‘SONS DO CONTADOR: O FESTIVAL’ TRAZ CULTURA, AUDIOVISUAL E MEMÓRIAS GOSTOSENSES

O evento aconteceu através do canal do Contador de Causos no YouTube e contou com grandes nomes do cenário cultural do Rio Grande do Norte e Pernambuco

POR ANDRIELI TORRES

O evento foi apresentado por Ailton Rodrigues e Ricardo André (Foto: Reprodução / O Contador de Causos)

Quando pensamos em cultura, imediatamente vem à mente grandes manifestações: música, cinema, dança, entre outros. Foi possível saber um pouco mais sobre esses temas através da live ‘Sons do Contador: O Festival’ transmitida neste último sábado (09), que trouxe três mesas redondas e um pocket show para encerrar o evento com chave de ouro.

Na primeira mesa redonda mediada por Aíris Vital, os convidados Amauri Reginaldo e Filippo Rodrigo falaram da trajetória deles e o cenário da Cultura Popular no Rio Grande do Norte. Para Amauri, que já está inserido neste contexto cultural há pouco mais de 20 anos, é gratificante e o alegra muito fazer parte desse movimento.

Ele começou a militância cultural em Natal, através de uma associação de Hip-hop. Foi coordenador de cultura no município de Parazinho, participou como agente de cultura da Fundação José Augusto, na qual se orgulha muito. Atualmente é produtor individual em Parazinho, gestor cultural, social e articulador político da lei Aldir Blanc no Mato Grande.

Aíris, Amauri e Filippo durante a mesa redonda sobre a Cultura Popular no Rio Grande do Norte (Foto: Reprodução / O Contador de Causos)

Desde cedo, Filippo Rodrigo já fazia e produzia arte. Durante a conversa, ele falou da sua contribuição na cultura do RN, em especial destacou sua colaboração em 2006 em São Miguel do Gostoso e a construção do Espaço Tear. Filippo ainda contribui com projetos na cidade e estava com dois espetáculos para estrear, mas devido a pandemia causada pela Covid-19, não foi possível realizar em 2020.

“A gente ia circular os distritos e o centro da cidade e tivemos que parar e agora estamos com alguns projetos em desenvolvimento para área virtual e um que não é virtual”, disse.

Amauri revelou que será realizado em Parazinho o primeiro festival de música da cidade e acontecerá de forma online. “Estamos pensando em noites bem populares, por exemplo a noite dos seresteiros”, comentou.

Ao ser questionado sobre o que é cultura popular atualmente, ele não hesitou e disse que é àquela produzida pelo povo, manifestações como o boi de reis, e outros. Já para Amauri, cultura popular é a feira, caldo de cana, pão doce, pastel. “Uma coisa que me encanta e São Miguel do Gostoso é a feira”, revelou.

Filippo concorda que a feira é um exemplo, como também os elementos que a compõe, e acrescenta que o que é cultura popular hoje, não será amanhã.

No segundo momento, foi a vez do debate sobre os caminhos do audiovisual no Rio Grande do Norte. O bate-papo foi mediado por Ricardo André, que recebeu três convidados de peso quando se fala em audiovisual no estado e em Pernambuco, eles falaram sobre as perspectivas do segmento para este ano.

Dênia Cruz, produtora audiovisual e documentarista, atua há cerca de 20 anos em produções audiovisuais e reportagens no Rio Grande do Norte, iniciou falando dos desafios de fazer audiovisual principalmente no Nordeste, segundo ela, os realizadores dependem da sensibilidade dos gestores públicos.

Mesmo com o desafio imposto pela pandemia, ela acredita que os festivais de cinema devem continuar com o formato híbrido mesmo após tudo isso passar, para que consigam alcançar cada vez mais lugares fora do estado e até mesmo outros países, como foi o caso do Curta Caicó.

Ela falou da experiência de produzir nesse momento delicado que o mundo está passando, e ressalta que o desafio é continuar fazendo o que já vem sendo construído. “Trazer mais elementos de comunicação nessa inovação que a gente se fez pela mídia online, de fazer festivais principalmente”, completou.

Alexandre Soares é produtor audiovisual, curador e diretor dos festivais Curta Taquary e Criancine em Pernambuco. Ele acredita que se todos os artistas se mobilizarem para terem um conselho de cultura municipal forte e atuante em prol da classe audiovisual, pode acontecer uma mudança positiva para o segmento.

“Eu acho que a população tem que despertar e ver realmente a valorização dos artistas e ver que a cultura movimenta muito dinheiro, emprega gente e gera riquezas para todo mundo”, pontuou.

Raildon Lucena é bacharel em Comunicação Social, especialista em Marketing Digital e pós-graduado em Cinema e Produção Audiovisual e diretor e idealizador dos festivais Curta Caicó e Seridó Cine.

Para ele, o caminho que o audiovisual deve percorrer em 2021, é a reorganização do segmento para que os profissionais possam lutar por mais políticas públicas, aproximar a capital do interior e que todos possam falar a mesma linguagem, como também o diálogo entre os realizadores de eventos e filmes.

Raildon conta que este ano começou animado e muitos projetos estão por vir, como o Seridó Cine, um festival voltado para o Nordeste. Ele revelou que está em processo de curadoria e vai acontecer de 08 a 13 de fevereiro através da plataforma seridocine.com.br. Dentro do evento, será lançado o concurso “Filme na mão”, com premiações em dinheiro para a produção de filmes na região do  Seridó.

Mesa redonda sobre os caminhos do audiovisual em 2021 (Foto: Reprodução / O contador de Causos)

Outra novidade é o LAB RN, um laboratório de roteiro lançado este mês. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas pelo https://labrn.com.br/, e acontece entre os dias 21 a 27 de fevereiro, e os interessados já podem enviar os roteiros.

Na última mesa redonda do evento, comandada por Cintia Matos, Francisco Anjos (Tiquinho) e Isabel de Matos, contaram como eram as brincadeiras de antigamente em São Miguel do Gostoso e como os jovens se divertiam para passar o tempo.

Isabel lembra que a tradição da festa de padroeiro já era muito forte, inclusive a procissão. Tiquinho relembrou como as crianças brincavam, e guarda boas lembranças da época, por exemplo: brincar de biloca. E hoje em dia, os jovens procuram festas como meio de diversão, e deixando de lado as brincadeiras mais antigas.

Tiquinho também lembrou de um momento marcante em que sua mãe contou sobre a lenda “O pai da noite”, no momento haviam várias crianças e faltou energia elétrica, a garotada corria para todo lado com medo.

Cintia Matos mediando a mesa redonda sobre as memórias de Gostoso com os convidados Francisco Anjos e Isabel Matos (Foto: Reprodução / O Contador de Causos)

Isabel também enfatizou que o entretenimento da época dela era quando as pessoas paravam para ouvir as histórias do pessoal mais velho, já que não existia a tecnologia de hoje em dia.

Os convidados também comentaram como enxergam as mudanças da cidade, citando Leonardo Godoy, uma figura importante no desenvolvimento do turismo em São Miguel do Gostoso.

A noite foi encerrada com o pocket show de Elenilson Junior, diretamente do Bar e Pizzaria Maktub, que presenteou o público de casa com muita música boa.

Elenilson Junior durante seu pocket show (Foto: Reprodução / O Contador de Causos)

O ‘Sons do Contador: O Festival’ levou para o público, questões relevantes e que precisam ser faladas. A cultura popular pode sim mudar, mas o que já conhecemos não pode ser esquecido. O audiovisual principalmente no Nordeste deve ser valorizado cada vez mais, pois nessa região são produzidas grandes obras.

Para saber tudo o que aconteceu nesta noite memorável, clique aqui e confira a live, e para assistir o show completo de Elenilson Jr, acesse nossa página no Facebook “Contador de Causos”.

O Festival Sons do Contador tem o apoio da Prefeitura Municipal de São Miguel do Gostoso/Secretaria Municipal de Educação e Cultura por meio da Lei Aldir Blanc.

Autor: Andrieli Torres

Graduada em Comunicação Social - Jornalismo, pela Universidade Potiguar (UnP).