BACURAU, POLÍTICA, CANNES: O QUE BOMBOU NA 6ª MOSTRA DE CINEMA DE GOSTOSO

Evento que aconteceu de 08 a 12 de novembro reuniu centenas de pessoas para prestigiar e debater sobre o audiovisual brasileiro.

POR AILTON RODRIGUES
ANT. CONSELHEIRO, S.M. DO GOSTOSO/RN

6 MCG - Areias do Maceió
Areias da Praia do Maceió sempre lotadas

A 6ª Mostra de Cinema de Gostoso (infelizmente) acabou, o evento que durou de 08 a 12 de novembro reuniu centenas de pessoas na cidade de São Miguel do Gostoso para prestigiar e debater o melhor do audiovisual brasileiro.

Como de praxe, nós acompanhamos toda essa celebração da sétima arte em terras gostosenses e destacamos cinco momentos emblemáticos para nossa equipe. Veja:

PACARRETE

6 MCG - Pacarrete
Atriz Macélia Cartaxo recebe um dos prêmios de Pacarrete.

O longa metragem de Allan Deberton foi aclamado pelos espectadores da Mostra. A história da bailarina aposentada que tinha sonho de ter sua arte respeitada pela população forrozeira do sertão do Ceará foi bem avaliada pela população. O debate inclusive foi um dos mais cheios desta edição.

Muito também pelo carisma da Marcélia Cartaxo – A Hora da Estrela (1985), Madame Satã (2002) – que se emocionou nos anúncios das premiações e se disse encantada com a exibição do filme ao ar livre. Aparentemente, a própria não tinha percebido que havia composto uma personagem tão única que desperta variados sentimentos em todos os espectadores.

Com isso o filme foi consagrado com nada mais, nada menos que três troféus (Prêmio Luís da Câmara Cascudo – Júri Popular, Prêmio da Imprensa e Prêmio DOT Cine – DCP de longa metragem). O maior vencedor em uma edição da Mostra.

BACURAU

6 MCG - Sessão Bacurau
Sessão especial de Bacurau teve o maior número de espectadores da história do festival.

O filme que todo mundo estava esperando, não decepcionou. Mesmo sem números oficiais, visivelmente foi o maior público da história do festival, as 600 espreguiçadeiras foram pouco para tanta gente que se espalhou pelas areias da Praia do Maceió e curtiu o filme de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho.

Bacurau já foi aclamado pela crítica e já bateu a marca de mais de 100 mil espectadores, além disso foi premiado no Festival de Cannes. Nem preciso dizer que o debate sobre o filme foi o mais concorrido, mas de fato a brincadeira da mescla de gêneros impressionou.

O BRASIL LÁ FORA

6 MCG - debate internacional
Barbara Sturm, Jean Thomas Bernardini e Flavia Guerra falando sobre o audiovisual brasileiro no exterior.

Apesar do cenário difícil que se encontra o audiovisual brasileiro com a extinção do Ministério da Cultura, a falta de recursos e as incertezas no futuro da Agência Nacional do Cinema (Ancine), o Brasil teve o que comemorar em 2019.

Prêmios como o de Bacurau em Cannes, quatro prêmios em Sundance, além de 12 representações em festivais internacionais foram explanados por produtores e distribuidores em um debate especial desta 6ª edição da Mostra.

MOMENTO POLÍTICO

A abertura da Mostra culminou exatamente com (mais um) momento de conturbação na política nacional com a soltura do ex-presidente Lula após a revogação da prisão em segunda instância pelo STF. Com isso, gritos de Lula Livre foram entoados pelos organizadores do evento e seguiu por todo o festival.

Os debates também tiveram momentos de críticas ao governo atual, por tudo o que foi explanado no tópico acima.

CANNES DO NORDESTE

6 MCG - Sessão de Pacarrete
Allan Deberton disse que Gostoso era a “Cannes do Nordeste”.

A frase que simbolizou a 6ª Mostra de Cinema de Gostoso foi dita pelo diretor Allan Deberton na abertura do evento, ao se encantar com a composição da sessão da Mostra Competitiva ele declarou que a Mostra era a “Cannes do Nordeste”.

O diretor Juliano Dornelles havia compactuado da definição e disse que o ambiente proporcionava uma sessão única:

“Foi muito impressionante para mim ver essa estrutura que respeita o cinema montada na areia da praia e com adesão absurda do público. Acho que temos muita sorte de ter espaços como esses para debater sobre cinema e se encontrar”, declarou Juliano ao Canal Brasil.

BÔNUS: CURTAS GOSTOSENSES

Óbvio que não podíamos deixar este texto sem destacar a beleza dos curtas gostosenses, começando pelo vencedor do Prêmio Laces, Júlia Porrada (2019) de Igor Ribeiro que contou a história de uma moradora local.

Labirinteiras (2019), Ando Me Perguntando (2019) e Carta Branca (2019) foram os outros títulos que cativaram os nativos e os visitantes também. O momento ainda era de celebração, uma vez que, o curta O Grande Amor de Um Lobo (2018) acabara de conquistar um prêmio internacional em Los Angeles.

Bom a lista poderia ter mais itens, mas você pode rever a qualquer momento nossas redes sociais e relembrar todos eles.

Viva o cinema! Que venha a 7ª edição. Até qualquer hora!

A 6ª Mostra de Cinema de Gostoso é uma realização da Heco Produções, do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC) e da Guajirú Produções. Apresentação: Ministério da Cidadania. Patrocínio: Grupo Banco Mundial, Governo Cidadão, Governo do Rio Grande do Norte – Secretaria de Turismo (SETUR), BRDE, FSA, ANCINE e Sprite. Apoio: Laces, Potiporã, SEBRAE RN, Itograss, Pousada dos Ponteiros, Serveng, Gol, Elo Company, DOT, ETC, Video Shack, Mistika, ON Projeções, BrLab, Marcenaria SMG, Fundação José Augusto e Lei Câmara Cascudo. Apoio Institucional: Prefeitura Municipal de São Miguel do Gostoso.

PACARRETE SAI COMO MAIOR VENCEDOR DA 6ª MOSTRA DE CINEMA DE GOSTOSO

Filme premiado com oito kikitos do Festival de Cinema de Gramado é ovacionado em São Miguel do Gostoso onde conquistou três prêmios.

POR AILTON RODRIGUES
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

A noite desta última terça-feira (12) foi a celebração dos vencedores da 6ª edição da Mostra de Cinema de Gostoso que abrilhantou a cidade durante os últimos cinco dias. Com três prêmios o longa metragem Pacarrete, de Allan Deberton, foi o maior vencedor da noite.

O filme conta a história real de uma bailarina já mais velha tida como louca que vivia no interior do Ceará, ela tentava demonstrar sua arte, mas percebia que não reconheciam. Com este enredo carismático que mescla com o drama, o filme cativou o público de São Miguel do Gostoso que lhe concedeu o Prêmio Luís da Câmara Cascudo do júri popular, Prêmio da Imprensa e o Prêmio Dot Cine (DCP de longa metragem).

“Ela reclamava bastante que era uma bailarina que não tinha espaço para sua arte. Ela queria morrer fazendo ballet, queria morrer sendo artista e ela, enfim, acabou falecendo, sendo conhecida como a louca e não como essa bailarina bem sucedida que quis ser”, disse Allan Deberton ao G1.

Tanto a protagonista Marcélia Cartaxo – A Hora da Estrela (1985), Madame Satã (2002) – como o diretor Allan Deberton estavam na cidade e receberam os prêmios de forma emocionada. A recepção do filme emocionou Allan, que inclusive, elogiou o festival e chegou a afirmar que a Mostra de Cinema de Gostoso era a “Cannes do Nordeste”.

Todavia, a cerimônia de encerramento teve mais emoções e um toque potiguar todo especial, afinal quatro troféus foram para obras do RN. Destaque para a obra gostosense Júlia Porrada que levou um dos prêmios dedicados pelos patrocinadores do evento e de quebra rendeu uma verba para produção dos próximos filmes do Coletivo Nós do Audiovisual. Além disso, a reação da população com o anúncio do filme da personagem quase folclórica da cidade foi comemorado como se fosse um gol.

Igor Ribeiro recebe troféu na Mostra (Foto: arquivos Mostra de Cinema de Gostoso)

Veja todos os vencedores:

*ELO COMPANY:
Em Reforma (Diana Coelho – RN)

*MISTIKA:
Quebramar (Cris Lyra – SP)

*PRÊMIO VIDEOSCHACK (RECURSOS DE ACESSIBILIDADE):
Plano Controle (Juliana Antunes – MG)

*PRÊMIO LACES – NÓS DO AUDIOVISUAL:
Julia Porrada (Igor Ribeiro – RN)

*PRÊMIO DOT CINE (FINALIZAÇÃO DE CURTA METRAGEM)
A Parteira (Catarina Doolan – RN)

*PRÊMIO DOT CINE (DCP SE LONGA METRAGEM)
Pacarrete (Allan Deberton – CE)

*IMPRENSA – MELHOR CURTA:
Sete Anos em Maio (Afonso Uchôa – MG)

*IMPRENSA – MELHOR LONGA:
Pacarrete (Allan Deberton – CE)

*JÚRI POPULAR – MELHOR CURTA:
A Parteira (Catarina Doolan – RN)

*JÚRI POPULAR – MELHOR LONGA:
Pacarrete (Allan Deberton – CE)

*MENÇÃO HONROSA:
Fendas (Carlos Segundo – RN)

O Contador continua de olho. Até qualquer hora.

O CONTADOR VIU: PACARRETE

Premiado e aplaudido por onde passou Pacarrete encanta e emociona com uma história autêntica, feliz e triste.

POR IASLAN NASCIMENTO

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Marcélia Cartaxo interpreta Pacarrete – Foto: Luiz Alves

Apresentado para o público durante a Mostra de Cinema de Gostoso, o longa metragem Pacarrete é uma obra de arte que foi aclamada pela população gostosense e rendeu tantos aplausos que o diretor Allan Deberton elogiou o festival como a “Cannes do Nordeste”.

Voltando ao filme, Pacarrete do diretor Allan Deberton (primeiro longa dele) traz a história da bailarina aposentada que busca reconhecimento em sua cidade natal Russas (Ceará). Com uma trama centrada na personagem principal e seu desejo de se apresentar em sua cidade e ter o reconhecimento que outrora teve na capital.

O filme é lindo, com uma estética baseada na la belle epoque francesa em meados dos anos 70 e 80, principalmente nos figurinos usados pela protagonista, Pacarrete, que é interpretada magistralmente pela atriz Marcélia Cartaxo – A Hora da Estrela (1985) e Madame Satã (2002). Personagem essa que é completamente erudita com muitas referencias a música clássica e ao ballet claro.

Além de uma história muito bem contada com muitas pitadas de drama e alegria, o ponto que mais ficou na minha memória foi a trilha sonora. As músicas e os efeitos sonoros presentes no filme, eles se encaixam perfeitamente e formam uma sinergia enorme.

Aliás, o próprio diretor admitiu que grande parte do orçamento foi dedicado na compra dos direitos de algumas canções como “Douce France”, de Charles Trenet, “We Don’t Need Another Hero” de Tina Turner (da trilha de “Mad Max”), passando por Belchior (“Coração Selvagem”), por “Ritmo da Chuva”, na voz da francesa Sylvie Vartan, e chegando a peças eruditas de Tchaikowsky e Saint-Saëns.

Se você precisa de uma referência ou algo parecido a essa trilha basta lembrar das trilhas de Amelie Poulain um dos grandes filmes franceses “recentes”. Com um tom clássico e romântico na maioria das vezes. Se esse filme concorresse ao Oscar e eu votasse, com toda certeza esse séria o meu voto na sessão de trilha sonora.

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A atriz Marcélia Cartaxo e o Diretor Allan Deberton recebendo um dos oito prêmios em Gramado.

Os personagens coadjuvantes não são tão explorados, pois esse filme é claramente só para a protagonista, apesar dos coadjuvantes serem acionados sempre em momentos chave o que torna sua participação sempre importante. Dito isto é importante ressaltar o trabalho da atriz Marcélia Cartaxo que está na tela cerca de 90% do filme e em nenhum momento entrega menos que a perfeição.

Um ponto bem interessante exposto durante o debate sobre o filme, é que o diretor conheceu pessoalmente a Pacarrete, claro que ainda criança, mas nutriu em si a marcante bailarina taxada por muitos em sua cidade como louca. A frase do diretor durante o debate que ficou marcada foi ” Ela queria ser lembrada na cidade, e agora vai ser para sempre” .

E assim termino mais esse texto, desejo a todos coragem para sempre seguir seus sonhos assim como a Pacarrete!

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ARTES CONCEITUAIS DA MOSTRA MESCLA AVE DO NORDESTE COM CORES PODEROSAS

Casal de artistas plásticos fizeram uma arte especial para o evento com a simbologia de uma ave tipicamente do Nordeste.

POR AILTON RODRIGUES
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

Arte conceitual da 6ª Mostra de Cinema de Gostoso.

A 6ª Mostra de Cinema de Gostoso acontece de 08 a 12 de novembro na cidade aonde o vento faz a curva e um dos detalhes que sempre chamam a atenção é justamente as artes visuais que estamparão os espaços das sessões.

Em 2019, será a primeira vez que haverá um personagem símbolo como “mascote” da Mostra: a gravura da ave meio humana que protege consigo um ovo foi desenvolvida por um casal de artistas de São Paulo, Guilherme Neumann e Lara Alcântara, que juntos formaram a empresa Toco Oco onde trabalham com variadas formas de arte como escultura, pinturas, bordados, etc.

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Guilherme Neumann e Lara Alcântara são o casal que ilustraram a arte conceitual da Mostra.

De acordo com Matheus Sundfeld, diretor geral da Mostra, a inspiração veio da ave Arribaçã que é encontrada no sertão nordestino e a indicação dos artistas foi dada pelas responsáveis da identidade visual do festival, Luciana Fachini e Marina Oruê. Um histórico do evento junto com a sugestão da ave foram encaminhados para os artistas que se responsabilizaram de produzir a gravura dando junto as cores predominantes desta edição que são o preto, branco e vermelho.

“Nesse momento de conturbação política e seguidas catástrofes ambientais, esse pássaro representa a força e a fragilidade, além da necessidade de protegermos aquilo que consideramos importante, essencial”, diz o briefing da Mostra nas redes sociais.

Nós vamos acompanhar a Mostra de Cinema de Gostoso! Siga nossas redes sociais!