IPS Brasil 2026 expõe fragilidades de São Miguel do Gostoso em saneamento, educação e direitos individuais

O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026 aponta baixo desempenho do município em áreas essenciais como abastecimento de água, evasão escolar, acesso ao ensino superior e garantia de direitos básicos à população.

Por Ailton Rodrigues

O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado nesta quarta-feira (20) pelo instituto Imazon, em parceria com outras organizações, revelou um cenário preocupante para São Miguel do Gostoso em áreas essenciais da qualidade de vida da população. Apesar de alguns indicadores positivos isolados, a maior parte dos dados aponta dificuldades estruturais em saneamento, educação, meio ambiente e acesso a oportunidades.

Com nota geral de 57,30 em uma escala de 0 a 100, o município aparece apenas na posição 4.268 entre as cidades brasileiras avaliadas, demonstrando desempenho abaixo do ideal em diversos setores considerados fundamentais para o desenvolvimento social. Além disso, Gostoso não está nem entre as 100 melhores cidades potiguares, ocupa a posição 131 dos 167 municípios do estado.

Saneamento básico aparece entre os piores indicadores

Um dos dados mais críticos do levantamento está na área de “Água e Saneamento”, que recebeu apenas 38,72 pontos, colocando São Miguel do Gostoso na posição 5.248 do ranking nacional.

O resultado evidencia problemas relacionados ao abastecimento de água via rede de distribuição, esgotamento sanitário adequado e perdas de água na distribuição. Os números reforçam uma realidade já enfrentada por moradores em diversas regiões do município, especialmente em períodos de alta demanda turística.

Escola Municipal Ana Ribeiro Barbosa (11 de set. de 2024 )

Educação básica tem desempenho alarmante

Outro dos principais problemas identificados pelo IPS está no acesso ao conhecimento básico. O município obteve apenas 52,39 pontos no indicador “Acesso ao Conhecimento Básico”, ocupando a posição 5.551 no país, uma das piores colocações do levantamento.

O índice considera fatores como abandono escolar no ensino fundamental e médio, evasão escolar, distorção idade-série e desempenho no IDEB. O resultado aponta dificuldades persistentes no setor.

A situação também é preocupante quando o assunto é ensino superior. O indicador “Acesso à Educação Superior” recebeu nota de apenas 27,99, refletindo o baixo número de pessoas empregadas com formação superior e dificuldades relacionadas ao avanço educacional da população.

Direitos individuais e acesso à justiça estão entre os piores pontos

O eixo “Direitos Individuais” foi outro destaque negativo do IPS em São Miguel do Gostoso. O município registrou apenas 29,36 pontos no indicador, ficando na posição 2.081 do ranking nacional.

Entre os fatores considerados estão acesso a programas de direitos humanos, atendimento à demanda da Justiça, resposta a processos familiares e previdenciários e taxa de congestionamento de processos.

Os dados sugerem limitações no acesso da população a mecanismos institucionais e serviços ligados à garantia de direitos.

Unidade Mista de Saúde Dr. Ricardo Simione

Meio ambiente e saúde também acendem alerta

Na área ambiental, São Miguel do Gostoso obteve nota 48,01 em “Qualidade do Meio Ambiente”. O índice considera questões como focos de calor, emissões de CO₂, áreas verdes urbanas e vulnerabilidade climática.

Já no eixo “Saúde e Bem-Estar”, embora o município tenha desempenho moderado, indicadores ligados à obesidade, mortalidade por doenças crônicas e expectativa de vida impediram resultados mais positivos.

Pontos positivos são isolados

Entre poucos destaques favoráveis do levantamento estão os indicadores de “Nutrição e Cuidados Médicos Básicos”, com nota 79,38, e “Inclusão Social”, que atingiu 79,28 pontos.

Também houve desempenho relativamente melhor em “Acesso à Informação e Comunicação”, impulsionado principalmente pela cobertura de internet móvel e telefonia.

O que é o IPS Brasil

O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil é um estudo nacional que avalia a qualidade de vida da população sem utilizar apenas indicadores econômicos, como o Produto Interno Bruto (PIB). O levantamento reúne dezenas de indicadores sociais e ambientais para medir se a população consegue acessar serviços básicos, oportunidades e bem-estar.

A metodologia é utilizada internacionalmente e busca mostrar, na prática, como vivem as pessoas em cada município brasileiro.

Ainda assim, os dados gerais mostram que os avanços não foram suficientes para equilibrar os problemas estruturais identificados pelo estudo.

Nós continuamos de olho.

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Autor: Ailton Rodrigues

Técnico em Informática (IFRN), que adora esportes e jornalismo, estando sempre disponível para bons papos. Coordenador de Comunicação do clube de futebol TEC (Tabua Esporte Clube), membro do Conselho do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC), comunicador da Mostra de Cinema de Gostoso. Formado em Pedagogia (UFRN).

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