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GOSTOSENSE APRESENTA TRABALHO EM CONGRESSO MUNDIAL DE INTELIGÊNCIA COMPUTACIONAL NO RJ

Valmiro Ribeiro é ex-“Contador” e viajou ao Rio de Janeiro para apresentar um trabalho no Congresso Mundial de Inteligência Computacional (WCCI).

RICARDO ANDRÉ
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO

São Miguel do Gostoso já rendeu inúmeros estudos científicos ao longo dos anos e seus “filhos” também vem mostrando que podem voar alto. Foi na cola de uma dessas andanças dos gostosenses que o Contador viajou até o Rio de Janeiro em uma conferência internacional sobre sistema de redes e tecnologia.

O Contador conversou com Valmiro “Zuno” Ribeiro sobre esse evento, sua participação e as tendências de tecnologias que parecem coisa de ficção cientifica.

Contador – Conta para gente que evento foi esse.

Zuno – Eu fui para o Congresso Mundial de Inteligência Computacional (WCCI), que tinha outros três eventos dentro dele. A Conferência Adjunta de Redes Neurais, Simpósio de Lógica Fuzzy e o terceiro evento de Algoritmos Genéticos.

Contador – Qual sua Formação? E porque você foi para esse evento representando a UFRN?

Zuno – Eu sou formado em bacharel em Ciências da Computação pela UFRN, atualmente fazendo mestrado em sistemas de computação também pela UFRN. Tive um artigo aprovado e como era necessário apresentar, e eu fui o primeiro autor, fui indicado pelo DIMAp/UFRN, além disso, na ausência da minha orientadora fui convidado para conduzir a sessão técnica que eu estava participando.

Contador – Que trabalho foi esse que você foi apresentar?

Zuno – Apresentei um artigo sobre redes neurais para identificar usuários do jogo League of Legends (LoL) usando biometria. Biometria não é só a digital é qualquer característica que sirva para identificá-lo.

Contador – Pelo que a gente viu da sua pesquisa você não usa os recursos convencionais como digital e retina para identificar o usuário. Como é isso? E porque utilizar um jogo relativamente popular?

Zuno – Quando eu pego uma assinatura duas vezes se espera que elas sejam similares, no contexto de jogo isso torna as coisas bem mais difíceis. Eu estou usando a forma com que a pessoa digita, por exemplo, quanto tempo ela leva para digitar o “Q”, quanto tempo entre uma tecla e outra, e também como a pessoa usa o mouse, cadência de cliques, a velocidade e aceleração de movimento nas oito direções.

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Valmiro Ribeiro representando o DIMAp/UFRN

Contador – Nesse evento que outros trabalhos chamaram a sua tu?

Zuno – Houve duas palestras gerais no primeiro dia. A de um chines falando sobre ciborgues e basicamente mostro que você pode utilizar equipamento eletrônicos para ampliar as capacidade de um individuo, como no exemplo de um elo onde você conseguia mandar informações direto para o celebro de um rato e tinha um cara com um capacete mandando informações para o rato atravessar um labirinto sem errar. Outra coisa interessante foi a palestra do brasileiro Miguel Nicolelis, conhecido pelo trabalho com exoesqueletos, e mostrou os avanços na pesquisa dele desde a Copa de 2014, quando ele fez um paralítico chutar uma bola, ele mostrou que através de chips alguns estímulos desenvolvidos na pesquisa do exoesqueleto podem ser utilizados no tratamento do mal de parkinson, e elas começam a recuperar os movimentos.

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Microchip implantado na cabeça do rato permite comunicação com o ser humano.

Contador – Se a gente desconsiderar que vocês são cientistas e estão lá trabalhando, parece mais um evento de ficção cientifica. Que orientação você daria para esse pessoal que ainda ta pensando se vai encarar este ramo na vida?

Zuno – Primeiro, não tem como escapar da matemática (risos). Mas a matemática que será utilizada de fato não complicada por existem diversos programas para ajudar nos cálculos, no trabalho braçal. Sempre vai ser uma questão de aprender conceitos e aplicar esses conceitos, os computadores farão o trabalho pesado. Você não precisa conduzir sua pesquisa somente na área de exatas, em letras você pode esta atuando em informática, em biologia podemos entrar na neurociências que não possuem um plano de fundo grande na matemática. Mas recomendo a todos que queiram entrar no mercado que estudem programação, pois é a nova linguagem e invistam no “Inglês” pois as pesquisas não giram em torno do Brasil e permite que você possa se comunicar com outros pesquisadores e ler textos influentes na maioria escritos em Inglês.

Nós continuamos de olho. Até qualquer hora!

GOSTOSENSES PARTICIPAM DA ABERTURA DA CIENTEC 2016

Destaque para as apresentações do projeto Retrato da Comunidade e do nosso contador Ailton Rodrigues.

POR RICARDO ANDRÉ
NATAL/RN

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Ariclenes Silva e Fernando Miranda na CIENTEC 2016.

Nesta quarta-feira (19) houve a abertura da Semana de Ciência, Tecnologia e Cultura (CIENTEC) da UFRN e alguns gostosenses estiveram presente apresentando suas produções no evento.

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O projeto teve várias visitas durante o dia.

O primeiro destaque foi o projeto Retrato da Comunidade idealizado por Ariclenes Silva e Fernando Miranda. Os quadros que retratam as belezas dos distritos do município foram expostos e receberam muitas visitas e elogios. Atualmente o projeto se encontra na segunda fase e dessa vez a pretensão dos fotógrafos é a publicação de um livro, mas por enquanto está sendo bem visto nas exposições ao qual participa.

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Indhyane Gomes, Nathália Duarte e Ailton Rodrigues (da esq. para dir.).

Outro destaque é um membro do nosso time, o Contador Ailton Rodrigues, ele apresentou no período da tarde um projeto de autoria própria em conjunto com uma aluna do seu curso, Indhyane Gomes. O projeto intitulado de “Gêneros Textuais Como Ferramenta de Incentivo a Leitura e a Escrita” foi desenvolvido em uma escola pública de Natal e consiste na utilização dos gêneros textuais como meio para que crianças do 4º ano do ensino fundamental se interessem pela língua portuguesa.

O Contador parabeniza a todos e torce para que mais gostosenses exponham seus conhecimentos. Até qualquer hora!

E-Tec abre inscrições para 2.940 vagas em cursos técnicos

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O E-Tec/EAJ/UFRN publicou edital com dois mil novecentos e quarenta vagas para os cursos técnicos para entrada no segundo semestre de 2016.

As inscrições são gratuitas e deverão ser realizadas de 18 à 29 de outubro de 2016, mediante preenchimento da Ficha de Inscrição e entrega dos documentos relacionados no edital, nos polos do E-Tec/EAJ localizados nos municípios de Assu, Apodi, Areia Branca, Caicó, Ceará-Mirim, Macaíba, Monte Alegre, Natal, São Paulo do Potengi, Touros e Vera Cruz.

O Processo Seletivo é para cadastro de reservas dos cursos ofertados na modalidade de Educação a Distância, com encontros presenciais. As vagas estão distribuídas entre os cursos técnicos em Agroindústria, Agropecuária, Apicultura, Aquicultura, Cooperativismo, Comércio Exterior, Manutenção e Suporte em Informática, Multimeios Didáticos, Alimentação Escolar e Secretaria Escolar e cursos de Idiomas (Inglês e Espanhol).

As vagas serão preenchidas de acordo com a ordem de inscrição e a divulgação da homologação do resultado está prevista para o dia 7 de novembro. Para se inscrever o candidato deverá ter concluído ou está concluindo o Ensino Médio.

Confira o edital completo e todas as informações aqui.

Fonte: E-Tec/EAJ/UFRN

A MOTIVAÇÃO NA RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO: UM PONTO DE VISTA A PARTIR DA PSICOLOGIA EDUCACIONAL

POR CYNARA RIBEIRO
PROFESSORA DA UFRN.

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Para entendermos melhor o papel da motivação na relação professor-aluno, vamos primeiro tentar situar o que é motivação e de onde ela vem. Etimologicamente, a palavra motivar reporta ao verbo latim movere, que deu origem à palavra motivo. Do ponto de vista da Psicologia, o sentido da palavra motivação relaciona-se de perto com o seu significado na língua: em termos psicológicos, motivação é definida como aquilo que move uma pessoa em direção a um determinado objetivo, é o que a põe em ação; é o que nos faz escolher, dentre um leque de opções possíveis, uma determinada ação; é o que nos faz iniciar esta ação e é o que nos faz manter esta ação.

Então, a motivação está na base de todos os comportamentos humanos, desde os mais primitivos até os mais complexos: há uma motivação para dormir e para acordar; há uma motivação para vocês estarem lendo esse texto; há uma motivação para eu estar escrevendo esse texto; enfim, tudo o que fazemos tem como pano de fundo alguma motivação. Pelo fato de a motivação estar na base de todos os nossos comportamentos, estudos concluíram que são diversos os fatores que atuam para desencadear ou manter o estado de motivação: há fatores fisiológicos, há fatores sociais, fatores culturais, fatores contextuais, dentre outros.

Agora uma pergunta: será que a motivação para comer é diferente da motivação para ser aceito em um grupo? Sim, são motivações diferentes: uma de cunho mais fisiológico, e outra de cunho mais relacional. E a motivação para aprender seria de cunho mais fisiológico ou seria de cunho mais relacional? Para a Psicologia, a motivação para aprender é de cunho mais relacional, diferente da motivação para comer, dormir, fazer determinadas necessidades, que são de cunho mais fisiológico. Mas se não vem apenas da fisiologia, de onde vem a motivação para aprender?

Acredito que vocês já devem ter ouvido uma frase do tipo: “ah, a motivação para aprender tem que vir do aluno, ele tem que querer”. Também acredito que vocês já devem ter ouvido uma frase do tipo: “ah, para estar motivado para aprender, o aluno tem que ser estimulado, por algo ou por alguém, pode ser uma recompensa, um elogio”. Essas duas posições extremas revelam uma dicotomia entre o que os estudos recentes têm chamado de motivação intrínseca e motivação extrínseca.

Na motivação intrínseca, o aprendiz é visto como alguém que já traz em si uma motivação, é aquela pessoa automotivada, que tem um papel ativo sobre a própria motivação. Já na motivação extrínseca, o aprendiz é visto como alguém que precisa de estímulos externos para se motivar.

escolaBom, se a gente entende (e eu entendo assim) que o ser humano se constitui no e pelo mundo, ou seja, que se constitui a partir de sua história de vida, de suas experiências, de sua relação com os outros, das próprias características da sociedade e da cultura em que está imerso, se a gente acredita nisso, essa dicotomia entre motivação intrínseca e motivação extrínseca revela-se frágil. Isso porque para uma pessoa estar intrinsecamente motivada a fazer algo é necessário que isso tenha alguma relevância no contexto no qual essa pessoa está inserida; de algum modo, a pessoa apreendeu que fazer isso seria importante.

Então, na verdade, motivação intrínseca e motivação extrínseca devem ser entendidas como um continumm. Isto é, há entre motivação intrínseca e motivação extrínseca não uma separação, mas sim uma continuidade. E qual é a importância dessa discussão para a educação? Bom, a importância de entender motivação intrínseca e extrínseca como um continuum é que isso nos adverte para não criar expectativas de “aluno ideal” ou de “professor ideal”. Nem existe esse aluno ideal, automotivado, com objetivos claros e disposição interna para alcançar tais objetivos; nem existe um professor ideal ou uma aula ideal, capaz de motivar todos os alunos o tempo todo.

Dizer que não existem aluno ideal e professor ideal implica em dizer que não podemos estabelecer relações simplistas (deterministas) entre atuação do professor e motivação do aluno. É claro que esses dois elementos se relacionam, mas não há entre eles relação de causa e efeito.

De fato, o que as pesquisas indicam é que há forte correlação da motivação dos alunos com dois elementos: a prática pedagógica e a própria motivação do professor. Sem desconsiderar a importância do primeiro, quero finalizar dizendo algumas palavras sobre o segundo elemento. E nesse ponto eu proponho a motivação como uma espécie de encantamento. O que é que isso quer dizer? Recorrendo de novo ao dicionário, temos que encantar é um verbo transitivo que significa: 1. Lançar encantamento ou magia sobre, enfeitiçar; 2. Transformar um ser em outro, por artes mágicas; 3. Seduzir, cativar; 4. Maravilhar-se, extasiar-se; 5. Transformar-se em outro ser por artes mágicas.

Percebam que o significado de encantar comporta uma aproximação com encantar-se: transformar um ser em outro por artes mágicas e transformar-se em outro por artes mágicas. Essas duas definições aparecem como se fossem a mesma coisa. Dessa aproximação, extraímos que, como disse uma pedagoga chamada Ostetto (2010), para exercer a magia, para lançar encantamento sobre outrem, é preciso que o indivíduo em primeiro lugar encante a si mesmo.

Assim, podemos dizer que “para encantar, é preciso encantar-se”. E para encantar e encantar-se é claro que é necessário conhecimento (é preciso conhecer os conteúdos, as técnicas, os métodos, as didáticas), mas não pensem que isso, por si só, será o suficiente. É preciso, além do conhecimento, entrega, desejo, disposição para o reconhecimento das próprias contradições e das contradições do outro, respeito ao próprio ritmo e ao ritmo do outro. Ou, repetindo, é necessário encantar-se para poder encantar.

Bibliografias Utilizadas

  • NUNES, Ana Ignez Belém Lima; SILVEIRA, Rosemary Nascimento. Os processos de aprendizagem nas psicologias de Vygotsky e Wallon. Psicologia da Aprendizagem: processos, teorias e contextos. Brasília, DF: Liber Livro, 2011. p. 103-131.
  • OSTETTO, Luciana Esmeralda. Para encantar, é preciso encantar-se: danças circulares na formação de professores. Caderno CEDES, v. 30, n. 80, p. 40-55, jan./abr. 2010.

UNIVERSITÁRIOS VÃO A CÂMARA E PROTESTAM NAS RUAS DE GOSTOSO

17º dia consecutivo de incertezas no transporte universitário ganha mais drama com a prefeitura também “cortando gastos” dos ônibus do ensino médio e municipal.

POR AILTON RODRIGUES
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

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Manifestação dos universitários.

Os universitários de São Miguel do Gostoso começaram a agir de forma mais enérgica nesta segunda-feira (29) e se manifestaram na Câmara dos Vereadores e nas ruas contra a suspensão do ônibus que era disponibilizado pela prefeitura.

A “novela” do transporte universitário chegou ao 17º dia de incertezas, os alunos já chegaram a fazer uma “cota” e pagaram o abastecimento do transporte por três dias, mas muitos alegam não ter condições de arcar com esses custos caso a situação persista.

O novo caso hoje foi em relação aos alunos do ensino médio técnico do IFRN que só terão transporte por um turno, de acordo com a proposta fornecida pela gestão todos os alunos sairão de Gostoso pela manhã e só retornam a noite quando todos estudarem. Também não houve transporte para os alunos dos distritos e nesse caso estamos falando do ensino fundamental!

NA CÂMARA

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Câmara foi solidária aos universitários.

Às 14h os universitários se reuniram na Câmara dos Vereadores e participaram da 19ª sessão ordinária. Com o intuito de pedir apoio, os discursos apresentados pelos estudantes Ângela Maria e Ailton Rodrigues foram levados para o lado do bom senso e da ética.

Os vereadores se mostraram compreensivos com a causa e prometeram ajudar a todo custo, sugerindo até que a própria câmara poderia arcar com o ônibus, caso a parte jurídica da casa permitir.

“Não tem cabimento esse ônibus ser privado a vocês! A situação é de calamidade. Nós temos que marcar de ir amanhã com vocês pra resolver esse problema. A câmara está pagando pela administração desastrosa”, disse Alberto Charles, presidente da câmara.

NAS RUAS

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Alunos manifestaram sua indignação.
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Caminhada nas ruas de Gostoso.

Com a certeza de mais um dia sem o ônibus, os alunos resolveram se manifestar por meio de um protesto. Com direito a cartazes, apitaço e nariz de palhaço os 40 alunos, que se fizeram presentes na sessão, percorreram as principais avenidas da cidade.

Os pontos escolhidos para as paradas, primeiramente na porta da prefeitura, na sequência nas residências da prefeita, Maria de Fátima, e da Secretária de Educação, Isabel de Matos.

O Contador vai ficar de olho nessa crise em Gostoso. Até qualquer hora!

UNIVERSITÁRIOS GOSTOSENSES FAZEM “VAQUINHA” PARA ABASTECER TRANSPORTE 

Drama chega a 13 dias e alternativa conseguida foi a mobilização dos estudantes para pagar o diesel.

POR AILTON RODRIGUES

Alguns universitários esperando ônibus.

Mais um capítulo do drama do transporte universitário em São Miguel do Gostoso, o décimo terceiro dia seguido de incertezas do transporte fez com que alunos se juntassem e pagassem o abastecimento do ônibus.

Desde a semana passada que diariamente o transporte se tornou incógnita e enquanto isso os alunos estão perdendo aulas. A prefeitura declara que não tem dinheiro para pagar o posto de combustível.

Universitários fizeram “vaquinha” e colocaram 80 litros de diesel para estudarem (Foto: Raul Neri)

Desde esta última quarta-feira (24) que há manifestações nas redes sociais e o Contador mostrou aqui algumas delas. Juntos, os estudantes desembolsaram 263 reais para abastecerem o ônibus e assim chegar a Natal nesta quinta-feira (25). 

O transporte para universitários começou a ser fornecido em Gostoso desde 2007 e de lá pra cá é a primeira vez que a situação chegou a esse patamar crítico, lembrando que este serviço consta na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano.

Nós continuamos de olho nesse situação dramática dos universitários. Até qualquer hora!

GOSTOSO REALIZA A 6ª CONFERÊNCIA DAS CIDADES

A cidade de São Miguel do Gostoso realizou nessa terça (21) a etapa municipal da 6ª Conferencia das Cidades, reunindo cidadãos para discutir “a Cidade que Queremos”.

RICARDO ANDRÉ
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

Dia de conferência é dia de trabalho. Para quem não conhece, o evento tem um ritual próprio, que se inicia com a abertura oficial – aquele clássico com a fala das autoridades – e em seguida a leitura – na integra – do regimento e sua aprovação pelos delegados – Sim, esse nome mesmo. São os cidadãos que terão direito a voz e voto. Na sequência temos as boas e velhas “palestras”.

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A abertura foi dada pelo presidente do evento, o Secretário Municipal de Administração, Manuel Patrício de Assis, que convidou os gostosences a discutir “a Cidade que temos e a Cidade que queremos”. E os trabalhos foram iniciados pela conferencista Marina Lima que trouxe o tema dessa 6ª Conferencia das Cidade: “Função Social da Cidade e da Propriedade”, na sequência os representantes da UFRN, Altair Soares e Anna Emanuella, explanaram sobre o Plano Diretor Participativo de São Miguel do Gostoso, com uma ampla defesa da necessidade da participação popular na condução da política pública de desenvolvimento urbano, encerrando com o Engenheiro Fernando Castro que apresentou o tema “A Cidade que Temos”.

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Altair Soares e a Profª Anna Emanuella

Segundo Rubens Eduardo da comissão organizadora tivemos 51 delegados esse ano, menos que e 2013, quando tivemos 69, porém o delegados fizeram um excelente trabalho encerrando a conferência somente depois das 17h, com o mínimo de ausências, tivemos delegados comprometidos os trabalhos, afirmou.

“São Miguel do Gostoso é referência entre o municípios do Rio Grande do Norte. Além de possuir um Plano Diretor Participativo e um dos poucos Conselhos da Cidade do estado, participou de todas as seis conferencias, inclusive com uma representação na Conferência Nacional com o Sr. Ruy Mazurek” – Rubens Eduardo, membro da Comissão Organizadora.

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Encontro no Morro dos Martins – Eng. Fernando Castro (direita)
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Encontro no Assentamento Antônio Conselheiro (centro)

O momento sempre mais interessante são o dos grupos de trabalho, valorizado esse ano pelos encontros ocorridos nas localidades polo de Arizona, Antônio Conselheiro, Morro dos Martins e Baixinha dos Franças. Os encontros levaram o temário da 6ª Conferencia e colheram propostas das comunidade rurais e seus representantes, os encontros que foram conduzidos pelas conselheiras Maria Katiana e Maria Luziane Barbosa.

Ao final da apresentação dos grupos as principais propostas apontadas pelos delegados para conferência nacional foram (de forma reduzida):

  • Zoneamento (econômico, social e ambiental) do município;
  • Saneamento Básico;
  • Atualização dos estudos técnicos do Plano Diretor Participativo;

Não faltaram propostas de melhoria da qualidade de vida visando uma cidade mais justa e participativa. Da reestruturação de espaços púbicos como unidades de saúde, cemitérios, estradas, praças e quadras, até a instalação de novos equipamentos e políticas, como na área da inclusão digital e na agricultura. Os 51 delegados inscritos geraram mais de 25 propostas que atingem a esfera municipal, estadual e municipal, sendo na sua maioria propostas do âmbito municipal que serão aproveitadas na elaboração do Plano Plurianual (PPA) que ocorrerá em 2017.

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Grupo de Trabalho: “A cidade que Queremos”.

As apresentações dos grupos de trabalho geraram momentos interessantes, com delegados exaltados na defesa de suas propostas, principalmente em questões polêmicas como a divisa de São Miguel do Gostoso e Touros, a coleta de lixo, e a sistemática do atendimento de saúde nas comunidades rurais.

“Embora o foco da Conferência das Cidades seja o planejamento urbano, é praticamente impossível conter a discussão de temas como saúde, educação, esporte, lazer, agricultura e segurança. É como se tivéssemos várias conferências ao mesmo tempo, o cidadão traz à pauta o que lhe preocupa.” – Ricardo André, membro do Conselho da Cidade.

Encerrando o dia foram indicados os representantes para a Conferencia Estadual, sendo apontados pelo poder público, Fernando Castro e Francisca Pinheiro, e pela sociedade civil, Maria Katiana (FOPP) e Maria Auxiliadora Ribeiro (CDHEC).

Ufa! Foi isso…

Pousada Gostoso Village banner

UFRN VEM A SÃO MIGUEL DO GOSTOSO DISCUTIR O PLANO DIRETOR DA CIDADE

Reunião mobilizou ONGs, movimentos e prefeitura que pretendem juntos implementar o Conselho da Cidade para regularizar o plano publicado em dezembro do ano passado.

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POR AILTON RODRIGUES
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

O Plano Diretor* de São Miguel do Gostoso começou uma nova fase neste último sábado (27/03), professores do curso de Direito da UFRN vieram a cidade orientar aos órgãos competentes como proceder para que as alterações necessárias no documento sejam realizadas.

O Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC) fez a mediação da reunião que também contou com membros dos movimentos sociais e do engenheiro da prefeitura, Fernando Castro, no Centro de Cultura. A UFRN foi fundamental na publicação do documento em dezembro de 2015, pois graças a um encontro entre a entidade junto com Raimunda Veiga, Ricardo André – ambos do CDHEC – e o próprio Fernando Castro, a prefeitura reconheceu a necessidade da sua publicidade e finalmente pôde ter sua publicação oficializada.

Desta vez estiveram o juiz Marco Bruno e a professora/coordenadora do curso de Direito da UFRN, Ana Emanuela, que abordaram os pontos que mais colocavam em dúvidas na leitura do plano, como é o caso da chamada faixa de interesse turístico II que vai do final da Avenida dos Arrecifes até a Praia dos Marcos.

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O próximo passo apontado pelos professores será a organização do Conselho da Cidade que terá autonomia de deliberar sobre as modificações do plano junto a sociedade civil. De acordo com Ricardo André, a data prevista para indicação dos 36 nomes do conselho será em 10 de março.

*O Plano Diretor pode ser definido como um conjunto de princípios e regras orientadoras da ação dos agentes que constroem e utilizam o espaço urbano. (BRASIL, 2002, p. 40).