Aos 81 anos de idade Martin Scorsese lança mais um longa-Metragem, desta vem ao lado de seu parceiro de longa data Leonardo DiCaprio, o de longuíssima Robert De Niro, e a estreante – pelo menos ao lado de Scorsese – a esplendida atriz Lily Gladstone.
Por Rubens dos Anjos

Em quase 3 horas e meia de duração – tempo que para muitos é um completo exagero – o mais novo longa de Martin Scorsese, baseado no livro do escritor norte americano David Grann, contribui com uma onda de filmes que trazem novos olhares do famoso cinema de faroeste, que sempre tratou o nativo como um “animal violento” e o cowboy como um herói conquistador.
Assassinos da lua das flores conta a história de uma nação indígena norte americana no estado do Oklahoma, conhecida como Osage, que no início do século XX descobre que suas terras são ricas em petróleo, o que de uma hora para outra transforma os nativos em pessoas extremamente ricas. Isso acaba por despertar a ambição do homem branco que por sua vez começa a se deslocar para morar naquele lugar.
Logo de início do filme vemos uma espécie de profecia de um líder indígena falando que as novas gerações de Osage serão fortemente impactados pela cultura do homem branco em meio ao lamento de outros da comunidade, em seguida eles enterram algo como o símbolo do seu povo. Este primeiro sepultamento dará o tom ao longo do filme bem como o conflito desses dois povos e suas culturas.
Um dos elementos que mais aparecem na obra é o carro, elemento esse que vem para fortalecer o valor e importância do combustível fóssil na história, veículos usados para facilitar e agilizar a locomoção das pessoas e é assim que o personagem Mollie (Lily Gladstone) e Ernest (Leonardo DiCaprio) se conhecem. Ele chega a cidade e logo começa a trabalhar como taxista, no meio dessas corridas ele conhece Mollie e a partir disso dão início a uma relação, o mesmo acontece com as outras irmãs dela que são seduzidas por homens brancos em busca do dinheiro da família.
Enquanto isso os assassinatos contra nativos continuam a acontecer na cidade desde que a primeira gota de petróleo surgiu do chão, as mortes tem as formas mais variadas que se pode imaginar, em paralelo a isso a relação de Mollie e Ernest evolui por conta do tio de Ernest, o Rei William Hale vivido pelo irretocável Robert De Niro, fazendeiro de muita influência dentro da comunidade até mesmo entre os nativos que deseja a herança da personagem de Lily venha para as mãos dele através do sobrinho.
Destaca-se também o domínio narrativo dessa obra, Thelma Schoonmaker (fiel montadora das obras de Scorsese), e Martin Scorsese estão em sua plenitude máxima, é incrível como o filme acelera e desacelera para contar essa história, como uma espécie de automóvel que precisa desse movimento para fazer uma curva e acelera em uma reta. A dupla esculpe o tempo e nos brinda com uma das grandes obras dessa década.
O filme chegou aos cinemas no final de 2023, uma produção da Apple+ que busca com a direção de Martin Scorsese uma espécie de legitimidade para bater de frente com as grandes do mercado, assim como a Netflix fez anos atrás quando levou esse mesmo diretor para produzir O Irlandês, lançado em 2019.
Assassinos Da Lua Das Flores
- Disponível: Apple+.
- Duração: 3h26m
- Nota do crítico: 5/5.

