O turista até vem, mas Carnaval Gostoso 2026 provou que a cidade se contentou em ser chacota para eventos sociais

Os cinco dias de folia em São Miguel do Gostoso foram marcados pelo esvaziamento da arena de shows, uma estrutura abaixo da média e blocos que se sobressaíram positivamente. Grande parte dos nativos evadiu da cidade que, infelizmente, não consegue entregar o tamanho que vende na mídia.

Por Ailton Rodrigues

Carnaval Gostoso 2026 teve esvaziamento da praia

Contra imagens e o “boca a boca” das ruas, não há argumentos. Infelizmente, o Carnaval Gostoso 2026 ficou longe de ser um dos eventos sociais badalados e procurados na região do Mato Grande. O fato da cidade atrair turistas que buscam fugir dos grandes polos contrastou com mais uma frustração para a população (especialmente a nativa), que esperava atrações de maior porte e uma estrutura digna da fama que o município possui nacionalmente.

Não vou comparar nosso evento com o do vizinho badalado, mas é fato que a grande maioria dos nativos preferiu sair da cidade. Há quem critique textos como este, defendendo que o papel primordial da gestão municipal é garantir serviços básicos, como saúde e educação.

De fato, é. Mas você, que gosta de ler nossos artigos de opinião apenas para printar e tentar “lacrar” em certos grupos de WhatsApp, sabe tão bem quanto eu que nem esses setores estão às mil maravilhas. Além disso, o turismo — que demanda eventos de porte — é o segundo ou talvez o principal setor econômico da cidade. Seria “chover no molhado” relatar todos esses pontos novamente aqui.

É triste ver que tenhamos que nos contentar com a ideia de que manter serviços básicos deve ser comemorado como algo extraordinário. Recolher o lixo, garantir remédios, atender os doentes, oferecer segurança pública, merenda e transporte escolar é o mínimo que se faz com os impostos que eu e você pagamos diariamente. Não é benevolência, é OBRIGAÇÃO.

Voltando ao retrato do evento, o destaque positivo fica por conta dos blocos. Eles conseguem “segurar a peteca” quando o resto desmorona. Com seus eventos particulares, foram a grande maioria dos pontos altos da festa. Fica aqui uma menção honrosa ao Bloco do Faraó, que realizou um cortejo interessantíssimo e numeroso.

Bloco Faraó reuniu muitos foliões em 2026 – Foto: Prefeitura Municipal de São Miguel do Gostoso

Já mencionei em outras ocasiões a dificuldade de compreender que tipo de turismo se planeja para São Miguel do Gostoso. Aparentemente, os eventos sociais estão afastando o nativo e, paralelamente, não se investe na infraestrutura da cidade, nem mesmo no seu principal cartão-postal: a Praia do Tourinho.

Já prevejo a justificativa: “falta dinheiro”. No entanto, o argumento se contradiz diante de um selo ouro de transparência e de um limite prudencial que se recusam ferozmente a baixar.

Seguimos aqui, vendo a cidade se acostumar a ser chacota onde antes se mantinha como potência na região do Mato Grande.

Até qualquer hora.

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Autor: Ailton Rodrigues

Técnico em Informática (IFRN), que adora esportes e jornalismo, estando sempre disponível para bons papos. Coordenador de Comunicação do clube de futebol TEC (Tabua Esporte Clube), membro do Conselho do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC), comunicador da Mostra de Cinema de Gostoso. Formado em Pedagogia (UFRN).

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