O oitavo álbum da artista é potente, mergulha em raízes afro-brasileiras e demonstra uma precisão rara ao alinhar musicalidade, estética e conceito na mesma direção.
Por Ailton Rodrigues

Poucas vezes senti vontade de escrever sobre música aqui no Contador. Mas ouvir e principalmente compreender os conceitos de “Equilibrivm” tornou impossível ficar indiferente.
No oitavo álbum de estúdio, Anitta abandona qualquer necessidade de provar versatilidade ao mercado e entrega justamente sua obra mais coesa. O disco mergulha em espiritualidade, ancestralidade e brasilidade de maneira intensa, sem soar artificial ou calculada. São 15 faixas que atravessam os ouvidos com fluidez e deixam, ao final, a sensação de que ainda havia muito mais a ser explorado.
O comentário de que este é “o trabalho mais maduro da carreira” pode soar repetitivo, mas aqui ele faz sentido. Há uma artista mais consciente da própria identidade, menos preocupada em seguir tendências e mais interessada em construir um universo próprio. E isso aparece tanto no som quanto na estética do projeto.
As participações reforçam essa proposta com precisão. Liniker, Marina Sena, Luedji Luna, Rincon Sapiência e até Shakira entram no álbum sem parecer meros nomes de impacto comercial. Cada colaboração encontra espaço dentro da proposta do disco e amplia suas camadas sonoras, mesmo quando o trabalho assume tons mais intimistas e contemplativos. Ainda assim, o pop nunca desaparece completamente, ele apenas ganha novas formas.
Outro elemento que chama atenção é a feminilidade que atravessa o álbum inteiro. Anitta se mostra inquieta, firme e artisticamente livre. Ao tocar no sagrado, ela também reivindica o feminino como potência espiritual, política e estética. Existe coragem na forma como aborda fé, sensualidade, vulnerabilidade e liberdade sem transformar nenhum desses temas em caricatura.
Talvez o maior mérito de “Equilibrivm” esteja justamente aí: o álbum parece menos preocupado em buscar aprovação e mais interessado em expressar verdade. E quando isso acontece, a música ganha peso.
Nota: 8/10.