Turismo, paisagens naturais e crescente interesse de investidores impulsionam novos empreendimentos de alto padrão, com imóveis que chegam a R$ 4,8 milhões e atraem compradores brasileiros e estrangeiros.
Adaptado por Ailton Rodrigues
Original: Valor Econômico

A paisagem de São Miguel do Gostoso vem passando por uma nova transformação impulsionada pelo crescimento do mercado imobiliário voltado ao público de maior poder aquisitivo. Nos últimos anos, além da expansão do turismo, a cidade passou a atrair empreendimentos residenciais que combinam arquitetura, serviços e estrutura de lazer com propostas direcionadas tanto a compradores interessados em uso próprio quanto a investidores.
Um dos projetos que sinalizam essa nova fase é o Rua da Ponte, da incorporadora Proa Brasil. Assinado pelo escritório PSA Arquitetura, dos arquitetos Pablo Slemenson e Sophia Motta, o empreendimento terá 53 casas de uma ou duas suítes, inspiradas na arquitetura vernacular da região. As unidades poderão ser entregues equipadas e mobiliadas.
A proposta arquitetônica busca incorporar elementos associados à identidade nordestina, com utilização de materiais naturais, obras de artistas da região e soluções de menor impacto ambiental. O projeto de interiores é de Renata Matos e o paisagismo, de Gil Fialho.
Nas áreas comuns, o condomínio contará com beach lounge exclusivo, piscina suspensa com vista para o mar, academia, sala de massagem, sauna e espaço para guarda de equipamentos náuticos. A administração será realizada por uma empresa especializada, que também poderá atuar na locação e na manutenção das unidades.
Segundo André Alves, diretor de Engenharia da Proa Brasil, o empreendimento foi concebido para atender tanto moradores quanto investidores interessados em locação por temporada, considerando o fluxo de turistas estrangeiros que visitam o município.
Os imóveis têm preços entre R$ 480 mil e R$ 1,2 milhão. A primeira fase, com 19 casas, tem previsão de entrega para 2028.
Outro empreendimento de grande porte é o Ibitu Gostoso, localizado entre a orla da Praia da Ponta de Santo Cristo e a Lagoa do Cardeiro. O projeto prevê 107 casas em estilo contemporâneo, com quatro ou cinco quartos, rooftop e piscina privativa. Os imóveis são comercializados por valores que variam entre R$ 2,2 milhões e R$ 4,8 milhões.

De acordo com Rodrigo Vasconcelos, cofundador do Ibitu Group, responsável pelo empreendimento, a localização e as características naturais da região têm atraído compradores internacionais. Segundo ele, clientes europeus e canadenses já adquiriram unidades.
O movimento também aparece em outros projetos imobiliários instalados na região. O Vela Santo Cristo, da Vela Incorporadora, reúne 191 lotes, que já foram 100% vendidos. O empreendimento também conta com um condomínio anexo formado por 80 estúdios prontos, comercializados a partir de R$ 300 mil.
No Dune Beach & Villa, a estratégia adotada pelo projeto foi integrar a própria paisagem ao empreendimento. A duna existente entre os lotes e a praia foi preservada e passou a ocupar posição central na proposta paisagística. O projeto, do empresário italiano Stefano de Giuli, incluiu a recuperação da vegetação nativa, sistema de irrigação e o plantio de mais de três mil bromélias. À noite, uma iluminação de baixa intensidade transforma a área em uma espécie de trilha natural.
Segundo de Giuli, a decisão de preservar a duna contrariou inicialmente expectativas de parte do mercado, mas acabou sendo incorporada como elemento de identidade do empreendimento. O projeto já alcançou 80% de vendas, com lotes que podem chegar a R$ 1,1 milhão.
A variedade de projetos e os valores envolvidos indicam uma ampliação do perfil do mercado imobiliário de São Miguel do Gostoso, que passa a incorporar produtos de diferentes faixas, desde estúdios e lotes até casas de vários quartos com estruturas privativas e serviços semelhantes aos encontrados em empreendimentos turísticos de alto padrão.
Esse movimento acompanha a consolidação do município como destino turístico e amplia a presença de investidores interessados não apenas em residência, mas também na possibilidade de geração de renda por meio da locação de imóveis. Ao mesmo tempo, a expansão imobiliária acrescenta novas camadas à transformação urbana e econômica de uma cidade cuja principal característica continua sendo a combinação entre turismo, paisagem natural e identidade local.