PREFEITA DE GOSTOSO ABRE O JOGO E REVELA QUE TAMBÉM NÃO ESTÁ SATISFEITA COM SUA GESTÃO

Em entrevista exclusiva para o Contador de Causos, Fafá revela projetos futuros da prefeitura e faz declarações de peito aberto: “precisamos fazer muito ainda”.

POR AILTON RODRIGUES E AUXILIADORA RIBEIRO
SÃO MIGUEL DO GOSTOSO.

A prefeita de São Miguel do Gostoso, Maria de Fátima, cedeu uma entrevista exclusiva para o Contador de Causos neste último fim de semana. A conversa durou cerca de uma hora na Secretaria de Agricultura.

DSC_0053

Provavelmente o termo mais usado por Fafá nas respostas as perguntas que exigiam uma explicação sobre gastos foi justamente a falta de recursos, mas ela sempre ressalta a vontade de fazê-los. Vários temas foram abordados no bate papo, como educação, saúde, turismo e agricultura, além disso, a promessa da realização de vários projetos deixou um gostinho de curiosidade.

Sem mais delongas, confira o que Fafá falou para os nossos jornalistas:

A presidência da Câmara dos Vereadores hoje é de oposição. Esse fator pode atrapalhar a sua gestão nos próximos dois anos?

A câmara é um poder independente. Eu entendo que não posso chamar Beto de oposição porque na verdade todos éramos um grupo só. Quando eles falam em oposição eu entendo, assim como eu falei no discurso de posse, que o papel do vereador é legislar e fiscalizar, então independente do presidente ou demais vereadores serem da oposição, os vereadores da situação também terão essa mesma função.

Isso é uma coisa que não me preocupa, desde que eles não levem para o lado político, mas se estiverem lá para trabalhar em prol do município, da minha parte não tem problema nenhum com Beto ou qualquer que seja.

Comunicação realmente é uma falha na prefeitura?

Sim. As vezes percebemos que as secretarias trabalham isoladamente quando, na verdade, poderiam estarem juntas, uma contribuindo com a outra. Não é porque eu seja da Secretaria de Educação que não precisaria ou não teria conexão com a Secretaria de Assistência, de Turismo ou de Agricultura.

Acho que as secretarias são uma cadeia na qual uma precisa do trabalho da outra para que juntas o resultado possa aparecer, então eu confirmo que comunicação é uma falha. Inclusive é uma meta para 2015 que todas as secretarias façam uma reunião mensal, mostrando os relatórios dos seus trabalhos, para que uma saiba do que acontece na outra.

É uma falha que a gente detectou, temos consciência e estamos tentando melhorar.

O que do seu plano de gestão já foi concretizado?

Em dois anos conseguimos realizar bastante coisa. As secretarias estão produzindo um relatório do avanço que cada uma delas obtiveram para ser divulgada na primeira Sessão da Câmara. Muita coisa que fazemos não é publicada e eu não tenho esse estilo de ficar mostrando.

Eu posso lhe garantir que muito já foi feito.

A Fafá cidadã e moradora de Gostoso aprovaria a Fafá prefeita?

Eu posso dizer que precisamos fazer muito ainda, mas não foi pelo fato que Fafá não quis, mas porque a situação que os municípios vêm passando é gritante, basta olhar nos outros blogs dos outros municípios.

Por exemplo, o recurso que entrou em janeiro deste ano, ou seja, o primeiro repasse, foi 7% menor que o do mesmo período de 2013. Lembrando que já em 2015 temos o acréscimo de 8% do salário mínimo, 13% do piso dos professores e ainda tem o piso dos agentes de saúde, então com menos repasse só aumentou as contas e a responsabilidade, isso inviabiliza o gestor trabalhar nessa situação.

O que nós estamos fazendo? Contratamos uma nova assessoria jurídica onde estaremos fazendo um trabalho na tributação para ver se aumentamos nossa arrecadação. Ou é assim, ou então não se sustenta, assim como não se sustenta qualquer outro município.

Qual a maior dificuldade em comandar São Miguel do Gostoso?

Temos dificuldade em todas as áreas, porque a demanda é muito grande. Gostoso tem mais de dez mil habitantes e recebemos o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) relacionado aos municípios de porte 0,6, ou seja, é o menor repasse que vem. Por exemplo se um município tem 800 habitantes, Gostoso receberá o mesmo valor que este município, apesar de ter mais de dez mil.

Outro agravante é o de sermos muito extensos, nosso município tem 24 distritos, geralmente nos outros a população se concentra na sede e assim fica mais fácil ver a questão dos funcionários, como em relação as escolas. Nós temos praticamente uma escola por distrito, com professor, funcionários e fica tudo mais caro, o volume aumenta e inviabiliza a administração.

A demanda daqui é grande e ainda digo que nosso público é muito mais exigente do que em outros municípios. Na questão do turismo muitas pessoas que tem empreendimentos aqui, na verdade são de outros lugares com uma estrutura muito maior e eles querem que resolvamos as coisas com uma “varinha mágica”, de uma só vez, e infelizmente não é assim.

Temos muita vontade que seja assim, mas para fazer precisamos de recurso como em qualquer outra coisa que se faça. Portanto não atendemos a todos do jeito que gostaríamos.

Como você avalia o primeiro biênio do seu mandato?

Eu assumi em um momento que os municípios estão passando por dificuldades, então eu avalio que se tivéssemos condição estaríamos em uma situação melhor.

Mas entendo, tenho consciência, e sei que a população não está satisfeita e se eles estão dessa forma eu posso dizer que também estou assim. Sei que não faço ou não tenho feito porque não tenho condições de fazer e não por má vontade. Colocamos a realidade para a população, mas eles não entendem, eu respeito. Logicamente eles pedem as demandas e esperam ser atendidos, nós também esperamos atender. Por isso minha avaliação é de certa forma pessoal.

Para a prefeita qual a situação atual do município?

Todos devem perceber que Gostoso está crescendo, inclusive de uma forma tão rápida que nem estamos conseguindo acompanhar. Por isso que fica meio atropelado, por exemplo, Gostoso é lotado, mas falta infraestrutura, então quer dizer que há divulgação lá fora, mas não estamos preparados para receber tanta gente. Precisamos melhorar em outros aspectos. Oferecer melhor nossa área cultural.

Hoje temos o Centro de Cultura que está assim por causa da contribuição de um empresário que reside em Gostoso, porque se fosse depender dos nossos recursos ainda estaria deteriorado. Então foi um presente, não para mim, mas para o município e é um espaço que precisamos explorar mais.

O Centro vai ser gerido por um comitê, que já está selecionado, e vai ser feito o regimento interno, estabeleceremos também um cronograma de eventos, que será intensificado na alta estação, e o Espaço TEAR é um meio da gente viabilizar essa programação, porque são jovens da nossa terra que tem um potencial enorme.

O seu marido, o ex-prefeito João Wilson, de alguma forma está beneficiando ou prejudicando sua gestão?

No meu ponto de vista ele ajuda, mas eu não posso negar que ele tem uma rejeição por parte das pessoas, ao qual eu não sei explicar, mas pessoalmente eu creio que ajuda.

Ao circular os distritos percebe-se que a população espera ver mais a prefeita. Você acha que os distritos são realmente mais carentes desse cuidado da sua gestão?

Eu confesso que circulei pouco nos distritos. É uma falha minha que muitos cobraram, mas não foi porque eu não quis. As pessoas gostam de ter a prefeita nas comunidades, por exemplo se for uma secretária eles nem dão muita importância, mas se for a gestora é outra coisa.

Eu tenho consciência, mas vou retomar porque sei que é muito importante.

O que impede a prefeitura de gastar os recursos dos projetos que estão parados na conta municipal?

A parte burocrática. Os recursos estão assegurados, estão na Caixa Econômica, mas é muito exigente, encaminhamos o projeto e quando chega lá falta um documento ou uma relação e tudo isso leva tempo. A entrada da cidade, por exemplo, a tempos está sendo batalhada, mas só vai ser retomada agora, depois de dois anos

Porque há diferença nos salários entre concursados e contratados?

Quando fazemos um Concurso Público o valor do salário já está no edital, e eles tem direito ao piso salarial enquanto o contratado não. Então quem tem direito legal de receber o piso são os efetivos, os outros nós negociamos.

Inclusive, ano passado chamamos os professores contratados, porque eles recebiam no ano anterior um valor igual ao dos concursados, devido à dificuldade ao qual o município estava passando acordamos com eles para pagar mil reais por professor. Se não tivéssemos feito isso estaríamos passando pela mesma situação de 2013, onde eu não tive como pagar o décimo terceiro e em 2014, graças a Deus, conseguimos cumprir.

É uma questão de negociação e de termos a responsabilidade de minimizar os problemas em relação aos funcionários.

O que impede São Miguel do Gostoso ter um novo concurso público?

O Limite Prudencial. Hoje 80% dos municípios estão com esse limite acima do que a lei permite, então enquanto não conseguirmos baixá-lo não podemos fazer Concurso Público e garantir chamar o número de vagas que disponibilizarmos. O Limite Prudencial entra exatamente na folha de pagamento.

Existe plano de investimento em competições de cunho intelectual como as Olímpiadas de Informática e Matemática tanto municipal como intermunicipal?

Não. Infelizmente não.

A reforma das escolas já está com dinheiro na conta. Porque essas obras estão incompletas e algumas nem começaram?

Houve uma licitação e a empresa que ganhou nos deu problemas porque não concluiu a obra nem atendeu os prazos. Por isso ela foi afastada e sofreu uma série de penalidades como a de não participar de nenhuma licitação em Gostoso por três anos.

O engenheiro já fez o levantamento de um novo saldo e entrou com uma nova licitação.

Porque a creche municipal não funcionou em 2014? A reforma que paralisou os trabalhos da creche 3 vezes está acabada?

A creche sofreu com o mesmo problema de empresas que não cumpriam prazos, mas ele foi sanado. Estamos perfurando um poço e instalando o sistema de refrigeração ainda em janeiro onde ela vai estar apta a receber todos os alunos sem paralisações neste ano.

A Mostra de Cinema, o Auto de Natal, a Revista Guajirú são iniciativas que promovem a cultura, a educação e o lazer do município. Qual a participação da prefeitura nessas atividades?

Vou falar exatamente da Mostra de Cinema onde fizemos um esforço muito grande para estarmos apoiando, pois entendemos que é um evento de grande porte e divulga o município e nos dá outra conotação, culturalmente falando. Os munícipes têm a oportunidade de ter algo diferente aqui, além dos jovens estarem participando através das oficinas.

Gostaríamos de contribuir mais, no primeiro ano ajudamos menos, mas eu havia me comprometido com Eugênio Puppo para que em 2014 estivéssemos mais juntos. Não foi o ideal mas foi o que pudemos fazer.

Porque alguns distritos estão sem o serviço de transporte para a saúde?

Pelos mesmos motivos que já havia falado anteriormente, dificuldades, recursos. Todo contratado para fazer as viagens, embora saibamos que é um serviço importante e que nem todos os municípios o garantem, nós tentamos garanti-lo, mas não é fácil.

Quem presta o serviço quer receber o dinheiro, então por muitas vezes temos dificuldades em pagar, tanto a eles como outros fornecedores por causa da demanda, do volume, do número de munícipes.

Assim é na saúde como na educação, por exemplo nós mantemos 61 linhas de transporte escolar e isso é um número altíssimo para garantirmos. Por lei deveríamos apenas nos responsabilizar pelo ensino fundamental, mas tem o IFRN, os universitários, ou seja nossos carros rodam de domingo a domingo. No fim de semana tem o pessoal do Plataforma Freire, da UVA (UNIVERSIDADE VALE DO ACARAÚ?) e etc.

Apesar de não ser função nossa, nós asseguramos. Vejo muitas pessoas comentarem que vem dinheiro para isso e na verdade não vem, o recurso que vem de transporte é para o ensino fundamental. Mas fazemos isso porque entendemos que educação é uma coisa importante e forma cidadãos.

Porque a prefeitura cortou os serviços para consultas especializadas e de urgência?

Cortamos. Estávamos com psiquiatra, ginecologista e algumas especialidades que considerávamos importantes. No fim de cada ano temos que fechar as contas para retomar no próximo, então não estávamos com condições de garantir.

Avisamos aos médicos e a população que nesse momento iria parar mas que retomaria neste ano com a situação melhorar.

A população tem reclamado do atendimento dos servidores da unidade de saúde pelo uso do celular de médicos e técnicos. Que medidas a senhora pretende adotar?

Trabalhar com gente é muito difícil e muito complicado, sabemos que existe profissionais e “profissionais”, tem aqueles que zelam pelo seu profissionalismo. Mas é importante ressaltar que se algum usuário presenciar algo desse tipo, deve nos procurar e apontar que profissional fez isso, afinal de contas lá tem vários. Mas as reclamações que chegarem até nós, apuraremos e não tenha dúvida que tomaremos as medidas cabíveis.

Quais os planos de investimento no turismo?

É uma atividade crescente por aqui. Nas diversas vezes que fui a Brasília, tenho procurado emendas e projetos que nos ajudem a melhorar a questão de infraestrutura e saneamento, inclusive sobre este último temos um recurso garantido. Tentamos resolver a água que é outro problema seríssimo e que se agrava com a seca.

Temos um projeto para urbanizar a Praia do Tourinho, pois sabemos que esta praia é uma das mais visitadas. Da mesma forma, sabemos que lá não tem estrutura nenhuma, sem água, luz, com barracas improvisadas e precariedade na manipulação de alimentos, mas já estamos com projeto em processo de andamento.

Lá também não tem banheiro e este projeto já teve que passar por alterações porque o IDEMA não permite construções em alvenaria tão próximo da orla, então a Voltália vai auxiliar-nos com todos aqueles carreteis de madeira para que o piso e os quiosques sejam todos construídos com esse material, não agredindo o meio ambiente.

Há a intenção de municipalizar o trânsito?

A intenção há, mas esse projeto cai novamente na questão do Limite Prudencial, onde tem que ter uma estrutura de pessoal e nesse momento não é possível. Vamos agora regularizar o trânsito, também em parceria com a Voltália que vai nos disponibilizar o recurso para viabilização das placas de sinalização.

Daí a nossa intenção é que a Avenida dos Arrecifes se torne uma mão única e a volta seria das Rua dos Dourados pegando a rua da feira. Portanto mudaremos a feira de lugar que provavelmente será na extensão da Rua dos Dourados, lá na parte final. Creio que até o carnaval isso estará resolvido.

70% da população rural do município é de agricultores. Qual os planos e projetos que a prefeitura tem para esse setor?

Estamos sem secretário de agricultura, desde a saída de Hildemar, apenas há o coordenador de agricultura que é Iranildo, mas agora retomaremos para que encaminhemos assuntos desse setor.

Recebemos recentemente o superintendente do INCRA e já foi solicitado a Sala do Cidadão, que é um espaço onde será atendido especialmente o agricultor. Eles vão enviar o modelo para que eu esteja assinando e realizando oficialmente este pedido.

Os barreiros também, vão ser finalizados neste ano, que é um projeto antigo junto com a CPFL. É um projeto pioneiro onde esperamos que dê certo. Tem o Garantia Safra onde cumprimos a nossa parte juntamente com o Governo Federal e já ficamos sabendo que a parcela estará sendo disponibilizada em janeiro.

Através do INCRA também já firmamos a verba de 800 mil para o melhoramento das estradas que ligam os assentamentos. Além disso vai ser iniciada a escola do Antônio Conselheiro em parceria com o INCRA também. Com o restante remanescente estaremos viabilizando a construção de uma unidade de saúde para lá.

A feira livre vai ser realocada mesmo?

Ela vai ser realocada sim. Inclusive não só haverá a realocação como a padronização da feira, terá um espaço melhor e resolveremos assim o problema do trânsito.

Mensagem para os leitores do Contador de Causos.

Primeiramente gostaria de dizer que é um prazer estar participando desta iniciativa do blog que é um meio de comunicação com os demais. Eu entendo que hoje esta ferramenta é um meio de transparência, onde as pessoas podem ver o que está acontecendo.

Estou aberta e disponível todas as vezes que me procurarem, não demorem (risos). Obrigada.

O Contador de Causos estará de olho em todos esses projetos que a nossa prefeita deixou explícito. Além do mais ficou evidente que há vários problemas ao qual não há outro segredo para sua erradicação, a não ser planejamento e controle nos gastos.

Lembrando que você pode comentar, basta se identificar no espaço abaixo. Até a próxima!

*Limite Prudencial – estabelecido pela LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), que é de 51,2% dos gastos com pessoal. O último Relatório de Gestão Fiscal apresentado pela Prefeitura Municipal de São Miguel do Gostoso no Diário Oficial dos Municípios indicou que o Limite Prudencial se encontra em 59,2%.

Autor: Ricardo André

Professor de Matemática, produtor cultural e presidente do Espaço TEAR (CDHEC)

4 pensamentos

  1. Parabéns aos entrevistadores e a nossa entrevistada, palavras verdadeiras Fafa VC esta de parabéns, uma certa pessoa disse que a sinceridade a verdade pode até magoar alguem, mas o retorno é só alegria.

    Curtir

  2. Parabéns aos entrevistadores e a nossa Prefeita Fafá, q esclareceu a situação do nosso município para q a população entenda q n depende da vontade da gestão mais sim a situação( FALTA DE RECURSO). abraço!!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.