Carta de amor de James Gunn aos seus personagens tem tom que permeia do melodrama a galhofa.
Por Ailton Rodrigues

A Marvel vem tendo que lidar com críticas desde que a já defasada fórmula de fazer filmes de heróis começou a dar uma saturada no seu público: Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania (2023) e o decepcionante Thor: Amor e Trovão (2022) infelizmente tinham pavimentado uma expectativa ruim para a próxima obra do MCU, mas felizmente James Gunn entrega seu filme mais emotivo e consequentemente melhor que seus antecessores.
Podemos usar uma frase até então batida, mas que reflete o sentimento quando terminamos Guardiões da Galáxia Vol. 3 (2023): uma carta de amor do seu diretor para com seus personagens. Além disso, é um filme descompromissado em continuar uma saga, algo que deveria ser mais usado, afinal queremos um filme redondo em si.
Na trama, a família mais desajustada e unida do universo tem que buscar uma solução para evitar que Rocket (Bradley Cooper) morra e isso o coloca como centro de uma efervescência emocional que mexe até com o mais forte dos fãs. Outro detalhe é que Gunn usa e abusa dos elementos da coreografia de luta e ação que nos fazem questionar a classificação etária de 12 anos – sim, tem morte e até “ossos quebrando”.

Todavia, ele abandona alguns enredos dentro da trama e com isso peca por não conseguir tirar a nota 10. O depressivo Peter Quill (Chris Pratt) do início do filme, rapidamente dá a volta por cima, bem como Adam Warlock (Will Poulter) que perde sua mãe, mas tem seu luto cortado pela conveniência de um roteiro que precisava se apressar em contemplar outros personagens. James Gunn, não tá preocupado com isso.
Mas os pontos positivos são maiores, de longe é o filme mais bonito esteticamente falando desde Ultimato. Além da trilha sonora que insiste em nos inserir em uma retomada aos anos 80/90. Nostálgico e prazeroso.
Finalizando, não posso esquecer que finalmente um vilão a altura foi colocado para desafiar essa equipe. o Alto Evolucionário (Chukwudi Iwuji) é tipicamente megalomaníaco e trata genocídios e torturas com naturalidade em prol de uma raça perfeita. Um antagonista facilmente odiável e que impõe desafios.
Provavelmente a analogia é de que esses personagens tão imperfeitos, os fazem sentir mais próximos de uma família e nós como espectadores criamos laços com essas relações. Todos têm seu tempo de tela, todos são explorados nas suas essências. Vão deixar saudades…
Guardiões da Galáxia Vol. 3 (2023)
- Duração: 2h29
- Disponível: Disney +
- Nota do Crítico: 8