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CONTOS (+18) – QUEM DERA

POR FÁBIO CHAP

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Quem dera eu te esquecesse NUM GOLE.

Quem dera a sorte batesse à minha porta e fizessem essas tortas lembranças irem embora PRA SEMPRE.

Mas as lembranças não só ficam, como me caçam pela madrugada.

É lá, no meio do bar, que eu lembro da tua cintura e do teu cabelo. Da minha boca sufocada de prazer enquanto você rebolava nosso amor na minha língua.

Eu tento outros corpos e eles parecem tão mornos. Eu tento muitos copos e eles deixam muito claro que seu beijo era raro. Que seu corpo era meu encontro com o ápice da vida.

Minha cabeça tá toda invertida. Nos meus sonhos eu te fodo forte. Quando acordo, meu dia está todo fudido. Quando o sol nasce, fica claro o perigo de não te esquecer tão cedo.

Eu tenho medo de te amar pra sempre… Sem você presente.

 

O Fábio Chap é um escritor que fala sobre arte, política e sexo! O Contador de Causos republica algumas das suas histórias!

EU SINTO O SAMBA NAS MINHAS VEIAS

POR RAFAEL OLIVEIRA

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Eu sinto o samba nas minhas veias
Nelas pulsam um sangue de bandido
Eu não quero ser é o cidadão de bem
Que grita e chama político de mito
Que na prática faz diferente da teoria
Lutando sempre por si e nunca pelo coletivo

Eu sou bandido com muito orgulho
Não defendo nenhum branco privilegiado
Não apoio traficante pra presidente
muito menos para o nosso senado
Não se faça de doido nem de cego
Eu falo do seu amigo Aécio o Noiado

Lógico que foi só uma brincadeira
Eu também to aqui brincando
Faço verso faço rima faço samba
E vou lhe dá uma aula rimando
Sou sambista e sou bandido
Mas não me junto com o Feliciano

Se cidadão de bem é ser igual
Ao Silas Malafaia e ao Datena
Eu prefiro um samba no Presídio
Pois lá eles já estão pagando à pena
Talvez Deus esteja mais alí
Do quê com Crivela fazendo cena

Preste atenção que o papo é reto
Sou malandro e tô na marginalidade
Então escute ou pegue essa visão
Pois luto por minha ancestralidade
Um povo que sofreu e apanhou
Lutando pelo óbvio que é a dignidade

Se bandido é bater de frente
Com quem lucrou com a escravidão
Então pode me chamar pra essa roda
Que vai ter Samba e muito feijão
Pois o crime maior é se calar
Diante de piada sem noção

Ser Bandido é andar ao lado do povo
Como faz Leci e Zeca Pagodinho
É ensinar o que é humildade e amor
Como faz Arlindo pra o Arlindinho
É tocar o coração com a viola
Iguazinho ao o mestre Paulinho

Cartola com sua bandidagem
Ensinou que o mundo é um moinho
Dona Ivone Lara mostrou minha raiz
Dizendo que vim de la pequenininho
Candeia deixou pra nosso povo
Um testamento bem esmiuçaduzinho

Noel Rosa também era bandido
E fez música respondendo a burguesia
“Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava
Dessa gente que cultiva hipocrisia”

Eu prefiro ser da bandidagem
É melhor que esse modelo de cidadão
Modelo esse atrasado e fracassado
Que não respeita o seu irmão
Diz que nossa luta é vitimismo
Mas não estudou a história da nação

O Samba sempre está enganjado
Com nossos problemas sociais
Bezerra Da Silva e suas músicas
Mostram que são bem atuais
O samba ta do lado do povo
Lutando sempre por direitos Iguais

Eu termino essa brincadeira
Tentando aflorar uma reflexão
Já que sou bandido e tenho meu lado
Quero saber qual é o seu irmão?
Se é ao lado desses Cidadãos de bem
Ou ta no samba batendo na palma da mão?

#rafaoliveirapotiguar

EPISÓDIO 01: Ô, SAUDADE!

#EuContadorEP01 – Série “Eu, Contador” começa os trabalhos com o depoimento de Dona Carmina, 92 anos, ex-moradora do Antônio Conselheiro e Frejó.

POR AILTON RODRIGUES
ANT. CONSELHEIRO, S.M. DO GOSTOSO.

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Foto: Fernando da Hora / JC Imagem.

“Acordava cedinho, bem antes do sol nascer já estava batendo nas panelas para preparar o café, a tarefa do dia seria raspar mandioca… Eu gostava mesmo era de ir plantar.

Dentro da casa de farinha, eu tirava goma e raspava mandioca juntamente com minhas filhas e outras mulheres. No roçado eu plantava feijão, algodão, milho, macaxeira e jerimum (no meu roçado meus jerimuns não eram bons, ficavam “cheio de água”).

Quando era na época das castanhas todo mundo tinha função, alguns apanhavam, outros descastanhavam e outros ensacavam. Na verdade, eu juntava as mocinhas daquele tempo para trabalhar pra mim, elas queriam dinheiro para ir na festa do fim de ano de Touros e eu dava de acordo com a produção.

O que eu sei mesmo é que eu sinto falta desse tempo, as famílias eram mais unidas e não existia essas desavenças que a gente vê hoje (…) eu juntava todos os meus filhos pra comer sentados em um surrão que ficava estirado no chão, me sentia uma galinha cercada de pintinhos”.

***

A personagem desse primeiro episódio foi Dona Carmina uma ex-moradora do Frejó que hoje infelizmente já não está mais entre nós.

Nas vésperas de completar seus 92 anos (em 2016) ela havia dado este depoimento para nosso contador, Ailton Rodrigues. Apesar de na época não aparentar estar 100% saudável, ela conseguia se comunicar bem, andava e ainda fazia todos rirem com suas histórias e peripécias.

Dona Carmina faleceu no mesmo ano que nos contou esta história.

A série “Eu, Contador” é uma sequência de histórias e causos narrados por nossos leitores. Envie para nós a sua história, o seu causo, nos indique alguém! Mande mensagens para ocontador.causos@gmail.com.

O Contador está de olho na nossa gente. Até qualquer hora!

GALERIA DO CONTADOR: CONFIRA O 1º DIA DO FLIGOSTOSO

O Contador de Causos preparou uma galeria especial para você ver o que aconteceu no primeiro dia do Festival Literário.

POR AILTON RODRIGUES
FOTOS ARICLENES SILVA
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN.

O Festival Literário de Gostoso (FliGostoso) começou nesta última quinta-feira (28) e o Contador de Causos resolveu mostrar para você o que de mais relevante aconteceu por meio de imagens registradas por Ariclenes Silva.

O dia teve mais de 12 eventos com participação de várias crianças e adolescentes do município, foram cerca de 500 visitantes! Confira:

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Nós continuamos de olho na FliGostoso. Até qualquer hora!