IDEB DE GOSTOSO CAI PELA PRIMEIRA VEZ DESDE QUE ÍNDICE COMEÇOU A SER MEDIDO

IDEB dos municípios divulgado nessa segunda (03) revela primeira queda de desempenho de São Miguel do Gostoso desde que o índice começou a ser medido.

POR RICARDO ANDRÉ
SÃO MIGUEL GOSTOSO/RN

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O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) divulgou nesta última segunda-feira (03) as notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) referentes ao ano de 2017 e mostrou o que o povo já sentia, a queda da qualidade na educação básica de São Miguel do Gostoso.

Os números são preocupantes, na análise da primeira etapa do ensino fundamental (5º ano), Gostoso amargou sua primeira queda, de 4,8 passou para 4,5, uma queda de 6,25%, mas ainda ficou acima da meta, 4,1. Essa etapa do ensino vinha em ascensão desde 2005 com uma média de 10% de crescimento a cada ano e de repente despencou.

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Na etapa final do ensino fundamental (9º ano) o resultado foi ainda pior, passou de 3,5 para 3,1, uma queda de 8,33% e deixou Gostoso fora da meta estabelecida pelo MEC, que era de 3,7. Nessa etapa (que é a passagem para o ensino médio) o município ficou 16% abaixo da meta, uma queda brusca. Para reforçar ainda mais os dados, diminuiu o número de aprovados no IFRN ao longo dos anos.

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Os recursos abundantes das eólicas em 2015 e 2016 não refletiram resultados na educação, nem tão pouco o falado “desenvolvimento turístico” de São Miguel do Gostoso gerou reflexos positivos na educação. Tivemos sim, uma ampliação da rede particular em detrimento da rede pública e pioraram os serviços na educação, não é segredo para ninguém que hoje transporte, merenda e material didático são problemas permanentes na educação gostosense.

Esse ano o núcleo local do SINTE/RN apontou diversas irregularidades nos serviços da educação pública, mas de lá para cá, quase nada mudou, os problemas permaneceram os mesmos.

O fim das coordenações de pólo desencadearam a falta de controle de gestão administrativa e pedagógica nas comunidades rurais, logicamente a Secretaria de Educação com sua dificuldade tradicional de transporte não conseguiria ajustar o problema de tantas escolas por controle remoto.

OPINIÃO – TRAGÉDIA ANUNCIADA

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São Miguel do Gostoso não pode continuar com as tristes notícias que envolveram a educação nos últimos meses. Vivemos tempos de crise onde sabemos que administrar segue sendo o principal caminho onde a velha tônica do educação e saúde devem ser o primordial nunca foi tão verdadeira e necessária.

Faltava merenda, falta transporte, falta acompanhamento pedagógico. O Contador e o SINTE já mostraram uma série de matérias com fundamento em dados e registros que provam isso de trás para frente, mas continuam falando que o problema não existe.

Acima citamos os chamados coordenadores de pólos, eles cuidavam de 3 a 4 escolas dos distritos e eram responsáveis por dar suporte aos projetos dos professores, registrar livros de ponto, marcar reuniões de pais e mestres, receber e encaminhar lista de materiais didáticos para serem comprados pela Secretaria de Educação, resolver pequenas pendências das escolas como falta de gás, promover reuniões dos professores e análise de avaliações, dentre outras coisas… Foram extintos em 2013 por serem julgados como “desnecessários” pelas palavras do Secretário de Educação da época.

Atualmente existe o Diretor de Núcleo de Educação de Campo e seu vice para tomar conta de todas as 14 escolas rurais. Sinceramente, mesmo com os diretores em quatro destas escolas, vocês acham que eles cobrem toda a demanda? Está claro que não. Mas, penso que este não é o único problema, afinal a nota do IDEB também envolve a sede, porém vale a pena refletir.

Esperamos ansiosamente que possamos discorrer no IDEB de 2019 que esses números tristes ficaram para trás, pois o que está em cheque aqui não é a obtenção ou não da meta do IDEB, mas a primeira queda em mais de 10 anos.

Nós continuamos de olho. Até qualquer hora!

Autor: Ricardo André

Professor de Matemática, produtor cultural e tesoureiro do Espaço TEAR (CDHEC)