De 24 a 28 de novembro a cidade de São Miguel do Gostoso respirou audiovisual pela 10ª vez na sua história e sucesso da edição coloca Mostra em novo patamar de responsabilidade.
Por Ailton Rodrigues

A Mostra de Cinema de Gostoso se vestiu de nostalgia nesta 10ª edição que aconteceu de 24 a 28 de novembro e ao mesmo tempo cravou suas garras no calendário dos festivais audiovisuais do país. Foi um sucesso e não sou o único que diz isso.
Mais de 15 portais cobriram o evento, incluindo blogs, sites, páginas de redes sociais e TV, além disso rendeu entradas de propaganda na faixa nobre e pelo menos foi tema de três programas na Inter TV Cabugi, maior emissora do Estado que é afiliada da Rede Globo.
Se fizeram presentes dezenas de cineastas, jornalistas, produtores, artistas, pessoas que trabalham na área do audiovisual brasileiro. Mais do que isso, milhares de espectadores locais e de variados cantos do país se reuniram na cidade onde o vento faz a curva para prestigiar cinema brasileiro, debatê-lo e entender toda a engenharia que existe por trás de um ‘AÇÃO!’ ou de um ‘CORTA!’.
Só pra salientar essas informações, a principal linha intermunicipal que liga Gostoso a Natal disponibilizou ônibus extras durante sábado e domingo para suprir a demanda. Quem vê essa dimensão do que a Mostra se tornou nem deve saber que tudo começou em 2013 com tablados e cadeiras de plástico. Era a concretização de um ciclo que se iniciava com os primeiros cursos de formação técnica em audiovisual para jovens idealizado pelos geniais (e loucos) Eugênio Puppo e Matheus Sundfeld.
“Chegarmos a 10ª edição é sem dúvida memorável e gratificante. Em uma década foram muitas as transformações que a Mostra passou, sempre para melhor e com muito trabalho e desafios. Encerrar essa edição, com as presenças de tantas pessoas, como realizadores, atores, diretores, jornalistas, críticos, público em geral, sendo muitos de vários estados brasileiros e que elogiaram muito a programação, é sensacional”, comemora Eugênio Puppo.
Um dos frutos do coletivo foi o curta-metragem O Contador de Causos (2013) que meses mais tarde seria o plano de fundo para o nome deste veículo de comunicação que vos informa.

Além de celebrar 10 anos de sucesso, este festival precisou se provar o tempo todo. Era uma responsabilidade gigantesca escancarar os filmes brasileiros para pessoas que sequer tinham ido a uma sala de cinema. Trazer linguagens diferentes de longas e curtas-metragens para que se educasse olhares foi considerado um disparate. Mais ainda, buscar financiamento com diversas empresas para chegar a este formato de projeção, som e arquitetura foi (e é) no mínimo desafiador. Deu tudo certo.
Em 2023, o apoio da Petrobras solidificou a impressão de que a Mostra passou de um simples evento anual para algo mais sério. Era a chancela que se precisava para chamar a atenção definitiva do país para nosso quintal e mais do que nunca, perceber a volta do apoio efetivo do Governo Federal para eventos culturais com a revitalização do Ministério da Cultura (MinC). Uma sala importante do Festival, a Sala Petrobras, foi patenteada por eles e foi um grande atrativo na exibição da Mostra Panorama.
Mais do que tudo que mencionei nesses parágrafos acima, a Mostra virou um ponto de troca de experiências. O episódio do jornalista paulista que proferiu expressões de cunho racista e homofóbico, por exemplo, foi veementemente repudiado pela direção do festival, por nós e toda a comunidade. Onde se celebra diversidade não há espaço para retrocesso e até esse ponto foi importante para demonstrar que devemos estar sempre vigilantes para não perdermos espaços conquistados com tanto suor.
Mas o que importa mesmo é que o momento é de celebração de um evento longevo e frutificado. A pergunta que fica é: será que pode crescer mais? Definitivamente sim, mas não é fácil manter um sarrafo tão alto.
CONFIRA OS VENCEDORES DA 10ª EDIÇÃO
JÚRI POPULAR
Melhor Longa-metragem – “O Dia Que Te Conheci”, de André Novais Oliveira
Melhor Curta-metragem – “As Marias”, de Dannon Lacerda
JÚRI DA CRÍTICA
Melhor Longa-metragem – “Saudade Fez Morada Aqui Dentro”, de Haroldo Borges
Melhor Curta-metragem – “A Edição do Nordeste”, de Pedro Fiuza
MENÇÃO HONROSA
“Estranho Caminho”, de Guto Parente
Vida longa a Mostra de Cinema de Gostoso!