUAIS, COMÍCIO É DINHEIRO JOGADO FORA

Com discursos repetitivos e presença apenas de aliados, comícios perdem o objetivo e viram mostra de popularidade.

POR AILTON RODRIGUES
NATAL/RN

jogafora
Dinheiro jogado fora (charge: Millôr).

Os comícios já foram grandes festas, onde as propostas ficavam em segundo plano e o público estava mais interessado em saber qual atração viria depois de todo aquele “falatório”.

Com as mudanças realizadas pela Justiça Eleitoral, incluindo aí a proibição do “showmício”, a essência dos comícios mudou, mas seu objetivo continua o mesmo: mostrar popularidade e jogar dinheiro fora.

A ideia até seria brilhante, afinal é a oportunidade de um contato maior entre os eleitores e os candidatos para conferir assim suas propostas. O público-alvo seria os indecisos ou então a provocação da mudança dos que escolheram os adversários. Tudo por meio da persuasão e das propostas.

Isso não acontece…

A primeira coisa que se pergunta quando você chega em um comício é: “você vota para quem?”, ou então, “você não tem cara de quem vota em fulano!”. Ora, bolas! Isso nem deveria ser uma questão a ser abordada, afinal estamos ali para conhecer mais o candidato. Inclusive essa é uma lição até para aqueles que são aliados dos candidatos, pois definitivamente, esses questionamentos não ganham o voto e, na maioria das vezes, afasta.

Mas afinal, porque existem os comícios hoje? Primeiramente, esses eventos são mostra de popularidade. Sempre há uma estimativa feita em cima dos presentes e a curiosidade em saber quem levou mais gente para as ruas parece ser um combustível a mais na campanha.

Segundo, os candidatos tem que mostrar trabalho e os comícios são bons motivos para eles afirmarem que mostraram serviço e querendo ou não é o momento deles falarem quais as suas intenções em governar o município. “Porta a porta” e carreatas não são o suficiente.

No entanto, com a revolução das redes sociais e a mudança constante de hábitos pela sociedade capitalista a tendência desses comícios é de serem extintos! Só assim estaremos livres daqueles discursos despreparados e do desgaste financeiro, que mesmo sendo doados por pessoas físicas, não deixa de ser desperdício.

Concluindo, espero que se pense em outras maneiras de realizar campanha política, que se pense mais seriamente nos debates e menos nas trocas de acusações. Por enquanto, temos que nos contentar em acompanhar as propostas dos candidatos por meio dos comícios e torcer para que não sejamos hostilizados se desejarmos estar em todos os eventos, pois apesar do voto na urna ser secreto, algumas pessoas insistem em querer desvendar o resultado antecipadamente.

Ailton Rodrigues

Aluno de Pedagogia (UFRN)
Colaborador do blog “O Contador de Causos”

Autor: Ailton Rodrigues

Técnico em Informática (IFRN), que adora esportes e jornalismo, estando sempre disponível para bons papos. Coordenador de Comunicação do clube de futebol TEC (Tabua Esporte Clube), membro do Conselho do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC), comunicador da Mostra de Cinema de Gostoso. Atualmente aluno de Licenciatura em Pedagogia (UFRN).