PACARRETE SAI COMO MAIOR VENCEDOR DA 6ª MOSTRA DE CINEMA DE GOSTOSO

Filme premiado com oito kikitos do Festival de Cinema de Gramado é ovacionado em São Miguel do Gostoso onde conquistou três prêmios.

POR AILTON RODRIGUES
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN

A noite desta última terça-feira (12) foi a celebração dos vencedores da 6ª edição da Mostra de Cinema de Gostoso que abrilhantou a cidade durante os últimos cinco dias. Com três prêmios o longa metragem Pacarrete, de Allan Deberton, foi o maior vencedor da noite.

O filme conta a história real de uma bailarina já mais velha tida como louca que vivia no interior do Ceará, ela tentava demonstrar sua arte, mas percebia que não reconheciam. Com este enredo carismático que mescla com o drama, o filme cativou o público de São Miguel do Gostoso que lhe concedeu o Prêmio Luís da Câmara Cascudo do júri popular, Prêmio da Imprensa e o Prêmio Dot Cine (DCP de longa metragem).

“Ela reclamava bastante que era uma bailarina que não tinha espaço para sua arte. Ela queria morrer fazendo ballet, queria morrer sendo artista e ela, enfim, acabou falecendo, sendo conhecida como a louca e não como essa bailarina bem sucedida que quis ser”, disse Allan Deberton ao G1.

Tanto a protagonista Marcélia Cartaxo – A Hora da Estrela (1985), Madame Satã (2002) – como o diretor Allan Deberton estavam na cidade e receberam os prêmios de forma emocionada. A recepção do filme emocionou Allan, que inclusive, elogiou o festival e chegou a afirmar que a Mostra de Cinema de Gostoso era a “Cannes do Nordeste”.

Todavia, a cerimônia de encerramento teve mais emoções e um toque potiguar todo especial, afinal quatro troféus foram para obras do RN. Destaque para a obra gostosense Júlia Porrada que levou um dos prêmios dedicados pelos patrocinadores do evento e de quebra rendeu uma verba para produção dos próximos filmes do Coletivo Nós do Audiovisual. Além disso, a reação da população com o anúncio do filme da personagem quase folclórica da cidade foi comemorado como se fosse um gol.

Igor Ribeiro recebe troféu na Mostra (Foto: arquivos Mostra de Cinema de Gostoso)

Veja todos os vencedores:

*ELO COMPANY:
Em Reforma (Diana Coelho – RN)

*MISTIKA:
Quebramar (Cris Lyra – SP)

*PRÊMIO VIDEOSCHACK (RECURSOS DE ACESSIBILIDADE):
Plano Controle (Juliana Antunes – MG)

*PRÊMIO LACES – NÓS DO AUDIOVISUAL:
Julia Porrada (Igor Ribeiro – RN)

*PRÊMIO DOT CINE (FINALIZAÇÃO DE CURTA METRAGEM)
A Parteira (Catarina Doolan – RN)

*PRÊMIO DOT CINE (DCP SE LONGA METRAGEM)
Pacarrete (Allan Deberton – CE)

*IMPRENSA – MELHOR CURTA:
Sete Anos em Maio (Afonso Uchôa – MG)

*IMPRENSA – MELHOR LONGA:
Pacarrete (Allan Deberton – CE)

*JÚRI POPULAR – MELHOR CURTA:
A Parteira (Catarina Doolan – RN)

*JÚRI POPULAR – MELHOR LONGA:
Pacarrete (Allan Deberton – CE)

*MENÇÃO HONROSA:
Fendas (Carlos Segundo – RN)

O Contador continua de olho. Até qualquer hora.

O CONTADOR VIU: PACARRETE

Premiado e aplaudido por onde passou Pacarrete encanta e emociona com uma história autêntica, feliz e triste.

POR IASLAN NASCIMENTO

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Marcélia Cartaxo interpreta Pacarrete – Foto: Luiz Alves

Apresentado para o público durante a Mostra de Cinema de Gostoso, o longa metragem Pacarrete é uma obra de arte que foi aclamada pela população gostosense e rendeu tantos aplausos que o diretor Allan Deberton elogiou o festival como a “Cannes do Nordeste”.

Voltando ao filme, Pacarrete do diretor Allan Deberton (primeiro longa dele) traz a história da bailarina aposentada que busca reconhecimento em sua cidade natal Russas (Ceará). Com uma trama centrada na personagem principal e seu desejo de se apresentar em sua cidade e ter o reconhecimento que outrora teve na capital.

O filme é lindo, com uma estética baseada na la belle epoque francesa em meados dos anos 70 e 80, principalmente nos figurinos usados pela protagonista, Pacarrete, que é interpretada magistralmente pela atriz Marcélia Cartaxo – A Hora da Estrela (1985) e Madame Satã (2002). Personagem essa que é completamente erudita com muitas referencias a música clássica e ao ballet claro.

Além de uma história muito bem contada com muitas pitadas de drama e alegria, o ponto que mais ficou na minha memória foi a trilha sonora. As músicas e os efeitos sonoros presentes no filme, eles se encaixam perfeitamente e formam uma sinergia enorme.

Aliás, o próprio diretor admitiu que grande parte do orçamento foi dedicado na compra dos direitos de algumas canções como “Douce France”, de Charles Trenet, “We Don’t Need Another Hero” de Tina Turner (da trilha de “Mad Max”), passando por Belchior (“Coração Selvagem”), por “Ritmo da Chuva”, na voz da francesa Sylvie Vartan, e chegando a peças eruditas de Tchaikowsky e Saint-Saëns.

Se você precisa de uma referência ou algo parecido a essa trilha basta lembrar das trilhas de Amelie Poulain um dos grandes filmes franceses “recentes”. Com um tom clássico e romântico na maioria das vezes. Se esse filme concorresse ao Oscar e eu votasse, com toda certeza esse séria o meu voto na sessão de trilha sonora.

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A atriz Marcélia Cartaxo e o Diretor Allan Deberton recebendo um dos oito prêmios em Gramado.

Os personagens coadjuvantes não são tão explorados, pois esse filme é claramente só para a protagonista, apesar dos coadjuvantes serem acionados sempre em momentos chave o que torna sua participação sempre importante. Dito isto é importante ressaltar o trabalho da atriz Marcélia Cartaxo que está na tela cerca de 90% do filme e em nenhum momento entrega menos que a perfeição.

Um ponto bem interessante exposto durante o debate sobre o filme, é que o diretor conheceu pessoalmente a Pacarrete, claro que ainda criança, mas nutriu em si a marcante bailarina taxada por muitos em sua cidade como louca. A frase do diretor durante o debate que ficou marcada foi ” Ela queria ser lembrada na cidade, e agora vai ser para sempre” .

E assim termino mais esse texto, desejo a todos coragem para sempre seguir seus sonhos assim como a Pacarrete!

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