O CONTADOR VIU: A VOZ SUPREMA DO BLUES #OscarNoContador

Adaptação de texto teatral traz Chadwick Boseman e Viola Davis brilhando em um duelo que termina de forma acelerada e dramática.

POR AILTON RODRIGUES

A voz Suprema do Blues está disponível na Netflix.

A adaptação do texto de August Wilson resultou em uma obra que rendeu cinco indicações ao Oscar 2021 para “A Voz Suprema do Blues” (Melhor Ator para Chadwick Boseman, Melhor Atriz para Viola Davis, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Cabelo e Melhor Design de Produção) e está disponível na Netflix.

Se tem uma coisa que podemos afirmar é que linguagem teatral é muito marcante e isso pode ser algo positivo, bem como negativo. Na parte positiva, destaca-se os holofotes que são jogados com muita ênfase nos atores em cena, elevando ainda mais as atuações de Boseman e Viola em monólogos dramáticos, mas sem profundidade visual (o que poderia ser contornado, já que a linguagem cinematográfica poderia proporcionar efeitos como flashbacks, etc).

Na parte negativa, destaco a pressa ao qual o roteiro adaptado por Ruben Santiago-Hudson submete a trama e usa de artifícios como a ambientação do estúdio para nos deixar “sufocados”.

Última atuação de Boseman coloca os holofotes sobre ele.

Sobre a história do filme em si, estamos em Chicago no ano de 1927 e nessa época ainda rondava na sociedade um estigma do negro em locais que eram até pouco tempo exclusivo de brancos. Na arte o surgimento do blues vai se destacando com grandes figuras negras como é o caso de Ma Rainey (Viola Davis). Dentro da trama, Ma e sua banda estão em um estúdio para gravar um disco, mas o clima conflituoso entre os próprios integrantes da banda, bem como com os diretores brancos do estúdio jogam o espectador para uma outra dimensão emocional.

O clima é para te prender e ao mesmo tempo te fazer refletir sobre as causalidades demonstradas pelos personagens, nisso Chadwick e Viola brilham. Na minha opinião, você deve uma chance ao filme para se permitir ver obras que bebem de outras fontes.

A VOZ SUPREMA DO BLUES

Ano: 2020 / Duração: 94 min / Disponível em: Netflix

Até qualquer hora!

Autor: Ricardo André

Professor de Matemática, produtor cultural e tesoureiro do Espaço TEAR (CDHEC)