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O CONTADOR VIU: SUPER DRAGS (1ª TEMPORADA)

Série é um alívio cômico que com um jeitinho todo especial consegue até educar. 

POR AILTON RODRIGUES

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Super Drags da Netflix traz humor escrachado do universo LGBTQ+

A Netflix disponibilizou no seu catálogo neste mês de novembro a primeira temporada da série em animação Super Drags que contém (infelizmente) apenas cinco episódios.

Apesar de que antes mesmo da sua chegada a série já foi envolvida em uma polêmica, onde a Associação Brasileira de Pediatria emitiu uma nota protestando pelo que chamaram de “linguagem iminentemente infantil para discutir tópicos do mundo adulto”. A obra chega a ser até lúdica.

Todavia, esse argumento da associação cai por terra quando vemos que a classificação indicativa é para maiores de 16 anos, sem falar no extenso número de animações que já existem para maiores, como é o caso dos Simpsons, BoJack Horseman, Family Guy, Big Mouth, dentre outros.

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Poster de Super Drags

Bom, polêmicas a parte, podemos falar que Super Drags é divertida pelo seu carregado “sotaque” do mundo LGBTQ+. As piadas de cunho sexual e os palavrões são cheias de humor nos contextos bem encaixados pelo seu roteiro. Por falar em roteiro, se você for assistir, prepare-se para as inúmeras referências que você vai encontrar: Três Espiãs Demais, Meninas Super Poderosas, Sailor Moon sem falar nas citações a algumas outras séries como Stranger Things e Sense 8.

As temáticas abordadas são até relevantes: a aceitação do próprio corpo e da sua sexualidade, permeando pelo preconceito e a intolerância. Bom, posso afirmar que a ideia de entreter é bem feita e não cansa.

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Silvetty Montilla dubla Vedete.

Aliás, outro ponto bem forte são as dublagens maravilhosas: na versão em português temos Pabllo Vittar (Goldiva), Sérgio Cantú (Patrick), Fernando Mendonça (Donizete) e Wagner Follare (Ralph), além de Silvetty Montilla como Vedete, Rapha Vélez como Lady Elza e Guilherme Briggs como Robertinho.

Para os amantes de RuPaul’s Drag Race, a emoção continua a mesma se você optar por assistir em no idioma em inglês, já que traz participantes famosas como Ginger Minj, Shangela, Trixie Mattel e Willam Belli no elenco.

Um breve resumo dessa crítica é que você assista, pois dá para dar umas boas gargalhadas.

SUPER DRAGS (2018)

  • Temporadas: 1.
  • Episódios: 5.
  • Disponível: Netflix.
  • Tempo: 25 minutos por episódio.

 

O CONTADOR VIU: O MENINO E O MUNDO

Filme é um convite às lembranças de infância, além de trazer críticas sociais.

POR AILTON RODRIGUES
NATAL/RN

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Fui conduzido, em uma das minhas disciplinas do curso de Pedagogia, para prestigiar a obra O Menino e o Mundo do diretor Alê Abreu, confesso até que não esperava muito do filme, mas ele me surpreendeu positivamente.

Este longa que já foi indicado ao Oscar (perdeu para Divertida Mente da Disney), foi passado em mais de 100 países e já levou mais de 50 prêmios. Quanto ao enredo, conta a história de Cuca, um menino que mora em um lugar bucólico, cercado pelo conforto familiar. Até que em algum momento ele perde seu pai, pela necessidade de trabalho, que migra para a cidade e o garoto em dado momento resolve ir atrás dele.

As técnicas usadas por Alê, que mescla entre as pinturas com giz de cera, colagens e muita música, criam um universo particular para aquele menino. A dimensão de traços em 2D e a melodia vão nos guiando para variados momentos que promovem reflexões e certas críticas sociais. Parece sim uma simples pintura de criança, o que pode causar até um certo susto, se compararmos com tantas animações que vemos por aí com grande acervo tecnológico.

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Quanto a trama, pude notar basicamente que este garoto nos guia para uma plantação de algodão, mostrando todo o sofrimento do homem do campo, que tende a ser praticamente escravizado na busca por uma sobrevivência minimamente digna. Na sequência, ele vai para a fábrica onde é enfatizado a mecanização do trabalho e a substituição da mão de obra humana.

Isso é só um trecho, a obra ainda faz fortes menções aos chamados países subdensenvolvidos, com críticas as favelas, a manipulação do conteúdo e a causa da falta de esperança que estamos vivendo nos dias atuais. Apesar de um filme sem uma única palavra, podemos entender o quanto é clamado nas entrelinhas por maior cuidado com o povo, evidenciando a força da massa sob o governo que “abduz” e “metralha” os sonhos.

Todavia a fórmula dada para que se mantenha viva a esperança é dada no próprio filme: temos que manter viva a cultura! O recurso que o menino tem para alimentar sua busca pelo pai é a música. Nesses meandros, vamos observando que mesmo quando tudo aparentava estagnar para Cuca, a música entoada na flauta doce era uma pista de que as coisas poderiam melhorar. Dias melhores pra sempre, como diria o cantor.

Não voou estragar muito a experiência, vejam este lindo filme!

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Alê Abreu
Título Original: O Menino e o Mundo
Gênero: Aventura
Duração: 1h 20min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: Livre
Trailer:

Fonte consultada: https://falauniversidades.com.br/o-menino-e-o-mundo-resenha-critica-resumo/