Barracas de Tourinhos são reconhecidas como Patrimônio Cultural e Turístico do RN

Reconhecimento como Patrimônio Cultural e Turístico do estado das barracas de Seu Luiz Pescador e do Dadá ocorre enquanto obras prometidas para a orla seguem sem conclusão e sem prazo definido para entrega.

Por Ailton Rodrigues

(Foto: Fernanda Zauli / G1)

O Rio Grande do Norte oficializou, em março de 2026, o reconhecimento das barracas de Seu Luiz Pescador e do Dadá, em São Miguel do Gostoso, como Patrimônio Cultural e Turístico do estado. A medida ocorre dois anos após a demolição das estruturas tradicionais da Praia de Tourinhos.

O reconhecimento foi formalizado por meio de leis estaduais, a partir de propostas da deputada Divaneide Basílio. A iniciativa contou com articulação da documentarista Mônica Mac Dowell, dentro do projeto “Faces do Reduto”.

As barracas são associadas à pesca artesanal, à culinária local e ao turismo comunitário — elementos que contribuíram para consolidar Tourinhos como destino turístico no litoral potiguar.

Obras prometidas seguem sem conclusão

As estruturas foram demolidas em março de 2024, com previsão de urbanização da orla e construção de novos quiosques em até seis meses. No entanto, dois anos depois, as obras ainda não foram concluídas.

Sem alternativas, as famílias passaram a trabalhar em instalações improvisadas. Moradores relatam dificuldades, incluindo falta de indenização, acesso a crédito e condições adequadas de reassentamento.

Segundo Mônica Mac Dowell, o reconhecimento vai além das estruturas físicas:

“Trata-se de um sistema cultural que envolve pesca artesanal, gastronomia e turismo comunitário, responsável por dar visibilidade à região”, afirmou.

Tradição mantida por gerações

Seu Luiz Pescador é nascido na própria Praia de Tourinhos, é hoje o único pescador artesanal remanescente a região | Foto: Monica Macdowell

Nascido na Praia de Tourinhos, Seu Luiz Pescador é apontado como o único pescador artesanal remanescente da área. Ele mantém práticas tradicionais transmitidas ao longo de gerações.

Ao lado do irmão Dadá, já falecido, foi um dos primeiros a receber visitantes na praia, oferecendo pescado fresco e contribuindo para o desenvolvimento do turismo local. Atualmente, a barraca de Dadá segue em funcionamento, administrada por familiares.

“Foi sempre daqui que veio o sustento da minha família. As barracas foram retiradas com promessa de melhoria, mas nada foi feito até agora”, disse Seu Luiz.

História registrada em documentário

A trajetória da comunidade do Reduto e a realidade dos pescadores artesanais são retratadas no documentário Julião, Filhos da Praia, dirigido por Mônica Mac Dowell.

O filme está disponível gratuitamente no YouTube (assista clicando aqui) e registra o processo de transformação da região e a permanência das atividades tradicionais diante das mudanças no território.

Nós continuamos de olho.

Texto adaptado de: https://tribunadonorte.com.br/viver/barracas-em-sao-miguel-do-gostoso-sao-reconhecidas-como-patrimonio-cultural-e-turistico-do-rn/

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Autor: Ailton Rodrigues

Técnico em Informática (IFRN), que adora esportes e jornalismo, estando sempre disponível para bons papos. Coordenador de Comunicação do clube de futebol TEC (Tabua Esporte Clube), membro do Conselho do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC), comunicador da Mostra de Cinema de Gostoso. Formado em Pedagogia (UFRN).

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