Cidade apresenta falhas de crescimento em infraestrutura, além de manter uma “dívida” de atenção com distritos. Em ano de eleições é hora de observar e cobrar melhorias, especialmente se o bloco atual permanecer no poder.
Por Ailton Rodrigues

São Miguel do Gostoso já chegou aos seus 30 anos de emancipação política, mas ainda tem um grande caminho a percorrer para corresponder ao status que carrega como 3º maior polo turístico do Estado.
A ideia de se vender uma cidade pelos seus atrativos naturais tem que vir em conjunto com a infraestrutura e assim estar apto a receber os visitantes. A pauta é relevante mesmo com as conquistas de premiações que a cidade recebeu recentemente como o Green Destinations ou mesmo da Feira de Turismo do Estado. Infelizmente a cidade apresenta problemas e o que seria pior é uma determinada dívida histórica com os distritos.
Em um ano de eleições municipais como 2024 é natural ter o discurso de vítimas, heróis, vilões e perseguição, mas é nítido que precisa-se crescer para poder ter uma atenção maior de outros órgãos, bem como investimento de empresas de grande porte. A atual gestão deu indícios muito tímidos de que entende isso.
Nesse artigo aponto alguns dos itens que mais incomodam a população ao longo dos anos, mas claramente você pode discordar ou até querer adicionar alguma outra coisa.
Infraestrutura

Mesmo com a notável caída da festa Réveillon Gostoso em 2023, há ainda muita procura pela cidade e ainda assim houveram relatos de oscilações fortes de energia elétrica, bem como nos serviços de telefonia. Mesmo estando em 2024 as operadoras não entraram nos distritos, salva-se um dos provedores de internet que foi a verdadeira salvação para que por lá não se permanecesse no tempo dos Incas.
Cito o evento do réveillon porque durante este período a cidade triplica de pessoas, bem como durante a Mostra de Cinema de Gostoso. Ou seja, grandes eventos dão dor de cabeça para uma cidade que deveria estar mais habilitada estruturalmente.
70% do território do município são dos 25 distritos, mesmo que a Sede naturalmente tenha um percentual maior de densidade demográfica. Contudo, apenas 4 desses distritos tem pelo menos uma rua pavimentada: Reduto, Cruzamento, Angico de Fora e recentemente houve registros da Baixinha dos Franças.
Dentro da própria sede ainda há várias ruas sem pavimentação e o pórtico da cidade segue indefinido, demarcado com um letreiro. Muito se especula que um calçadão ligando toda a orla urbana com iluminação seria um excelente atrativo que poderia ampliar um espaço de lazer e prática de exercício físico, isso levando em conta nossa gigantesca faixa de areia.

Ao que está se desenhando pelo menos a ligação da sede ao Tourinho, principal cartão-postal da cidade, deve sair em 2024. Segundo o presidente do PT municipal, Hildemar Peixoto, 13 milhões de reais proveniente de um orçamento conquistado pelo Governo do Estado junto ao Ministério do Turismo será destinado para esta obra.
Esse seria o primeiro passo para uma das promessas de campanha que foi até falada por representantes do Governo do Estado: a tão sonhada construção da estrada que ligaria São Miguel do Gostoso à Parazinho. São cerca de 45 quilômetros que fariam distritos como Tabua, Frejó, Reduto, dentre outros crescerem exponencialmente.
Saúde
A saúde ainda segue tendo problemas de atendimento nos distritos, em comunidades como o Antônio Conselheiro, por exemplo, a busca por consultas chegam a durar meses e há filas para consultas especializadas como dentista. Outro importante ponto é a falta de medicamentos onde há relatos de ausência de itens básicos.
Preocupa, pois a cidade também está tendo um crescimento imobiliário importante e serviços assim são extremamente necessários.
Educação
Talvez seja o setor que ainda é um calcanhar de Aquiles, mesmo com a questão da pandemia que atrapalhou bastante a evolução e desenvolvimento dos alunos, o município parou de fornecer incentivos para alunos e professores.
Táticas como os projetos de pró-letramento para formação continuada dos profissionais da educação, cursinhos públicos para alunos se prepararem ao exame seletivo do IFRN, coordenadores por polo nos interiores para facilitar a comunicação entre os professores da zona rural com a Secretaria de Educação, aumento de vagas nas creches municipais, grandes eventos de formato multidisciplinar como a Expartec, concursos de incentivo a alunos como de redação. Todas essas ideias já existiram e não vemos mais.
Eventos

Uma cidade que subsiste de turismo precisa de eventos, uma das ideias apresentadas pela Associação de Empresários de São Miguel do Gostoso (AeGostoso), seria construir um Centro de Convenções para atrair eventos plurais, mas isso esbarra no tópico de infraestrutura que debati logo acima.
Todos sabem que eventos bem realizados dão certo em Gostoso, seja do gospel até as grandes festas sociais. No último réveillon só porque foram anunciadas atrações interessantes como Rogerinho e Psirico foram o suficiente para as areias da Praia da Xepa ficarem lotadas, assim como foi o Festival Mulherada que recebeu um excelente público.
Mostra de Cinema de Gostoso e Réveillon do Gostoso que já foram relatados acima, também já demonstraram que atraem muitas pessoas e quem sai ganhando são pousadeiros, restaurantes e até ambulantes que comercializam na praia. A premissa do pão e circo para uma cidade turística tem que ser pensada também para que a engrenagem do dinheiro gire, mas um detalhe: só adianta se forem eventos com duração de 2 dias para cima.
Por fim ainda poderia abordar o setor cultural que precisa urgentemente de incentivos, mas esse assunto deixo para um outro artigo posterior. Cabe salientar que administrar uma cidade é um artifício que requer muita responsabilidade. Ao depositar seu voto este ano leve em conta que sua escolha tem uma validade de 4 anos e que São Miguel do Gostoso mesmo estando nos holofotes da imprensa estadual não é sinônimo de que está tudo bem.
Nós continuamos de olho. Até qualquer hora.