O Contador Viu: Resistência (2023)

Filme indicado ao Oscar de melhor efeitos visuais é só um feito bonito na tela ou tem algo mais no seu recheio?

Por Rubens dos Anjos

Em uma época onde se discute muito o papel das inteligências artificias (IA) no mundo, Resistência (2023) traz em sua premissa uma discussão que dialoga bastante com esse cenário atual. Com uma roupagem de ficção científica a obra é um banho de efeitos visuais em um ano onde tivemos produções que foram um verdadeiro desastre nesse setor, como The Flash, por exemplo. Porém o desenrolar do roteiro não é muito inovador e inevitavelmente você terá a sensação de que já viu um filme desse antes, mas isso não estraga a experiência.

Dentro nesse universo imaginado por Gareth Edwards (Rogue One: Uma História Star Wars (2016), Godzilla (2014) e Monstros (2010)) a IA surge em Resistência como uma coisa boa que irá ajudar os humanos nas mais diversas áreas, até que ocorre uma explosão atômica em Los Angeles e este sonho Americano é despedaçado.

Rapidamente os robôs são colocados como culpados da tragédia, o governo e as forças armadas do país decidem proibir essa tecnologia no ocidente, mas o que aqui é chamado de Nova Ásia (espécie de bloco político), decide não fazer o mesmo por acreditar que as IA são semelhantes aos humanos (e certamente porque o ocorrido não foi falha da IA).

O ex-agente Joshua (John David Washington) é recrutado para localizar e matar o Criador – um misterioso arquiteto responsável por desenvolver uma arma capaz de acabar com o confronto e com toda a humanidade, conhecido como Nirmata. Joshua e sua equipe partem, então, para o território da Nova Ásia, o ultimo reduto IA, mas acabam fazendo uma descoberta chocante: a arma que devem destruir é, na verdade, uma inteligência artificial em forma de criança. vale também ressaltar a atriz Gemma Chan que interpreta Maya, o interesse amoroso de John David e de fundamental importância dentro da produção.

Joshua acaba desenvolvendo um laço afetivo com a criança robô, ele acredita que os robôs não tem sentimentos e são apenas programados para serem assim, ao longo dessa jornada ele vai perceber ao lado dessa criança um novo jeito de enxergar o mundo – falei que esse filme já foi feito antes né.

Para além disso, a produção não apresenta nada de novo em termos narrativos, é cheio de flashbacks e recortado por capítulos que tentam direcionar a história, o que faz pensar que o diretor após gravar todas as lindas sequencias, não sabia como juntar tudo aquilo em um filme e utilizou essa ferramenta para dar liga.

Em suas entre linhas Edwards, coloca os Estados Unidos como esse “grande pacificador preocupado o os países do mundo”, nada muito diferente da nossa realidade, e desenvolve bem esse ponto. A ideia – várias vezes dita no longa – que a IA não tem sentimentos, seria apenas uma programação, não humana e inferior conflita com as pessoas da Nova Ásia, despertando o teor racial e até mesmo xenofóbico em vários trechos.

Com espaço até para comparações do Homo Neandertal V.S Homo Sapiens sempre partindo do lado USA vale ressaltar a livre inspiração na Guerra do Vietnã para compor a história, cenários e estética dos guerrilheiros, IA Asiáticos, como também outras obras do cinema Blade Runner 2049 (2017), Apocalypse Now (1979), A.I. – Inteligência Artificial (2001) e até mesmo as películas de Neill Blomkamp cuja estética é bem parecida como também a forma em que o roteiro é desenvolvido.

Como já foi dito aqui, é certamente um filme já feito em termos narrativos onde o diretor abre varias abas e não conclui quase nada, fica para o espectador buscar essa conclusão. O ponto positivo vem mesmo pelo visual que é fantástico, não a toa está indicado ao Oscar 2024 na categoria de melhores efeitos visuais. isso pode abrir uma nova janela para a indústria de efeitos visuais pensarem novas formas de produzir esse tipo de arte já que esse filme custou 80 milhões de dólares, valor baixo hoje para filmes desse seguimento.

Resistência (The Creator)

  • Direção: Gareth Edwards
  • Disponível: Star+
  • Duração: 133min
  • Nota do crítico: 3,5/5
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Autor: Rubens dos Anjos

Fotógrafo, Designer, Operador de Som Direto, Editor de Vídeos e Diretor de Cinema. Sócio-fundador da Agência de produção de fotos e vídeos; Solarfotos. Como diretor fez parte de quatro curtas-metragens: O Grande O (2017 Ficção), Autômato do Tempo (2018 Ficção) e Carta Branca (2019 Ficção) e Mestre Marciano (2020 Documentário), e como operador de som direto colaborou com varias produções entre elas o curta O Grande Amor de Um Lobo, produção com exibições em mais de 30 festivais e já ultrapassa o número de 25 prêmios. Rubens também conta com a participação em um projeto selecionado para o GloboLab Profissão Repórter 2019, onde teve a vivência de uma semana junto de Caco Barcellos e equipe.

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