Depois da confirmação da cassação, há 8 dias, Partido dos Trabalhadores (PT) se prendeu a uma postura neutra empregada em uma nota de 2025, enquanto seu principal filiado no município não abriu a boca desde então.
Por Ailton Rodrigues

Mais de 8 dias após o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) confirmar a manutenção da cassação da chapa eleita em 2024 em São Miguel do Gostoso, apenas o prefeito Léo de Doquinha (PSD) veio a público se pronunciar, por meio de vídeo, tentando explicar a situação à população.
Enquanto isso, o vice-prefeito João Eudes (PT) permanece em absoluto silêncio. Na prática, uma postura que apenas reforça a impressão de que sua participação dentro da atual gestão é quase inexistente.
Desde o início do governo, João Eudes pouco apareceu, pouco se posicionou e praticamente não assumiu protagonismo em debates importantes envolvendo a administração municipal. Agora, diante de um dos episódios políticos mais delicados da gestão, o silêncio chama ainda mais atenção.
Nem mesmo o Partido dos Trabalhadores parece disposto a fazer uma defesa mais enfática do seu filiado. A legenda se limitou a repetir a postura neutra adotada ainda em 2025, evitando entrar diretamente no mérito político da crise.
A pergunta que fica é inevitável: qual tem sido, de fato, o papel do vice-prefeito dentro da gestão? João Eudes chegou ao cargo carregando a expectativa de fortalecer a interlocução entre o município e o Governo do Estado, especialmente pela proximidade do PT municipal com a governadora Fátima Bezerra. No entanto, essa ponte política nunca se consolidou de maneira tão clara para a população.
Em momentos de instabilidade, a população sempre espera o posicionamento das principais figuras públicas eleitas pelo voto popular. Não se trata apenas de responder à imprensa, mas de prestar satisfação aos eleitores que confiaram seus votos à chapa vencedora em 2024.
O silêncio, nesse contexto, acaba funcionando como uma confirmação involuntária de apequenamento político. Ainda mais quando se recorda que João Eudes não teve desempenho expressivo nem mesmo dentro do seu principal reduto eleitoral durante o processo eleitoral.
Agora, resta acompanhar os próximos capítulos da crise política em São Miguel do Gostoso e entender quais serão os desdobramentos.