Mesmo com abstensão maior do que no período da pandemia, eleições possuem muitos votos válidos. No fringir dos ovos PT saiu como maior “perdedor” do pleito.
Por Ailton Rodrigues

As eleições municipais 2024 terminaram com a vitória de Léo de Doquinha (PSD) com 54,16% dos votos no último domingo (06), além dos eleitos que irão compor a nova formação da Câmara dos Vereadores, mas as urnas mostraram também outros movimentos do eleitorado gostosense.
Em uma primeira análise, levando em conta apenas os números gerais, foi a eleição com maior presença de votos válidos, impulsionados pelos jovens de primeira viagem. Léo foi o primeiro prefeito a quebrar a barreira dos 4 mil votos (obteve exatos 4.478), por sua vez, Caio Fernandes (PL) com seus 3.790 votos seria eleito, por exemplo, no pleito de 2020.
Mesmo com esse bom índice de presença, o número de abstensões foi o mais alto também, superando inclusive o pleito do período pandêmico. Em 2024 foram 1.078 gostosenses que por algum motivo não votaram, ao comparar com 2020 foram 830 ausentes.
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PT municipal sai nanico

As urnas gostosenses mostraram uma fragilidade de articulação do PT municipal. Seu princípal líder, Hildemar Peixoto, não conseguiu uma cadeira na câmara mesmo estando dentro de uma federação e só obteve 162 votos.
Além disso, algumas outras lideranças do partido optaram por apoiar outros candidatos. João Eudes, eleito como vice-prefeito, sofreu a única derrota da sua chapa dentro dos distritos, justamente dentro do seu reduto eleitoral, a comunidade da Tabua. Em todas as outras comunidades rurais Léo obteve mais votos que seu adversário.
Mais um agravante é que nas pesquisas eleitorais que houveram medição de rejeição sobre a governadora Fátima Bezerra, o índice sempre subiu acima dos 50%.
Por falar em distritos… E Sede
Os distritos foram essenciais para a vitória de Léo no pleito, como dito anteriormente ele venceu em todas as comunidades, com exceção da Tabua. Foram 720 votos de diferença entre os candidatos com destaque obviamente nos maiores colégios eleitorais da zona rural:
Antônio Conselheiro: Maior colégio dos distritos com 681 votos.
- Léo – 394 votos / Caio – 209 votos (diferença de 185);
Morros dos Martins: 2º Maior colégio dos distritos com 629 votos.
- Léo – 289 votos / Caio – 241 votos (diferença de 48);
Baixinha dos Franças: 3º Maior colégio dos distritos com 462 votos.
- Léo – 250 votos / Caio – 151 votos (diferença de 99);
A Sede do município é o que concentra o maior número de seções, são 15 ao todo, o que representa 56,7% do eleitorado. Mesmo com uma margem de apenas 32 votos, Caio Fernandes foi o que saiu vitorioso por lá, isso levando em conta que sua composição havia apenas 8 candidatos vereadores, um resultado que chegou a ser até surpreendente.
Votos infiéis também pesaram na balança
O fenômeno dos votos infiéis sempre é visto nas eleições e consistem naqueles eleitores que optam por votar em um vereador de uma chapa, mas decidem votar no candidato ao prefeito contrário.
Não é fácil medir esse índice, porque é subjetivo, mas se levarmos em conta o voto por partido dá para se fazer um paralelo. O PP, partido que concentrava os 8 candidatos a vereadores da oposição, somou 2.042 votos enquanto Caio atingiu a marca de 3.790 votos o que equivale uma diferença de 1.748 votos.
Colocando esses números em porcentagem simples, poderíamos supor que pelo menos 45% dos votos da oposição foram provenientes de votos infiéis. Nada exato, mas ao ouvirmos alguns matemáticos eles também deduziram que a linha de raciocínio era plausível.
Câmara formada, supresa só com novatos
A Câmara dos Vereadores terá pouquíssima renovação. Apenas 2 são novatos, todos os demais já assumiram o cargo ou foram reeleitos:
- Jean (PSD) – 596 votos – REELEITO
- Irmã Letinha (Podemos) – 589 votos – ELEITA
- Neto da Saúde (PP) – 558 votos – REELEITO
- Zé de Luzenario (PP) – 556 votos – REELEITO
- Ednaldo Coutinho (PSD) – 522 votos – REELEITO
- Tiago Peixoto (Podemos) – 454 votos – ELEITO (NOVATO)
- Evandro Menezes (Podemos) – 437 votos – REELEITO
- Rodolfo da Baixinha (PSD) – 387 votos – ELEITO (NOVATO)
- Beto de Agostinho (PV) – 304 votos – REELEITO
Sobre os vereadores o que podemos observar é que Jean permaneceu com sua forte base de votos e se manteve como um dos mais votados do município, algo que já havia ocorrido em 2020. Irmã Letinha, contando com apoio pessoal do prefeito Renato, também absorveu boa parte dos votos que seu filho Azenate Câmara possuia.
Neto e Zé disputaram voto a voto o melhor desempenho do seu partido, mas Zé por possuir apoio pessoal de Miguel Teixeira esperava-se que brigasse com Jean para ver quem seria o mais votado do município.
Ednaldo e Evandro já eram unanimidades que teriam cadeiras na câmara e por isso não houve espanto. Surpresa foi o desempenho de Tiago Peixoto que alavancou muitos votos em um partido que prometia ser bem concorrido.
Aliás alguns candidatos novatos deram um show a parte e obtiveram votos acima da expectativa. Nomes até então meio que ocultos politicamente como Márcia Advogada, Patué e o próprio Tiago Peixoto fizeram a campanha ser um pouco mais embolada.
Rodolfo da Baixinha aparecia como um dos cotados, mas corria por fora brigando por um terceiro lugar dentro do seu partido que era acirrado e ainda se contava como surpresa. O desempenho no seu reduto eleitoral, Baixinha dos Franças (159 votos), bem como no Antônio Conselheiro (69 votos) o alavancaram para conquistar a penúltima cadeira da câmara.
Fechando, veio a vaga da federação, Beto de Agostinho conseguiu se sobrepor em um conjunto de partidos que já tinha o PT enfraquecido e torcia para que com o coeficiente eleitoral sobrasse uma vaguinha para lá. Foi a carona que deu certo.
Fechamos aqui a cobertura das Eleições 2024 no Contador! Até a próxima.