Análise: ao trazer filmes de todas as regiões do país, Mostra de Cinema de Gostoso demonstra mais um vez sua importância social

Feito só aconteceu em 2014 quando evento teve seu maior número de obras selecionadas, agora em 2022 objetivo parece de retomar a representatividade do país e mostrar que educação ainda tem poder de mudar realidades.

Por Ailton Rodrigues

Cena de Marte Um (Foto: Reprodução)

Desde que a Mostra de Cinema de Gostoso nasceu em 2013 o objetivo de inserir a linguagem cinematográfica para jovens e adolescentes de todo o município de São Miguel do Gostoso foi transpassado para um verdadeiro movimento de transformação social.

Ainda em 2022 foi iniciada uma nova turma com 30 jovens que por meio dos cursos técnicos estão aprendendo conteúdos de inserção ao audiovisual como roteiro, linguagem cinematográfica, design de produção, dentre outros. A fórmula é baseada em uma tríade de sucesso: os alunos recebiam a formação teórica, a executavam na produção de obras cinematográficas e exibiam na Mostra de Cinema de Gostoso. Era o mecanismo perfeito que formaria o Coletivo Nós do Audiovisual.

Uma pesquisa realizada pelo Contador de Causos no ano passado com 57 alunos dentre as turmas de 2013 à 2021 comprovou que a grande maioria deles tiveram suas perspectivas impulsionadas ao ter contato com os cursos. 82,4% afirmaram, por exemplo, que sua carreira profissional e/ou acadêmica foi influenciada pelo que aprenderam no audiovisual, com isso 59,65% já haviam terminado o Ensino Médio e 24,56% já estavam dentro do Ensino Superior.

Turma do curso de formação em audiovisual de 2013 (Foto: Facebook / Mostra de Cinema de Gostoso)

Contudo, isso é só uma ponta do iceberg que o impacto da Mostra trouxe. Além da implicação no turismo local com mais de 2 mil pessoas frequentando a cidade no período do festival, o evento traz uma inserção do povo à cultura do seu próprio país por tantas vezes desconhecida ou estigmatizada.

Na 2ª edição da Mostra, realizada em 2014, foram exibidos 63 filmes de 13 estados brasileiros sendo abrangidas todas as regiões do país, feito esse que só está sendo repetido agora em 2022 quando houve a divulgação das 23 obras da 9ª edição.

O ato da curadoria demostra dois grandes objetivos, o primeiro é que ainda há intenção de inserir variadas abordagens culturais na Mostra, fazendo não só os alunos, mas toda a comunidade ser parte desse grande intercâmbio de vivências.

Algo que deveria ser garantido pelo Estado com o diz a Constituição:

Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais – Constituição Federal (1988).

O segundo objetivo é consolidar a MCG como uma das maiores do Nordeste e uma das mais representativas do país sendo esse um bom início para internacionalização da Mostra, um desejo que já vem de algum tempo pelos idealizadores.

Mostra de Cinema de Gostoso em 2021 (Foto: Facebook / Mostra de Cinema de Gostoso)

Em síntese, a Mostra segue sendo importante na visibilidade de Gostoso para o cenário nacional e ainda tem relevância socioeducativa. Nós continuamos de olho na MCG.

Até qualquer hora!

Autor: Ailton Rodrigues

Técnico em Informática (IFRN), que adora esportes e jornalismo, estando sempre disponível para bons papos. Coordenador de Comunicação do clube de futebol TEC (Tabua Esporte Clube), membro do Conselho do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC), comunicador da Mostra de Cinema de Gostoso. Formado em Pedagogia (UFRN).