Carnaval Gostoso 2024 não aprende com próprios erros e confunde abatimento com pacificidade

Insistência em repetir mesmos erros de anos anteriores demonstra desdém com um dos maiores eventos populares para cidade.

Por Ailton Rodrigues

Atrações do Carnaval Gostoso 2024 (Foto: Prefeitura Municipal de São Miguel do Gostoso)

O ano finalmente começou. É a frase clichê que usamos sempre que acaba o Carnaval, mas para bons entendedores este evento serve como termômetro do que podemos esperar de organização para as outras festividades da cidade em especial quando estamos falando de um ano de eleições municipais.

Vender o Carnaval Gostoso como um dos eventos mais tranquilos do litoral não seria um erro, visto que em 2023 não houve nenhum registro de confusão na Arena Praia da Xepa, mas devemos ter o cuidado para não confundir pacificidade com simplesmente apatia. A condução da programação de um dos maiores eventos da cidade foi mal feita.

Esperava-se sim que houvesse uma nova guinada depois do que foi visto no Festival Mulherada e no Réveillon onde foram realizados com sucesso e tiveram grande público, mesmo um desses tendo sido realizado pela iniciativa público-privada. Atrações como Rogerinho, Olodum e Psirico claramente foram pontos fora da curva e a receita desse êxito parecia que estava toda na mesa, mas alguém trocou o açúcar pelo sal.

Ano passado escrevi no artigo sobre o Carnaval Gostoso 2023 (leia clicando aqui) que as transições longuíssimas entre as bandas causaram esvaziamento da praia e naquela ocasião nem música tinha, em 2024 colocaram uma DJ para resolver o problema, mas as transições continuaram gigantescas e o esvaziamento continuou. Teve um momento, por exemplo, que a transição foi de absurdos 73 minutos, um desrespeito com os foliões.

Bonde do Brasil foi uma das atrações do Carnaval Gostoso 2024 (Foto: Prefeitura Municipal de São Miguel do Gostoso)

Outra lembrança repetida de 2023 foi quando Erika Pavanelly fez seu show de apenas 35 minutos, onde a organização alegou que a causa havia sido a chuva. Esse ano fizeram a mesma atitude com Lucas Boquinha que tocou só 21 minutos, cumpriu o restante do seu horário estipulado e foi embora frustrando todo mundo que já tinha visto todo o potencial do que ele fez em 2023, ficando inclusive no top 3 das melhores atrações segundo leitores do Contador.

Tivemos destaques positivos, o primeiro deles foi a banda local ‘Vem Com Tudo’ com Neilson Gomes e Neto Maroto que trouxeram uma energia legal em meio a chuva, mesmo tendo sido colocados em uma saia justa por causa da ausência de uma das atrações. A última noite teve uma brilhante Priscila Freire que soube agitar mesmo com todo mundo cansado no último dia, não houve quem não se empolgasse. Último dia, aliás, que foi o menos sofrido em relação ao andamento orgânico da festa.

Os blocos ainda foram respiros de alívio desse mar de notícias ruins, eles entregaram alegria nos arrastões, usaram suas fantasias e ainda deram entretenimento. Há a ressalva da infeliz briga que marcou o segundo dia, mas que felizmente não se repetiu em nenhum outro momento. A cereja do bolo foi o blackout do domingo (11) que atrapalhou o fornecimento de energia em boa parte da sede do município, fez pessoas perderem equipamentos e escancarou que a cidade ainda apresenta problemas de infraestrutura.

Poderia se pensar em pedir formalmente para as empresas de telefonia e fornecedora de energia elétrica fazer uma revisão estrutural na cidade, bem como a parte hidráulica. Sobre a festa porque não colocar dois palcos para acelerar a transição, prezando em iniciar o evento no horário correto podendo até ter atrasos naturais de 10 a 20 minutos e variar a transição, caso necessário, com repertório que agite o público e não repila.

Provavelmente este Carnaval não está marcado como um dos melhores que tivemos pelo pacote completo, mesmo com aquela outra frase clichê de que cada um faz sua própria festa. Eventos de grande porte em Gostoso precisam ser repensados ou pelo menos fazer a gente sentir que existe uma equipe pensando na execução e na produção.

Nós continuamos de olho.

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Autor: Ailton Rodrigues

Técnico em Informática (IFRN), que adora esportes e jornalismo, estando sempre disponível para bons papos. Coordenador de Comunicação do clube de futebol TEC (Tabua Esporte Clube), membro do Conselho do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC), comunicador da Mostra de Cinema de Gostoso. Formado em Pedagogia (UFRN).

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