Opinião: Franklin Albert fala em “corrigir o rumo do barco”, mas educação gostosense segue afundando

Secretário municipal de Educação foi sabatinado na Câmara nesta terça-feira (14), mas deixou mais dúvidas do que respostas sobre os problemas do setor.

Por Ailton Rodrigues

Franklin Albert foi a sessão da câmara desta terça-feira (14) – Foto: reprodução / YouTube

A sessão da Câmara dos Vereadores desta terça-feira (14) foi longa, tensa e reveladora. Convocado para prestar esclarecimentos, o secretário municipal de Educação, Franklin Albert, esteve no centro de um debate que ultrapassou cinco horas — tempo suficiente para expor problemas antigos, mas insuficiente para apresentar soluções concretas.

O transporte escolar dominou a pauta. Mesmo com o início do ano letivo já marcado por atraso significativo no fim de março, a irregularidade no serviço persiste. Até a última segunda-feira (13), ao menos uma linha por dia deixou de operar. A situação é ainda mais grave nas rotas entre distritos e já ameaça estudantes do Ensino Médio, cuja frequência é critério essencial para o recebimento do programa Pé-de-Meia, do Governo Federal.

Diante dos questionamentos, Franklin reconheceu falhas, mas adotou um tom que oscilou entre justificativas e respostas pouco objetivas. Em um primeiro momento, atribuiu parte do problema às más condições das estradas vicinais, que contribuiriam para a quebra frequente dos veículos. É um ponto relevante, mas insuficiente diante da recorrência do problema.

Ao ser pressionado sobre providências mais efetivas, o secretário afirmou não poder intervir na licitação que garantiu à empresa KS Transportes a operação do serviço, limitando-se a informar que uma reunião estaria prevista para os próximos dias. Para um problema que se arrasta há anos, a resposta soou vaga.

Em outro momento, tentou afastar críticas relacionadas ao abastecimento dos veículos:

“Posso assegurar que não é por falta de combustível (…) Já aconteceu? Já. Mas não em 2026.”

A fala, embora categórica, pouco contribui para explicar a instabilidade enfrentada diariamente por alunos e famílias.

Além do transporte, Franklin defendeu a nucleação de escolas no interior — medida que, segundo ele, não transmite sua opinião sobre fechamento de unidades, mas reorganização diante do baixo número de estudantes. Também anunciou a entrega de fardamento escolar para o início de maio e negou problemas relacionados à merenda.

“Ou a gente muda o cenário de hoje ou não colheremos frutos no futuro”, afirmou ao justificar as mudanças.

A declaração, no entanto, levanta uma reflexão inevitável. Ao falar em “corrigir o rumo do barco”, o próprio secretário parece ignorar que está à frente do leme. A condução da educação municipal passa, necessariamente, por sua gestão e claramente ele perdeu o controle.

O problema do transporte escolar, por exemplo, não é recente. Há pelo menos cinco anos ele figura entre as principais queixas da população, com registros, inclusive, no Ministério Público. Ainda assim, segue sem solução definitiva.

Outros sinais de desgaste também são perceptíveis. Projetos educacionais que antes mobilizavam estudantes — como eventos culturais e científicos — perderam força ou deixaram de existir. Iniciativas de formação continuada para professores já não têm a mesma presença. Em muitos casos, o funcionamento das atividades parece depender mais do esforço individual de gestores escolares do que de uma política estruturada.

Nos indicadores, os avanços também são limitados. Apesar de aprovações pontuais em instituições como o IFRN, o município não tem conseguido avanços consistentes em avaliações mais amplas. Dados recentes apontam que apenas 43% das crianças estavam alfabetizadas na idade adequada em 2025 — um índice que acende alerta.

Ao final, Franklin descartou a possibilidade de deixar o cargo e reafirmou ter autonomia concedida pelo Executivo municipal. Resta, portanto, uma pergunta inevitável: o que falta para que essa autonomia se traduza em resultados?

Entre discursos e realidade, a educação de São Miguel do Gostoso segue à procura de um rumo mais claro. Enquanto isso, problemas antigos continuam se acumulando — e a sensação de urgência já não cabe mais apenas nas sessões da Câmara.

Seguimos acompanhando.

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Autor: Ailton Rodrigues

Técnico em Informática (IFRN), que adora esportes e jornalismo, estando sempre disponível para bons papos. Coordenador de Comunicação do clube de futebol TEC (Tabua Esporte Clube), membro do Conselho do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC), comunicador da Mostra de Cinema de Gostoso. Formado em Pedagogia (UFRN).

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