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O CONTADOR VIU: LOVE, VICTOR

Spin-off do filme “Com Amor, Simon” traz uma versão mais realista do que sua obra derivada.

POR AILTON RODRIGUES

Victor (Michael Cimino) é o protagonista da série.

Aos que amaram o filme “Com Amor, Simon”, que inclusive já foi resenhado aqui no Contador, a série “Love, Víctor” traz uma história até mais ampla e realista do que foi o filme.

Derivada do romance homônimo de Becky Albertalli, “Love, Victor” está originalmente na Hulu e não tem data de chegar ao Brasil, a temporada tem 10 episódios de 30 minutos cada. Ou seja, dá pra maratonar rápido e se divertir, pois a trama é leve, espontânea, fofa, mas tem algumas ressalvas.

Primeiramente, há a preocupação dos criadores Isaac Aptaker e Elizabeth Berger de deixar claro que não é a mesma coisa do que foi o filme. Pelo contrário, o próprio Simon (Nick Robinson) até está presente na trama de forma ampla, como se fosse um guru do protagonista Victor (Michael Cimino).

Outra diferença da série é que Victor não tem um ambiente externo tão romantizado para revelar sua sexualidade como teve Simon. Os pais de Victor são colombianos e religiosos, o que já deixa tudo mais difícil. Além disso, é uma família que tem problemas de convivência em alguns momentos (Como todas as outras) que fazem o próprio Victor pensar duas vezes em colocar seus dilemas na frente da família.

Até os estereótipos clichês das séries juvenis, são bem ilustrados para dar uma dimensão de como é a construção do ambiente da descoberta da sexualidade de Victor: desde a sua irmã adolescente problemática (Isabella Ferreira) até o valentão do time de basquete (Mason Gooding) que tem inveja por Victor ser melhor do que ele.

Victor e seu amigo Félix (Anthony Turpel).

Ao meu ver há um problema no próprio Victor, que é a atuação de Michael Cimino. Nas cenas ao qual ele interage com Benji (George Sear), que é o rapaz que ele sente atração, as coisas fluem bem e dá para perceber a química dos dois. Mas nas cenas que exige mais drama, ele peca com falta de representação.

Victor e Benji (George Sear) fazem um belo trabalho nas cenas juntos.

De qualquer forma, destaco também os personagens secundários e a trama em si. Victor ao tentar se descobrir, acaba se forçando a uma relação com a menina mais atraente da escola (Rachel Wilson). Mas ao trabalhar na mesma cafeteria com Benji e ao conversar com Simon ele vai observando que está se enganando e até machucando outras pessoas.

O melhor amigo de Victor, Félix (Anthony Turpel) é um alívio cômico a parte e faz com que Victor se enturme na escola que acabara de chegar. Além disso, o seu enredo com Lake (Bebe Wood) rende ótimas cenas que em alguns momentos tem mensagens interessantes no segundo plano.

O resumo é que vale a pena ver “Love, Victor”. Você não vai se arrepender, afinal representatividade de variados temas sempre é bem vinda para que aprendamos a ter alteridade, ou seja, a ver a realidade com os olhos do outro.

Até qualquer hora!