FOI NECESSÁRIO UM VÍRUS PARA QUE OS DISTRITOS TIVESSEM MAIS ACESSO A POLICIAMENTO

Fiscalização para cumprimento do decreto da pandemia fez com que comunidades tivessem acesso a serviços até então escassos no interior.

POR AILTON RODRIGUES

tabua
Comunidade da Tabua – São Miguel do Gostoso/RN

O decreto com estratégias de isolamento para os munícipes de São Miguel do Gostoso entrou em vigor a pouco mais de 24 dias e como as medidas não são restritas apenas a sede da cidade foi necessário acontecer uma logística que até então era desconhecida pela população da Zona Rural: ver o policiamento percorrer seu próprio distrito.

A missão dos policiais, com o auxílio da vigilância sanitária municipal é simples: percorrer e fiscalizar as aglomerações que possam ferir o decreto, bem como dispersa-las. Algumas destas medidas são ocorridas por meio de denúncias o que pode agilizar o processo e justamente é no final de semana que podemos verificar que as operações estão mais ativas.

Não quero opinar neste texto se a forma que está acontecendo esteja errada ou certa, mas enfatizo que os distritos precisam ser enxergados como parte da cidade e não mero acessório.

Parece besteira, mas de fato, as principais medidas e recursos ao longo da história da cidade sempre ficaram na sede e as sobras eram distribuídas aos distritos, com raras exceções de eventos que mobilizam a população rural como medidas assistencialistas, festas de padroeiro ou campeonatos de futebol amador.

No entanto, a onda de violência nas comunidades cresce vertiginosamente. Já divulgamos aqui assaltos a motos e veículos, emboscadas, assassinatos, vendas de drogas, arrastões (inclusive a um ônibus escolar), dentre outros absurdos. Especialmente em meados de alta estação que pega o final do ano até pós carnaval.

O ponto é que ver a polícia circular dá uma sensação de que esses distritos existem e compõem mais de 70% do território da cidade, bem como apresenta uma parte importante da sua população. Estamos em tempos difíceis onde se isolar pode significar não colapsar o sistema de saúde, mas tenho noção que o município precisa do turismo, a contradição nesta balança seria ignorar as comunidades.

Podemos levantar até questões: Será que é o suficiente para fazer com que as pessoas parem de reclamar que as medidas políticas só aparecem em épocas de eleição? Com certeza não. Será que os novos tempos podem garantir mais recursos para deixar os distritos mais confortáveis? Provavelmente não também.

Porque não urbanizar os demais distritos como fizeram com o Reduto e assim fazer um cinturão de belezas ligando a Sede até a Praia do Marco também por dentro das comunidades e não apenas pela orla? Porque deixar as comunidades fazerem protestos em redes sociais para garantir até elementos essenciais como água?

Repito: ignorar as comunidades é uma mazela histórica desta cidade, mas a reflexão que quero deixar é… Até quando tem que ser assim?

Nós continuamos de olho!

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