Quantos sinais a mais se precisa para ver que a secretaria de educação gostosense precisa de um gestor de verdade?

Números divulgados recentemente e recorte da evasão escolar no Ensino Médio demonstram que cenário de mudança da educação gostosense precisa ser urgente.

Por Ailton Rodrigues

Ônibus escolar (Foto: reprodução)

São Miguel do Gostoso tem uma pedra no sapato que não consegue resolver há alguns anos e se chama educação. Tantos dados e fatores só provam que o gestor da pasta no município não sabe mais o que fazer e nem tem pulso mais para desenvolver projetos que possam mudar essa realidade.

Os números do índice Criança Alfabetizada de 2024 fornecidos pelo Ministério da Educação foram claros, a educação gostosense não evoluiu nos últimos anos. A cada 10 crianças de 7 anos, apenas 3 estão chegando ao 2º ano do Ensino Fundamental com índices satisfatórios de alfabetização como leitura e escrita.

A coisa fica mais feia quando pegamos o recorte do Ensino Médio no turno noturno, desde o início do ano até aqui a evasão escolar passou da casa dos 40%. Ouvindo parte desses alunos um dos principais motivos apontados por eles para terem desistido seria a inconsistência do transporte escolar. Ano passado mesmo o Contador trouxe o dado que de abril a outubro houve registro de 91 faltas de pelo menos uma linha do transporte escolar entre os turnos matutino e noturno.

Nesta semana ainda foi divulgado que as notas do Enem 2024 colocaram São Miguel do Gostoso no triste mapa das piores 200 médias de notas no ranking entre as escolas públicas estaduais. Se não há mais razões para acordar, não sei o que se precisa mais.

Escola Olímpia Teixeira (Foto: Rubens dos Anjos)

Hoje a pasta segue sendo ocupada por Franklin Albert, o mesmo que no dia 09 de outubro de 2024 havia deixado o cargo quando Renato de Doquinha (PSD) estava a frente da prefeitura e reassumiu no dia 01 de janeiro deste ano, já na gestão Léo de Doquinha (PSD). Não entendo qual dificuldade em mudar pra melhorar, se for o caso, tantos profissionais excelentes como o professor e escritor Heldene Santos, por exemplo, poderiam assumir esse cargo e dar novos horizontes ao setor.

Na época havia críticas e pressão para resoluções de problemas como transporte escolar, merenda escolar e melhoria dos índices educacionais, além de profissionalização dos professores onde muitos assumiram cargos sem sequer ter diploma. Pra piorar tudo aparentemente a equipe principal que circunda o secretário também não tem mais poder de mobilização.

Um triste complemento foi a divulgação que o município de São Miguel do Gostoso não aderiu a Prova Nacional Docente (PND), popularmente chamado “Enem dos Professores”, onde as redes públicas de ensino poderiam utilizar a PND como etapa única ou complementar em seus concursos públicos e processos seletivos simplificados para a seleção de profissionais da carreira educacional.

Touros, por sua vez, fez o cadastro junto com outros 45 municípios potiguares e está participando… O pior é que segundo fontes a justificativa para Gostoso não ter entrado poderia ser puramente ideológica. Um absurdo.

São muitos problemas… A educação gostosense atualmente não tem projetos educacionais, não tem formação continuada própria, se restringindo a fazer o que é estritamente exigido pelo MEC. Não dá pra continuar empurrando o lixo para debaixo do tapete, a pergunta é: o que falta acontecer mais para que seja feita alguma mudança?

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Autor: Ailton Rodrigues

Técnico em Informática (IFRN), que adora esportes e jornalismo, estando sempre disponível para bons papos. Coordenador de Comunicação do clube de futebol TEC (Tabua Esporte Clube), membro do Conselho do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania (CDHEC), comunicador da Mostra de Cinema de Gostoso. Formado em Pedagogia (UFRN).

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